terça-feira, 7 de agosto de 2012

     Está tudo a ocorrer bem. Não vi o Alexandro no autocarro ontem, mas pude pensar em qual será a minha atitude na próxima vez. Pensei que a minha tez expressará o "esquecimento do inolvidável".
     Hoje haverá concerto da Orquestra Sinfônica Jovem do Conservatório Pernambucano de Música no Teatro Santa Isabel. Eu não iria, então eu li o programa na publicação avulsa acerca de seu circuito sinfônico e percebi que teria P I. Tchaikovsky. Pensei... Decidi que vou. Valerá a pena em parar algumas horas de estudos musicais para ir a um concerto. Segue-se o programa e a primeira música dele, que fez-me pensar em ir ao concerto, pois faço arrepiar-me toda vez que a aprecio:

Piotr Ilich Tchaikovsky
Marcha eslava

Joseph Haydn
Concerto para Trompete em Mib Maior
Allegro
Adagio
Allegro
Solista: Josias Adolfo Jr.

Sivuca
Concerto Sinfônico para Asa Branca
Solista: Júlio César

José Ursicino da Silva
(Maestro Duda)
Tributo a Luiz Gonzaga "O Rei do Baião"

Maestro Convidado: Alfredo Barros


     E claro, em breve, muito breve, hei de falar para vós acerca dessa música acerca.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O visual, Aventuras Quânticas no Transporte Público Brasileiro, Per Aspera ad Astra

     Fizeram notar o novo visual? Sim, claro. É devido a um livro que li antes de começar a escrever neste blogue. Ainda não fiz resenha dele pois foi Clarice Lispector quem o escreveu. E eu a como, sinto-a e a digestão demora dias, mas por vontade própria, pois só se ler ela assim. Quem leu o livro descobrirá por uma lembrança da capa que será trazida pelo novo plano de fundo do blogue, sem citar o novo título, que fala absolutamente tudo, descartando até o plano de fundo inexato. Também pretendo trocar o endereço do blogue em cinco dias para "adescoberdomundo.blogspot.com".
     Eu pensei em escrever este poste e falar acerca do Alexandro, do qual eu já tratei aqui. Ocorram-me muitas coisas incríveis e também assaz deprimentes na última semana, de 29 a 5 de agosto. Eu o vi pela primeira vez, como descrevi no link citado, a 17 de abril de 2012, após o crepúsculo numa noite chuvosa. Pensei, após enviar meu correio eletrônico para minha amiga e ler sua resposta, que o eu esqueceria. Mas após o crepúsculo de 31 de Julho de 2012, numa noite chuvosa, eu o vejo entrar no ônibus e sentar no lado direito do autocarro, onde eu também estava e onde era o lado oposto donde nos sentamos juntos pela primeira vez. Fitamo-nos, lembramos de nós dois, era a prova que sentimos algo naquele dia.
     Entretanto, eu não quero continuar, pois não estava em minhas pretensões ir tão profundamente no meu escrito acerca do "ocorrido de carência". Descrevi objetivamente — há bem mais subjetividade e psicologia do que possam imaginar —, houve muitas emoções, idiossincrasias e outros gestos peculiares que observei. Eu tremi, fiquei extasiado e parei de ler um artigo acerca de mangas. Nos excitamos, ele me sentiu a algumas cadeiras além de mim e eu o senti. Fechamos as janelas ao mesmo tempo e também olhamos concomitantemente para a criança que chorava. Houve muitas outros pequenos ocorridos nesse magno acontecimento. Mas eu desisti e pretendo fazer de Alexandro nada mais que um personagem em minhas estórias. Ele há de ser meu eu lírico no mundo real, eu o sentirei enquanto escrever, e ele será meu eu lírico no mundo em que criarei. Então, ele me abandonará nas "Aventuras Quânticas no Transporte Público Brasileiro" e continuará existir noutros contos meus. Talvez ele me pertença na vida real, se não, estou conformado desde já. Resigno-o com paciência mansa de árvore secular. Paro aqui, pois como já disse meu escritor francês favorito, Guy de Maupassant, "a memória é um mundo mais perfeito que o Universo".

     Hoje conversei com o maestro L. T.,  incrível como em algumas horas conversas nos tornamos íntimos, amigos e fraternais. O propósito de nossa conversação era apenas tratar de assuntos acadêmicos acerca de meus futuros estudos noutras instituições. Foi tudo marcado e houve toda aquela solenidade de início de conversa entre pessoas que não se conhecem. Ele namora o T. S., que me indicou para ele, o L. T. É um casal lindo! Se tiverem lendo-me saibam mais uma vez que os congratulo e desejo muita iluminação, paz, amor e sucesso ao relacionamento.
     Mas a cerne da conversa e o que cá anseio expor não está em nada do que falei, está nas lembranças que trouxe-me ela. Uma delas, fez-me retornar para quando eu tinha quase 14 anos, quando também escrevi um conto que até hoje leio em vertigem. Eu o escrevi numa biblioteca e publiquei ano passado no sítio virtual (Autores.com.br). Ele chama-se Per Aspera ad Astra, leiam-no:

   "Defronte ao grande Abismo Lacrimoso de obscuridades, estava desamparadamente sedento. Ele, sobretudo, no grande abismo flutuava com contrariedade à gravidade, realidade e razão. “Per Aspera Ad Astra”, — sussurravam os Seres Sussurrantes iluminados, híbridos e presos na obscuridade do Lacrimoso. Entretanto, suas luzes escuras eram de tanto offuscatio que as sombras imperavam Nele. No profundo isolamento, sentia vibrações. Pareciam-me altas notas. Cujas provinham Dele, feixes de luzes iluminavam todo o meio do diferente ser de túnica, que através desta, parecia-me esconder alguma desintegração, enigmático e taciturno. Observou-me, não aos olhos. Sempre imaginei que já sabia de minha presença. Algo portentoso havia dentre seus pulmões pulsantes de ar. Não podia vê-los, mas senti-los. De alguma forma, Ele fazia-me saber disto.
     As vibrações oscilavam. Eis que as Musas avisam-me, não a física palpável, a identidade das vibrações: “Ode an die Freude” — murmurava-me à mente. Bizarramente, apenas após disto dei-me a ver suas faces de expressivas alegrias. Já despido, Elysium diferentes de outrens, oscilava na Quasi una Fantasia.

      Observou-me, desta vez, com seus ofuscantes olhos sombrosos que me cativaram e aprisionaram-me. Então, senti liberdade infinita: os olhos d’aquele ser penetraram os meus.

     “Oh, amado Ludwig! As estrelas virão para ti, com o meu amor sem fim.” — Cantarolava para mim, que já estava beirando a inconsciência, em tom melódico. Havia em mim apenas a neutralidade.
      “E das sombras de teu coração emanarão nossa eterna comunhão” — retrucava-O.

     A Ode dos Seres Sussurrantes tornava-se mais alta ao ponto de que uma vasta sombra saia dentre os pulmões de Elysium. Os firmamentos em tom vermelho abalaram-se. Buracos Negros e Buracos Brancos colidiram-se criando tudo que há de perfeito, pérolas, rosas e morangos no céu. A Ode dos Seres Sussurrantes tornou-se apogética a uma crispação até às escuridões do abismo enquanto inconscientemente dançava de forma irreal com Claudius e a Donzela, adormeci.

      Agora havia gravidade, realidade, razão o bastante e o abismo de luzes sombrosas tornou-se o mais perfeito Abismo Lacrimoso de sombras iluminadas e obscuridades esclarecidas. Por fim, despido e “integrado”, Elysium trouxe-me às profundezas do perfeito abismo, onde agora Deus e Satã com mãos entrelaçadas, vieram, assim como os anjos e demônios, a cerimônia bailar.  Flutuando, com um único gesto, guiou-me da beira do abismo aos pés dEle. Tudo Nele era tão ofuscante que em poucos instantes encheu-me de sombras. Pasmaram-se todos ao verem a minha luz sobressaída a todos os deuses e demônios e Seres Sussurrantes. Deus sentiu-se humilhado e condenou todos os amistosos demônios e anjos ao fogo eterno.

     Pairo no vácuo impulsivamente sobre todos enquanto uma guerra jorrava fogo atrás de mim. Eis que torno-me o Deus sol e todo o sangue, desesperanças, desventuras, desilusões, fomes e pestes cessam-se quando do sedento ao apaziguador torno-me. Mas este não era meu objetivo após o desfecho das objeções. Da mesma forma que pairei à cima, desci ao meu amado enquanto os Seres Sussurrantes reprimidamente sussurravam ao som de tambores, flautas e harpas: “Per Aspera Ad Astra.”

      Olhei nas profundezas de seus olhos negros, e falou-me à mente: “Oh, amado Ludwig! As estrelas vieram a ti, com o meu amor sem fim.”

“E das sombras de teu coração emanaram nossa eterna comunhão!..., meu Elysium.” — Retruquei-lhe beijando-o. Após, abraçamo-nos, damo-nos as mãos e como as estrelas das sombras perfeitas mostramos ao cosmos e a todos os deuses, demônios e Seres nossa perfeição e do nosso amor enquanto saíamos do abismo ao bailar das cintilantes estrelas.
     Eternamente amei-o e ele amou-me. Compus estridentes e catárticas composições amorosamente sutis e do nosso leite que alimentava nossa pequenina Hypatia nasceu as voluptuosidades da elegante Via - Láctea, que desta, por sua vez, proveio as sombras iluminadas: a vida e os humanos.

Ofegantemente inspirou e expirou.
— Eis aí, humanos! — falou o mendigo em tom arrogante para o guarda que o acordou pedindo para sair defronte da Grande Biblioteca Nacional de Quimerolândia.
— Saia já daí moribundo! — Gritou em tom extremamente arrogante.
— Arruínem-se, arruínem-se todos vós, destruidores de sonhos! — Respondeu ao guarda assentindo a ordem de retirar-se do local: berço da Quimerolândia."
     
     Também começarei a por títulos nos postes e organizar marcadores, mas ainda manterei a inexistência pública da opção de seguir este blogue.


     Cesinha, leio seu blogue desde o segundo dia deste ano. Já comentei como Herr Limes meses depois de teres escritos muitos dos teus postes só por introspecção e timidez mesmo. Posso não comentar, mas acompanho o desenrolar do drama de sua vida. Sucesso, caro rapaz!
     Margot, acompanho seu blogue desde julho e ainda não o segui por motivos inconscientes. Gosto de ver o mundo e a sensibilidade dalgumas pessoas nele, eu vejo isso no que escreves e vejo nos comentários de seus postes também. E seu blogue também é remédio quase tão bom quanto escrever. Iluminação e paz, cara Margot!
     Eu não imaginava ter ninguém aqui comentando, e por isso o nome era Reflectere, pois servia apenas para mim. Mas agora estou começando a aceitar que se escrevo, escrevo para o mundo. É a dor de quem tem filhos. Agradeço a quem esteve acompanhando as lágrimas de nascimento dum bebê.


Grande abraço,
até a próxima!

domingo, 5 de agosto de 2012

     Ele é boliviano, fala espanhol e português, não toca Tchaikovsky bem, ele não destaca as notas que deveria no concerto para violino em Ré maior do citado compositor russo e ainda desafina. Eu preciso dele para um feedback, será que o tal boliviano entenderá meu português mundano, linguisticamente falando? Ao menos estudou em um dos melhores conservatórios da América Latina.
     
     Sou exigente e busco a perfeição em tudo o que eu faço, consequentemente, acho defeitos e imperfeições em mim por demais, sou sempre insuficiente e menor, o que leva-me para a introspecção algumas vezes. Atualmente, eu posso falar algumas vezes por minha recente socialização simpática com o mundo.
     Apesar de tudo isso de que falei, há duas coisas de que me orgulho: Poder sentir cada detalhe de uma música e extasiar-me com isso e por compreender que apesar de minha vida ser um erro sem ela, eu posso viver sem a música. Ela pode ser substituída por filosofia, literatura, pintura, arquitetura, astronomia, física quântica e cous'outras do cotidiano que fazem-me feliz. Eu confesso que sentirei muitas saudades dela, mas como a música  não é o meu melhor insubstituível, poderei adaptar-me ao mundo sem ela.
     A música não é nada sem as partículas e sem os sentidos de máquinas complexas — nós, os seres humanos — que não percebem a realidade de fato assim como o cosmos permaneceria inexistente sem o pensamento reflexivo das complexas máquinas e o cosmos também continuaria a existir inexistente sem o pensamento reflexivo das tais máquinas complexas.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

     Dizer que ele foi lindo não é o suficiente. A Orquestra fora aplaudida cada vez que um movimento terminava e o florista, de tão emocionado, entrou no palco a entregar o ramalhete para a spalla no fim do terceiro movimento da Sexta Sinfonia de Tchaikovsky com quatro movimentos.



domingo, 29 de julho de 2012

     Como prometera eu, postarei as resenhas dos livros de minhas jornadas literárias para compartilhar um pouco conhecimento convosco. Mas antes, gostaria de compartilhar o programa do último concerto da temporada das Sinfonias de Tchaikovsky da Orquestra Sinfônica do Recife — a mais antiga Orquestra Sinfônica ainda em atividade do Brasil.
Cá está ele:
     A última apresentação, onde pudemos apreciar um concerto para violino de Bartók e a Quinta Sinfonia de Tchaikovsky,   deixou-me extasiado, arrancou-me lágrimas e meu professor estava ao meu lado; depois fiquei vertiginoso como os ventos desejavam meu cabelo, levantando-os aos ares do Recife marítimo.  
     Ficamos no primeiro piso, e no segundo piso havia uma moça que gravou o último movimento da tal sinfonia. O vídeo só está disponível para quem possuir o link, e como não sou experiente na chamada "blogosfera", apenas postá-lo-ei aqui: http://www.youtube.com/watch?v=l09irTGIGAA. Deleitem-se!

Charmed Life (Vida Encantada), na edição inglesa.
     O livro resenhado de hoje é um infanto-juvenil escrito por Diana W. Jones e lançado em 1977, Vida Encantada. Mas antes que faças torcer o nariz, a Diana W. Jones muito influenciou a J.K. Rowling em sua famosa série Harry Potter, que ocupou muito o tempo de minhas imaginações de petiz. Além disso, uma mente bem preparada poderá notar questões mais sóbrias ao ler o livro. Eu o escolhi por um motivo transitório como este blogue, eu passei uma tarde nublada muita deliciosa lendo-o. É sempre bom ler livros apenas por diversão, eu recomendo.
     Como falara, as resenhas não foram escritas com a pretensão de serem publicadas — e todas elas continuarão sendo escritas do mesmo modo ou como se não houvesse essa pretensão de não publicá-las. Então, sem mais delongas, leiam a resenha:

     "Após exatamente um ano e um dia do óbito de D. Wynne Jones, que lutou até seus últimos momentos contra o câncer, estou a resenhar um de seus livros. Será  lamentoso não presenciar a celebração de sua vida e trabalho no St. George's Brandon Hill em Bristol, U.K., ao vigésimo segundo dia do quarto mês do calendário gregoriano.
     Não são poucas as razões motivadoras de meu lamento por esta escritora britânica do gênero fantasia para crianças e adultos.
     A narrativa sobre a vida dos crestomancis (magos possuintes de nove vidas que governam mundos diversos e distintos) em universos paralelos, onde as várias possibilidades físicas das ocorrências na realidade são concretizadas nos universos múltiplos, não ridiculariza a inteligência da criança lendo a história.
     Vida Encantada é o primeiro livro duma série de sete livros escritos por D. W. Jones, onde Eric (ou gato, como é conhecido) e sua irmã Gwendolen vivem em um mundo paralelo ao nosso em que a magia o subjuga mais que a própria matemática. Órfãos, são amparados por Christofer Chant, o grande mago com nove vidas, e passam a ter residência em seu castelo. Gwendolen é uma garota prodígio em magia, mas porque canaliza-a de seu irmão, que sendo tímido e gentil vive às sombras  de sua irmã Gwendolen e tem profunda certeza que nunca poderia ser efetivo com sequer um simples feitiço.
     Crestomanci, ao impor regras proibindo o uso de magia por crianças, faz Gwendolen sentir-se subestimada.
      Quando as tentativas da irmã de Gato em chamar a atenção de C. Chant falham,  causando aborrecimentos para Julia  e Roger, filhos de Crestomanci, e a todos no Castelos ela decide, sem hesitação, partir para outro mundo onde fosse admirada e venerada, enviando uma sobressalente para o mundo de Crestomanci.
     A partir daí,  várias outras ocorrências farão despertar em Gato seu potencial furtado por mentes egoístas e desumanas, além de revelar muitos mistérios apresentados durante a narrativa acerca da relação entre os mundos paralelos.
     'Os Mundos de Crestomanci' é um buraco de minhoca elegante que liga a física moderna pré-gênesis com a fantasia e a arte da escrita de Diana Wynne Jones, que fez a escritora J. K. Rowling, mundialmente conhecida,  encontrar em suas ideias uma boa inspiração para o desenvolvimento da saga Harry Potter.
      É um bom livro com genial elaboração que qualquer um pode ler para passar o tempo na hora do chá solitária, ou ainda não."


    Acho que finalmente precisarei usar tags e títulos em alguns de meus postes aqui.

sábado, 28 de julho de 2012

     Acabaram-se os dias úteis, por  fim. Mas os dias "inúteis" que são tão úteis quanto os úteis dias começaram. Em algumas horas haverá ensaio da Orquestra Sinfônica e estou a preparar-me para ele. Parece-me que haverá um concerto-aula na segunda-feira, porém eu tenho aula na Escola de Artes e um outro concerto da Orquestra Sinfônica do Recife para  apreciar. Acredito que o maestro entenderá que não há tempo suficiente para preparar uma declaração justificando minha ausência na Escola de Artes.
Robot Visions de Isaac Asimov
     Essa semana, comecei a ler Visões de Robô de Isaac Asimov. É o segundo livro que leio de sua autoria e, como sempre, estou tão animado que até o levei para a latrina comigo. Isso deu-me uma ideia: penso, já, em escrever cá as resenhas dos livros meus. Eu não as escrevo com a pretensão de publicação, claro. Mas penso que seria interessante compartilhar o conhecimento que tenho adquirido nas minhas jornadas literárias.
     Eu devo ter contado uma história de carência recentemente, mas agora eu tenho outra inteiramente moderna onde eu novamente sou o protagonista.
     Já eu preciso ir, mas eu não esquecerei de postar resenhas e minha meta de leitura para 2012.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

     Extenuação física e melancolia são as "consequências patológicas" de todo o lume e frenesi  sobre o qual falei recentemente.

     Eu prometi explicar o meu desaparecimento. Bom, eu estava precisando dalgumas aulas particulares de violino a mais do que fora planejado. Eu não estava com o capital necessário para pagá-las, então eu decidi atrasar apenas um pouco o pagamento da web. A música é minha prioridade, apesar de amar a escrita e de amá-los também.

     Mas voltando ao assunto do começo desse poste, estou nesse estado de tal modo que estou frequentemente entre os sonhos dum profundo sono e a realidade. Estou assim exatamente agora. E preciso fazer um relatório da minha turma para entregar próxima semana, preciso escrever receitas para o meu grupo do trabalho acadêmico de biologia, preciso fazer contato com os alunos do Conservatório de Tatuí, preciso finalizar a etapa de "arquivamento de dados" e começar atuar o planejamento para conseguir uma bolsa de estudos no maior conservatório da América Latina, preciso tirar a melhor nota do bimestre em língua inglesa na minha turma, preciso conseguir entrar no programa Ganhe o Mundo, preciso progredir muito com o meu violino, preciso aprender La Primavera de Vivaldi e, de fato, o que eu mais preciso não é nada do que citei. 
     A minha mãe comentou que está feliz por eu finalmente ser mais sociável. Eu quero entender isso... Agora entendo. Estou sendo egoísta, pois eu sei bem os benefícios de ser sociável para os meus objetivos pessoais. Agora vejo que, talvez, fui ao extremo com a história de "parar um pouco de sentir as dores do mundo e das pessoas". A condição humana é angustiante e isso leva-nos ao nada. No vazio, sempre estiquei-me como plástico e quebrei como vidro. A minha socialização é apenas uma fuga, uma arte elaborada feita para apaziguar o espírito. Que assim seja, pois. Hei de acreditar, por enquanto, que isto funcionará.
     Ele vê o que os outros não veem. Eu vejo o que os outros não veem. Ele percebe a mitomania do mundo como eu. Mas ele aprendeu recentemente com Clarice Lispector que é necessário estar "na dele" e "não na do mundo". Incrivelmente, eu também aprendi isso. Ele acha isso uma tarefa impossível já que ele é terráqueo. E eu, após algumas breves elucubrações, começo a pensar igual a ele. E quando chegamos aí, vemos as nossas mais profundas semelhanças. Elas são tanto assim que eu vejo que sou Ele. Ele aceita, então Ele também sou eu. Eu estou nEle, e agora somos. Eu e Ele somos eu. Eu somos. E aceito o mistério de ser somos.

...

     Estou com o livro de língua portuguesa aberto. Isso fez-me lembrar das recomendações de minha professora acerca de escrever na sala de aula. Ela pediu moderação, pois, além de mim, ele é a única que entendia meus textos após ler duas ou três vezes — eu não acho tão complexo assim — e achar que compreendeu tudo para então perguntar a mim alguma coisa sobre o que eu exatamente quis dizer cá e ali. Ainda pediu para eu ler menos dicionários de sinônimos, mas eu não leio dicionário de sinônimos.
     Mas não foi apenas as minhas lembranças que fizeram-me comentar cá acerca de meu livro de língua portuguesa. Há um lindo trecho dum livro sobre poesia que gostaria de compartilhar convosco:

     A poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono. Operação capaz de transformar o mundo, a atividade poética é revolucionária por natureza; exercício espiritual, é um método de libertação interior. A poesia revela este mundo; cria outro. Pão dos eleitos; alimento maldito. Isola; une. Convite à viagem; regresso à terra natal. Inspiração, respiração, exercício muscular. Súplica ao vazio, diálogo com a ausência, é alimentada pelo tédio, pela angústia e pelo desespero [...] Expressão histórica das raças, nações, classes. Nega a história: em seu seio resolvem-se todos os conflitos objetivos e o homem adquire, afinal, a consciência de ser algo mais que passagem. Experiência, sentimento, emoção, intuição, pensamento não dirigido. Filha do acaso; fruto do cálculo. Arte de falar em forma superior; linguagem primitiva. Obediência às regras; criação de outras. [...] Vos do povo, língua dos escolhidos, palavra do solitário. [...].

PAZ, Octavio. Poesia e Poema, In: O Arco e a Lira. Tradução de Olga Savary. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982. p. 15.

     Alguém conhece o tal ilustre Octavio Paz? Alguém leu o livro? Fiquei muito interessado em lê-lo.
   Enfim, é com esse trecho de O Arco e a Lira que despeço-me de vós e deste Universo Paralelo, ou melhor, dispo-me de e com vós.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Minha vida está como este concerto para violino de Theophilus Mozart. E como geralmente não é assim, fico ansioso e com medo. Só com medo.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Nunca esqueçam disto: a loucura é vizinha da mais cruel sensatez.
     Voltei!

     Este é um blogue pessoal que tem um certo valor emocional para mim, apesar disso, possuo três leitores que merecem o meu estima, respeito e consideração. Por isto, desculpem-me por todo este tempo sem postar nada.
     Eu pretendo contar o que houve nesses 16 dias ausentes durante a noite de hoje. Ao menos, agora eu posso introduzir que eu estava a escrever um poste no dia 8 de julho e ainda preparando um outro para o dia seguinte. Vejam-no

     "Gravata preta ou verde escura para tocar o hino nacional numa solenidade amanhã?


     Sei que estavam a  distribuir folhas avulsas com a minha foto e o nome 'desaparecido' pelas avenidas da web, mas a tensão da semana não deixou-me postar nada aqui.

     Há duas semanas não vejo meu pai. Nós temos uma relação muito difícil. Há dois meses eu li Carta ao Pai de F. Kafka e pude asseverar a semelhança da relação entre Kafka e seu pai, Hermann Kafka, com o nosso relacionamento. Sou inseguro, indeciso e costumo ter sensações de fracasso repentinas que pode durar de algumas horas até dias, assim como Kafka. Por isso — e também pela qualidade de sua obra —, talvez, fiz-me afinar tanto com o tal escritor alemão. Entretanto, vejo-me indiferente à ausência dele, vejo em mim a ausência de sentimentos antes compartilhados com ele. Quais as chances de uma rosa sobreviver num solo marciano? A rosa que tinha por ele lentamente faleceu. A luta pela sobrevivência em solo tão frio e seco fê-la se extenuar e desistir. Hoje, não há nada a sentir.

   Já, encontro um concerto de A. Vivaldi — atualmente, estou apreciando muito ele, mas a majestosa lista continuará — que mostra exatamente a minha ansiedade. Eu disse que a semana que se passou foi muito tensa? Esperei uma ligação importantíssima e a perdi. Também aguardei por E-mails, mas apenas aguardei muito. E como nada do esperado acontecia, decidi sentar na sala de espera e aguardar por algo, apenas por algo.
   Com ansiedade e esperança inicio a nova semana, que será com muitos livros e partituras. Sim, parece que finalmente consegui um meio de conseguir dinheiro mensalmente e salvá-los para o próximo ano. A semana será com quatro horas de livros e letras, pessoas procurando por eles e livros só para mim. Nas outras horas terei muita música e outros estudos acadêmicos. Assim fico feliz!

      Então, segue-se a música do meu sorriso escrito pelo compositor ..."

   Acaba cá pois não foi possível continuar o poste e eu realmente não gosto de trocar o meu computador pessoal por um público. Alguém pode adivinhar o que houve comigo?   

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Escreveria mais se o dia tivesse 32 horas.

domingo, 1 de julho de 2012

     Fim de noite por cá com pontas dos dedos quase deformadas após um longo dia de estudos. Há extenuação e paixão aqui.
    Como sou grato por poder escrever, sou grato por cada nota que posso ouvir. E como sou grato pelas flores de Redon.

    Abaixo há duas obras de artes que aprecio correntemente, elas são uma Sonata Trio para dois violinos e baixo contínuo do compositor barroco italiano Antonio Lucio Vivaldi e pinturas do simbolista francês Odilon Redon.
     O violino primo da obra de Vivaldi é o violinista barroco italiano Enrico Gatti, um dos poucos deste gênero no mundo. Suas interpretações são duma expressa sensatez e graciosidade. Eu recomendo muito seu disco de 1996 das sonatas de Francesco Maria Veracini, compositor e violinista barroco italiano contemporâneo de Antonio Lucio Vivaldi.

Capa do disco que recomendei com Enrico Gatti

     Apreciei a obra de Vivaldi enquanto deleitava-me com pinturas de Redon. Ouvi-a novamente, e dessa vez associei a música às pinturas de Odilon. Vamos à música:

        O Prelúdio (primeiro movimento) de 00min.05s. até 04min.56s. foi associado à estas pinturas de Redon:
Anemones, de Odilon Redon.
Portrait of Madame Arthur Fontaine, de Odilon Redon.
Portrait of Madame de Demecy, de Odilon Redon.
Portrait of Marie Botkine, de Odilon Redon.
     O segundo movimento (Corrente) de 04min.56s. até 07min.12s. foram associadas às três pinturas seguintes:
Veiled Woman, de Odilon Redon.
Woman and Child against a Stained Glass Background, de Odilon Redon.
Woman with Wildflowers, de Odilon Redon.
     Enquanto o Giga (penúltimo movimento) que vai de  07min.13s. até 08min.55s. foi associado à uma pintura pintada em 1910, seis anos antes da morte do pintor francês — foi a brilhante parte destacada do baixo contínuo deste movimento a findar a composição que levou-me até a "escolha" de uma obra visual, na qual está representado um Centauro com um violoncelo da mesma família com grave tom do baixo contínuo, criada no findar da vida de seu criador? —:
Centaur with cello, de Odilon Redon.
     O último movimento, Gavotta (8min. 54s. até 10min. 17 s.), foi associado à estas duas seguintes pinturas de Odilon apenas.
Breton Village, de Odilon Redon.
Brunhild, de Odilon Redon.
     Está bem. Eu sei que há íntimas relações entre artes visuais e artes sonoras, mas como posso explicar isso? Recentemente, venho percebendo a minha capacidade de associar notas musicais às cores. Eu o fazia antes, mas não com frequência pois minha percepção não permitia. Atualmente, toda nota Ré é verde em minha mente. E não são apenas com as notas musicais que eu associo às cores, os dias das semanas foram associados com elas desda a tenra idade. Domingo é sempre preto e sábado é sempre um verde escuro — Ré seria um sábado? —.
     Se alguém ler isso e achar ridículo e fantasioso, não precisa continuar. A proposta disto aqui ainda é apenas de escrever e escrever para sobrepujar a mediocridade da existência.
     Não entendo as várias associações que faço no cotidiano com muitíssimas bizarras cousas.
     As pinturas foram escolhidas aleatoriamente no decorrer da música. Primeiro foi Vivaldi que levou-me a Redon; e depois Redon trouxe-me para Vivaldi. Obra do inconsciente? Sim. Por quê? Não o sei!

sábado, 30 de junho de 2012

Não acredito que perdi o concerto do Grupo Allegretto.
Preciso de um banho. Preciso de purificações.
Sonhei com você novamente. Tive um delicado sonho, onde tudo desfragmentava-se em pesadelos, como naquela vez. Oh, ruins lembranças!

Hoje foi a última vez. Mas todos aqueles outros dias não foram os últimos? Agora, porém, terei uma companheira inabalável: a música.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

É bom quando chove, é bom quando é água. É bom quando o dia decide fazer harmonia com o seu estado introspectivo.
Estou em "férias", isto é, fazendo resumos profissionais para vagas de estágios em aeroportos e bibliotecas para salvar dinheiro em prol dos investimentos em meus estudos, programando meus estudos musicais, começando buscar trabalhos voluntários, programando minhas atividades literárias e vários outras coisas como dedicar dois dias para apenas estudar inglês, cinco dias para estudar apenas violino, três dias apenas para ler, dois dias apenas para escutar discos atrasados, três dias aos estudos acadêmicos e um dia para fazer o relatório de minha    sala.

terça-feira, 26 de junho de 2012


Lembrando de obscuros tempos de minha vida.
— É a morte o caminho ao sublime? — indagava eu.
Hoje recebi a notícia que minha nota foi péssima no caderno de ciências exatas. Expressei para os meus decepcionados professores que sequer eu esperava pelo resultado. Estou muito melancólico. Não sei quais os objetivos devo seguir. Qual Via Crucis deverei eu seguir? Um não poderá viver em simultâneo com o outro. 

O Intercâmbio não permitirá minha entrada no Cap-UFPE. Continuarei estudando na mesma instituição decadente? E o conservatório? E o curso da Extensão da UFPE? E a Escola de Artes? E o Francês e Inglês na UFPE não poderão ser continuados se fores bolsista da EMESP? Não seria mais produtivo se além de seres bolsista da EMESP, foste bolsista de o Le Conservatoire de Paris?

Eu não sou exato. Sou incerto e não entendo.

domingo, 24 de junho de 2012

O Objetivo da Sociologia no Ensino Médio

Este é o primeiro poste nomeado cá. Esta é uma redação de sociologia na qual minha nota foi 5,5. Penso que ao menos eu mereceria seis ou sete pontos. Mas eu já falei que não compreendo meu professor de filosofia/sociologia? Vamos à  pequena redação:

A sociologia estuda os indivíduos aglomerados mediante um senso comum que os une, e  as suas relações e ações no meio social, tais ações citadas, fazem expressar individuais desejos ou não no meio coletivo.

O Ensino Médio constituído por adolescentes, pois cá não trato do EJA, é um relevante espaço de construção de seres pensantes que atuarão na sociedade.

Estes adolescentes, na intensidade das idades, estão não só formando e construindo o corpo para o estágio de amadurecimento sexual — que é o objetivo final da vida: reproduzir-se e e tornar extensa a prole —, mas fazendo alicerçar a formação intelectual que há de realmente fazê-los indivíduos na sociedade em junção de tal amadurecimento.

Num país onde a conquista da democracia deu-se recentemente, e onde as pessoas costumam ser "pensadas", a Sociologia deve ter o objetivo de formar seres críticos prontos para relações complexas em grupo, viando a construção de uma sociedade mais justa e universalmente consciente do papel de nossa espécie.
INSISTA, NÃO DESISTA!

No limiar deste ano, eu colei na parede de meu armário uma folha com meus objetivos e prioridades. Mas agora, escrevê-los-ei cá, ou melhor, escrevê-lo-ei cá, pois trata-se de apenas uma prioridade suprema. Uma prioridade comparável à adoração dos religiosos aos seus deuses:

I. ESTUDAR UMA HORA DE VIOLINO TODOS OS DIAS INDEPENDENTEMENTE DE ALHEIAS ATIVIDADES;
II. AOS DOMINGOS DEVERÁS ESTUDAR DURANTE TODO O DIA. DÊ PREFERÊNCIA PARA OS ESTUDOS NO HORÁRIO SÉTIMO AO AO VIGÉSIMO SEGUNDO OU VIGÉSIMO TERCEIRO.
III. INSISTA, NÃO DESISTA!

Eu estive pensando acerca dos meus futuros estudos acadêmicos no Cap-UFPE e o intercâmbio. Ambas as ideias, que antes pareciam-se tão juntamente apaziguadas e elegantes, tonaram-se conflitantes. Isto é um desastre! Eu pretendia repetir meu primeiro ano do colegial numa melhor instituição para apresentar um bom histórico acadêmico em meus futuros estudos em universidades exteriores. Mas eu não poderei ingressar no programa Ganha o Mundo da Secretária de Educação do Estado de Pernambuco se eu não estiver no segundo ano do colegial. Ou seja, não poderei estudar por seis meses numa High School nos Estados Unidos ou Canadá. Depois de tais fatos analisados, veio-me uma sensação de agouro e fracasso, na qual se sente quando alguém visualiza a realidade mais densa e radioativa do que a antes pensada.

Sobretudo, deverei lembrar de terceira e última prioridade posta há alguns mínimos minutos atrás: III. INSISTA, NÃO DESISTA!