quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Memória IV

     Estou estudando um concerto de Vivaldi. Sei que estou fazendo algo impossível para alguém que começou a estudar música tão tarde — tão tarde pelo meu pai que queria que eu fosse um advogado —, mas meus ouvidos sempre exigem perfeição mesmo quando meu professor diz "está bom, rapaz". Antes que eu me esqueça, tal é o concerto — a interpretação seguinte é a mais semelhante à minha interpretação. Para deixar claro, não suporto a interpretação virtuosa-academista de Fabio Biondi, apesar de admirá-lo em todas as suas façanhas barrocas —:



     Partilho convosco por estar felicíssimo. Ele deve-se ao fato de conseguir dar um Mi muito bem afinado entre o vigésimo e trigésimo segundo do primeiro minuto da interpretação que postei.

     Esses dias tem sido de grandes descobertas: descobri que meu pai escreve,descobri que meu pai é sentimental e melancólico quanto eu, descobri que ele também escrevia na adolescência; descobri que ele escrevia poesia no sótão de sua casa; descobri que meu amor pode ser muito bem correspondido pelo V.; descobri que meu pai escreve datas como eu escrevo, sem caracteres separativos dos números das datas, meses e anos; descobri que eu e meu pai temos mais coisas em comum do que pensávamos.

     O fato do V. foi como assim: era réveillon, faltavam cerca de 90 minutos para se findar o 2012, estava a ir para a praia ter com a família. Meu objetivo, depois de esquecer o tempo enquanto estudava música, era chegar a tempo dentro de um táxi num trajeto congestionado. Entre tudo, não parava de pensar em V. Ele disse que também teria com a família, mas em Porto. Foi então que decidi lhe escrever uma pequena mensagem via telefone móvel. Escrevia, e escrevia sem consciência. Não me reprimia, logo disse de meu amor para ele.
     Pensei em apagar as palavras reveladoras e ditas, mas lembrei do que o L. B. T. disse-me: "Ele é feito de átomos. Você pode tocá-lo. Beija logo ou então eu atravesso o oceano para te fazer beijá-lo." Eis um trecho da mensagem que enviei para V.: "... Bom réveillon. (Aqui há um parágrafo)  Em tempo, te dou todo o meu amor e de todo o mundo. (Parágrafo) Abraço, A." (Nota: 22331831122012)
     No outro dia, após tomar um banho, liguei para ele. Conversamos por bastante tempo. Falamos das nossas atividades nos primeiros dias do ano, eu falei de meus estudos, ele me deu alguns conselhos e pediu para eu não ficar ansioso; depois fiz ouvi-lo falar de seus planos de estudos para 2013. Como nas conversas despretensiosas, onde não há o trajetória das palavras é a ausência dela, é a presença do ar como caminho apenas, falei de meus planos para o francês e inglês em 2013. Não citei meu romance e minhas novas inspirações, que pretendo deixar para 2015, se nada me melhor me vier.
     No fim, algo que eu realmente não esperava: ele despediu-me de mim com um beijo. Foi "Beijo!". Fui recíproco; e vibrei quando desliguei o telefone.
     Homens pernambucanos, ao menos eles, não têm o hábito de se despedirem com um beijo em qual' que seja a situação. Tenho muitos conhecidos, de todas as partes da Terra. Trato-os, numa parte maior e considerável, como fui tratado pelo V. na despedida. Então não me seria surpresa um beijo. Mas o V., como pernambucano e não possuidor de tais hábitos, fez-me vibrar em alta intensidade. Foi um progresso. O R. W. falaria: "Até que fim... mas eu gostaria de ser devagar assim."
     O fato que eu não me preocupo, por amá-lo como nunca poderei amar outra pessoa. Quero-o feliz, só. Que seja o que há de ser!

     Andei pensando que o final de Ar e Água terá uma partitura com a música de nosso amor. Claro que eu mesmo farei o arranjo. E , instrumentalmente, pretendo deixar a música mais complexa, com mais veleidades. Terá piano, theremin, um instrumento que pretendia apresentar a vós em "Sobre Quaisquer Cousas", e mais alguns outros instrumentos que estou a decidir se e de. Em fim de escrita, eis o theremin:



     A thereminista querida é a Clara Rockmore. Talvez, depois, eu faça disponibilizar um disco dela. 

     P. S.: Como tenho orgulho dessa orquestra. O governo há de pagar meus trânsitos aéreos se eu estiver longe de Pernambuco e compondo a orquestra ao mesmo tempo nos próximos anos.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Perto de Clarice

 Venho, após chegar em casa e após uma dia que foi o mais perfeito da minha vida segundo meu pai, partilhar uma imperdível pérola virtual. A sério, Clarice sempre será minha melhor.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Vim felicitar a Margot, o César, o Paulo, a Geo, o Serginho (recifense arretado) e todos que me leem por cá. Grande abraço! Um bom revéillon para todos, desejo-vos.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Memórias III

Diálogo 20122012

— Mas quando? Faltam 20 dias para a viagem. — Digo.
— Vinte?? Vou morreeerr... — em tom de desespero, responde.
— Também se eu voltar teremos todo o tempo do mundo. Relaxa.
— Por que você não me falou antes?
— Tu estavas dormindo quando tentei falar acerca...
— O que você vai fazer na quarta-feira? — pergunta-me ele.
— Nada. — retruquei.
— Fale a verdade. Não desmarque nenhum compromisso, viu? Você tem alguma coisa na quarta? Fala sério.
— A sério, então: Eu não tenho nada. Minha última apresentação será no sábado com o ballet. E estou completamente relaxado. Até menos ansioso, que saibas.
— Sei... Quarta será nossa despedida então. Vou te ensinar outros métodos de meditação, iremos tocar a música para minha irmã, vamos assistir ... — em tal momento eu não escutei nada por mais, havia alguma interferência -, vou falar com minha amiga que visita o templo budista ... — não compreendo novamente, apesar de estar silencioso ouvindo-o falar para mim  seus planos à nossa despedida —, tem muita coisa para a gente fazer.
— Ok! Posso supor que passarei o dia contigo. Eu estou certo ou errado?
— Vamos marcar o horário, certo? Dias antes nós falamos sobre isso.
— E não vem com papo de menos ansioso, que eu sei muito bem como você é.
— É o motivo da meditação? Esquece. Não responde.
— Tem certeza que não tem nada na quarta-feira?
— (Ele me conhece mesmo.) Não. Na verdade ia ver o Silvério Pessoa numa peça. Eu acho que ocorre no dia 23, 24 e 25. Eu não sei se eu vou. Mas não é nada importante, de modo que só vou se tiver companhia.

     Ele começa a falar do que irá fazer no dia 24. Interrompo-o, já sabendo de seus métodos para me convidar para algo, e indago: — É um convite o que estás  a fazer?
— É... pode ser. Mas vai ser possível? Não quero te atrapalhar.
— Ano passado eu fui a quatro jantares na noite de Natal. Será um prazer jantar com sua família (céus, nem estou acreditando nisso!).
— Por favor, não traz o violino. Vão pedir para você tocar música de natal. A minha irmã está lhe intimando a tocar "Noite Feliz" em harmônico.
— Na verdade, vou fingir que acabei de sair de um concerto só para levar o violino e tocar.
— Não!
— Não foi a sério.
— Bom, eu irei jantar com sua família. E quem sabe... Ok.
— ...
— ...
— E como andam os estudos?
— A andar. Estou praticamente à deriva. O grande problema é que eu não funciono sob pressão.
— Nesse ponto você é muito diferente de mim. Eu funciono melhor sob pressão, bem melhor.

[...]

— Boa noite, V.
— Boa noite, A.
— Bons sonhos.
— Abraço!
— ...
— Você desliga. Não vou desligar. Você desliga. — Diz V.

Desliguei o telefone. Acho que era a vigésima segunda ou terceira hora do dia quando o fiz.



sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Memória II

     Foi ontem. Foi durante o crepúsculo, foi enquanto movimentava-me que decidi acerca do começo e fim de Ar e Água. Ele, a pessoa para quem dedicarei meu romance, dormia ao meu lado com um velho livro sem capa e folha de rosto entre as mãos.

     Aprendi a fazer meditação oriental com ele.

     No fim, eu prometi que escreveria em meu diário os parágrafos de uma única pauta que começarão e terminarão Ar e Água. Eu não escrevi. Escrevo para não esquecer e acabo esquecendo de escrever, estou bem arrumado com tal situação. Mas eu não poderia esquecer os parágrafos, não depois de esquecer o nome da protagonista. 
     Escrevê-los-ei por cá..., mas eles irão para o meu diário em minutos.

     Eu o observava dormir e fazia refletir acerca dalgumas questões. A luz de nossa estrela o iluminava quando eu, distraído e já longe de minhas reflexões, apenas vazio de pensamentos importantes, li um último parágrafo duma das páginas de seu livro. Lá havia "O visitador ganhou a porta." 
     O início do romance será "O visitante entra pela porta." O fim será "O visitador ganhou a porta."

     Só há livros substanciais de Schubert em ingês, fracês ou alemão. Contatei o escritor do livro escolhido. Receberei o livro em minha casa e autografado [\0/].



sábado, 8 de dezembro de 2012

17h50

     Andei depressivo essa semana.

     Vou ao último concerto da Sinfônica Jovem. O concerto me fará bem.

     Meta do fim de semana: surpreender ao professor na aula de segunda-feira com  minha delicadeza ao violino.


     [45 minutos depois]

     O problema de sentir demais é que tudo acaba parando por não aguentar tanto sentimento.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Memória I

M. P. C. : V. W.

Alma.
Autocarro, Um Historiador Musical no Egito, Um Engenheiro no Egito, "Cairo" Dito em Duas Vozes.

A flor "...ria".

Minutos depois da aula, agora.

Paro para pensar, penso muito; pergunto-me o motivo para não encontrar legenda; não me importo em não sabê-lo.
Sou uma gramínea.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

     Meu corpo está cansado..., porque senti demais hoje. O pior de tudo é que fiz reprimir-me. Não, eu só guardei. Guardei por não achar o melhor momento. E vivo um intenso amor não partilhado. Sou paciente.
     Ele não é só minha pérola da Capibaribe, ele também é mon chevalier
     Pensar que estarei muito distante dele em dois meses dói-me os sentimentos. 
     
     Ainda estou com partículas próprias do corpo dele, o seu olor idiossincrático, aquele perfume agradável característico naturalmente de cada pessoa.
     Seu belo e frágil corpo. Todos os seus gestos, todos os seus hábitos, o seu sotaque recifense, tudo isso me faz não ter medo de morrer (estou a ser sincero, apesar de ainda não compreender esse sentimento). E se falei em sentimentos, todos os meus momentos íntimos ou não com ele despertam-me os mesmos sentimentos escritos em meu diário a 12 de novembro de 2012.

    Eu não pretendia escrever por cá hoje. Na verdade, disse para a G. V. que pretendia parar essa parte da minha cápsula do tempo (o reflectere) até fevereiro.
     Por mais dedicado à musica que sou, preciso de mais dedicação.
     Nas palavras do professor, estou "arrasando" com meu grande e atual autoestima e confiança. Estou sendo até mais delicado com meu violino.
     Tal é a dedicação que abstive-me da escrita, e até parei de escrever Ar e Água, romance que comecei a escrever e que será dedicado para aquele sobre o qual eu falei nos parágrafos acima. Se ele for um leitor muito assíduo e perspicaz (ele só é assíduo, por todas as leituras que já vivi com ele), poderá perceber que Ar e Água é uma das muitas declarações de amor que faço para ele.

     Recado dado? Eu escreverei pouco por cá até fevereiro. Está sendo difícil afastar-me da literatura, mas parece que eu não escolhi a música. Por vezes, só de quando em vez, penso que as musas me escolheram na realidade.

     Estudaria música agora. Mas não consigo agora. Preciso descansar meu corpo suado de tanta emoção guardada.

     Até a próxima.

P.S.: Bratz, perdoe-me por não responder seu comentário no poste (não quero ir lá, e não sei o motivo e... não sei). Fico feliz por sua impressões de cá. Agora deves saber que fazes parte da minha memória. Eu tenho seu blogue no meu gerenciador de favoritos, só nunca comento porque sou tímido em comentários nos blogues mesmo — meu pensamento enquanto escrevia: "que a verdade seja dita!" —. És bem achegado por cá.

Outro Pós-escrito: Aliás, perdoem-me todos os blogueiros que leem isso aqui. Um dia eu tomo coragem e publico os rascunhos de comentários que tenho no word.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

domingo, 25 de novembro de 2012

      Eu devo ter falado que pediram-me para fazer uma seleção de músicas "extasiantes, relaxantes e, sobretudo, apoteóticas". Acho que a música a seguir será a última da seleção:

sábado, 24 de novembro de 2012

     Eis um exemplo de música íntima e humanamente calorosa. Só podia ser Schubert.



     Alguém andou se inspirando em mim para compôr. Soube que é uma marcha fúnebre em Sol Menor, meu tom favorito.
     Pois é, inspiraram-se em mim e saiu uma marcha fúnebre.


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

     Desespero total! Meu pai, que nunca se relacionava comigo, apercebeu-se que logo me perderá de vista. Ele quer muito uma chance, mas agora é impossível — carpe diem, meu caro! —. Eu tenho dois meses para cumprir meu cronograma de progressão técnica para se apresentar a uma banca de avaliadores excepcionais. Além disso tudo, tem as apresentações, elas simplesmente explodem em fim de ano. Não terei tempo para dar a atenção que ele merece, não agora. Vou ter calma e deixar acontecer.

     Essa semana fiquei preso na área restrita de uma biblioteca da minha cidade. Para acessar a tal área restrita era necessário agendamento. Aquele foi meu quinto agendamento. Eu agendei uma consulta para a décima quinta hora do dia. Eu sabia que seria minha última vez naquela biblioteca, pois o fechamento da tal já era notícia muito bem divulgada. Então, claro, eu precisava mais do que nunca acessar a área restrita e obter alguns dados acerca da família que fundou o Cabo de Santo Agostinho.
     O expediente da biblioteca comumente terminava às 20h, mas naquele dia terminaria às 17h — alguém tocou a campainha. Tamanho fora o susto quando vi aquela senhora suada e queimada pelo sol e que deveria estar por muito tempo em andanças a pedir-me uma ajuda. Isso nunca, nunca mesmo, ocorreu na região onde eu moro. Após o susto, ajudei-a; depois lamentei-me por ser apenas humano. Mas se fosse Deus, clamaria para não existir. A Terra é uma piada suja. Quando não são as religiões e as divindades, são as artes que fazem amainar a angústia da solidão cósmica —. Nem um funcionário sequer avisou-me que o expediente acabaria às 17h, se é que mais de uma bibliotecária notou minha pessoa — observai que todas as bibliotecárias do mundo me amam muito, por diversos motivos.
     Após mais de uma hora e trinta minutos de pesquisa, fiz dormitar. O fato que permitiu isso foi a minha inocência e despreocupação com a tempo que, para mim, só para mim, havia muito.
     Eu acordei cerca de uma hora depois sob uma escuridão monstruosa. Gritei e gritei. Quase chorei. Percebi que tinha pavor da escuridão. Apesar de tudo, desesperar-se não era a melhor atitude. Então eu fiz jogar todo o material que estava sobre a mesa no assoalho e deitei-me sobre ela. Fechei os olhos  e liguei para os bombeiros. Fiquei esperando cinquenta minutos com  os olhos fechados escutando trechos de músicas no meu cérebro — só consegui lembrar de duas música completas. Acho que são minhas músicas favoritas. Postá-las-ei por cá em quaisquer dias desses —.
    O fim: fui resgatado e até meu tio, um líder político muito ocupado, abandonou sua agenda para ir até o local. Todos ficaram estupefatos com a negligência dos funcionários públicos. Não estarão a trabalhar em breve naquele local, muito provavelmente. Passo bem.

     Amanhã tenho uma festa de "ressaca halloween" para ir. Eu iria apenas para agradar G. V., a anfitrioa. Eu seria o único parceiro acadêmico dela que estará presente na festa. Sei o quanto seria decepcionante sentir a ausência de pessoas importantes num momento importante. Numa única manhã, a minha mãe gastará R$600 — sem mencionar o motorista que me acompanhará em tudo e todas as outras coisas desnecessárias — comigo nalgo que eu nunca gastaria: fantasia para festa de halloween. Estou pensando em não ir para gastar o dinheiro com livros. Sério, eu posso vestir um black tie, mandar alguém fazer uma capa "macabrosa", pesquisar maquilagens vampirescas na Rede, maquiar-me e ir de vampiro. 

     Carpe diem para mim é ler um livro, ir a um museu e fazer umas loucuras de vez em quando (perder os sapatos num jardim e entrar descalçado na abertura de uma ópera é um mui bem vivido exemplo).

    Aqui está uma das músicas que eu lembrei quase que de modo completo na biblioteca:


P. S.: Tenho medo de perder algo importante na festa. Sinto que encontrarei alguém muito especial. Dessa vez, não será como o A., que se tornou um de meus personagens nostálgicos. Mas não gastarei 600R$ em fantasias, francamente. Um absurdo! E vou de auto-carro, na volta eu pego um táxi pois estará tarde para um rapaz de 16 anos.

sábado, 17 de novembro de 2012

     Posso aliviar minhas dores, já que comprei meu encordoamento Mauro Calixto. Confesso que fiquei tão tentado a comprar Obligato.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

     Passei o dia compondo. Como se isso não bastasse, comporei em sobre a latrina.

     [...]

     Chá de morango?? Enquanto o tomava, pensei em compor algo com o nome de "As Quatro Vidas de Nefertiti". Ainda não sei a instrumentação e nem o que eu, realmente, gostaria de expressar pondo Nefertiti no meio de minhas criações.

     Para resumir, a vida minha está nesse exato estado —a primeira corda do meu violino quebrou e não encontrei o que eu queria nas lojas de música por cá —:



quarta-feira, 14 de novembro de 2012

     Descobri que o nome da cachorra da vizinha se chama Susie. Susie é o nome da minha antiga vizinha que muitíssimo gostava das minhas horas de estudo musicais.

     Recebi a carta mais esperada da semana. Já a li sete vezes. Li enquanto escutava Schubert, era um de seus primeiros quartetos de cordas. Após lê-la pela terceira vez, decidi que estava na hora de pôr um vinil com dois concertos para trompa de Mozart. Por mais divino que ele seja, apercebi-me que não era suficiente. Pus, então, músicas angelicais de Schicco Salles. Quando a pus, tomei consciência da minha inquietação interior.
     Faz quinze minutos que tomei um banho. Com essa confusão interior em mim, tomarei outro, completamente em silêncio. 

     Tenho concerto após o ocaso. Não quero mesmo ir. Eu tenho certeza que é por causa dessa minha confusão interior.
     Vou ao concerto. Porei meu melhor traje e farei tudo como manda o figurino.
     Para piorar tudo, a pessoa mais importante da plateia não estará lá. Acabo de receber a notícia via correio eletrônico que ele terá um jantar. Eu respeito. Ainda bem que eu decidi que não me declararei, pois prometi a mim mesmo que, se, por desventura nossa, ele, a pessoa mais importante da plateia, não fosse, eu distribuiria todas as rosas brancas para as pessoas no Hall do Teatro; e mesmo que eu sofresse, não seria solista nem mais uma vez na nossa relação — eu não queria mesmo me prometer não ser mais solista, mas, de vez em quando, eu faço essas pequenas promessas que dificilmente faço cumprir. De fato, eu sei, sem querer admitir, que seria solista mais inúmeras vezes por ele — . Seríamos parceiros de orquestra  sinfônica, e só — agora, depois do que escrevi anteriormente, sabeis que é mentira —.

     Estou bem melhor. Agora compreendeis o que eu quis dizer aqui quando disse que escrever e tomar banho são dois modos de sobrepujar — palavra favorita em ação — a efêmera mediocridade da vida?

     Dei aulas de astronomia para o meu pai hoje; depois eu lhe ensinei a usar uma bússola. Sinal que o nosso relacionamento está melhor. Isso é ótimo, pois eu não queria não ter um pai.

     Estou querendo encontrar o F. G. no concerto, o teólogo italiano que me fez adicionar mais cinco cidades do norte da Itália para serem visitadas no futuro.

Um abraço, meus caros.

P.S.: a pessoa mais importante da plateia agora se vai para longe de mim dizendo: "um abraço do tamanho do planeta Terra". E aí, então, eu fico com medo, pois ele morrerá se tentar me abraçar grandemente. A pensar que eu dei a ideia do abraço do tamanho do planeta Terra, sentir-me-ei extremamente culpado se ele morrer na tentativa de me abraçar grandemente.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

     Já estou a aceitar presentes natalinos: http://www.skoob.com.br/livro/201858/

A mosca da nota e outras cousas

     Fiquei pensando, antes de vir por cá, se deveria postar ou não. Postá-lo-ei, decididamente. Mas antes...

     Perdoem-me. Vi que há novos visitantes por cá. Pode haver uma confusão na mente de vós ao abrir este blogue. Ele é íntimo e muito sentimental e piegas. A minha vida é um sistema solar que nem um humano sequer visitará, um sistema solar tão distante que nossas percepções caem por terra. Minha vida é madeira e pó sobre a mesa. Minha vida é cotidiana, é uma maçã. É isso, tenho a vida de uma maçã bem vermelha. Uma maçã que nunca será posta nas bocas dos que pensam como grandes homens. E se puserem, só visualizarão a sombra de minha vida, como só conseguiram visualizar a sombra dum átomo (http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=foto-sombra-atomo&id=010165120704).
     Não precisam continuar lendo. Eu, de fato, uma dia tornarei esse blogue privado, como o diario que escrevo desde os sete nos de idade. Não sofrerei se ficar só. Entretanto, já que até é comum as estrelas agruparem-se pela gravidade, uma boa companhia seria como o café que eu não gosto tanto (prefiro chá). Uma boa companhia seria uma boa companhia (acho que estou no meu ponto alto de sentimentalismo no blogue).

     Bom, vamos ao referido em "postá-lo-ei" no início do poste. Meu dia fora ótimo. Dessa vez eu fui para a casa de praia da família. Eu tive a oportunidade, lá, de relaxar e tornar a pôr minhas energias.
     Antes que eu comece a escrever novamente notas de diário por cá, transcreverei a minha última nota no meu diário pessoal, nunca antes publicado aqui. Publicá-lo-ei por achar ter acertado na mosca. Até enviarei por carta para a pessoa sobre quem falo nele.  Façam conferir:

"Cabo, a 12 de novembro de 2012

     Música e literatura. Música e literatura. Música e literatura. Música e literatura. Música e literatura. Música e Literatura. Música e Literatura. Música e Literatura. Música e Literatura. Música e Literatura.

     Acordei às 14h no dia 11. Estou tão distante do V. — o nome foi abreviado apenas cá —, ao menos é como me sinto — sinto-me nostálgico, em súmula —.

     Quem era eu? Eu era um futuro teólogo. Que hei-de ser no futuro do futuro, pois? Por isso, não prometerei que nunca mais amarei ninguém.

     Eu tenho certeza. Eu a tive quando estávamos num autocarro. Antes era-me incognoscível o que eu sentia. O meu enternecimento na presença dele estava além de mim, mas ele — meu amor — agora é "Ele", e respira como uma máquina biológica. Eu tenho ciência, não sou apenas dominado. Ele, dessa vez o V., estava a olhar, absorvido em pensamento, para fora da janela. Fôra um daqueles dias que nos deixam exauridos e ansiosos por silêncio revigorante. Tudo o que desejei naquele momento foi tocar a sua mão, apertá-la e, com isso, como se houvesse uma ligação  intensa entre nós dois passar, a minha energia, que o acalmaria e fá-lo-ia sentir-se bem; também senti desejo de acariciá-la. Dele, eu poderia ter apenas aquilo, um único toque, uma única delicadeza, um único ato leve, mas eu seria o homem, de modo impecável, mais feliz do mundo, e para sempre.

     E se eu, em sonho, apenas ou ao menos, pudesse tocar seus lábios. Ah! então eu estaria pronto para morrer. Nem minha música seria importante. A única música que dura para sempre, que transpassa as imponências temporais, é a que os nossos ouvidos nunca hão de perceber, é o silêncio. Mas o meu amor, esse eu levarei, para sempre, em meus átomos, o levarei ao ataúde."

     É, na mosca eu acertei. Só não sei o que fazer com ela. Acho que não prenderei a mosca — fui profundo: o amor elucidado é um mosca? —, mas a porei em meu quarto. Não me importo se ele quiser sair pelo mundo  e mostrar suas asas transparentes para ele.

     Por último, vou organizar mais algumas coisas aqui no blogue. Criarei uma tag para a "música da semana", para o "livro do mês" e para "sobre cousas quaisquer". Os dois primeiros assuntos são deduzíveis, mas penso ser necessário explicar-lhes do último: eu falarei acerca d'algo aleatório. Por exemplo, eu escolhi falar sobre chaves agora mesmo. Então, eu vos falarei acerca de chaves agora mesmo.

    Não corrigi nada. Estou sonolento. Quero adormecer com meu violino ao lado lendo algo impessoal.

    Boa noite estrelada para vós (estou tão pouco melancólico para quem assistiu Trier hoje)! :] 

sábado, 10 de novembro de 2012

     Adoro crianças!



sexta-feira, 9 de novembro de 2012

     Estou sentindo algo que poucas vezes senti. Eu sinto preguiça. Como ela é antiga e nobre. Ela é a alma da minha vida de petróleo, tão antigo quanto as Preguiças Gigantes do Paleogênico.

Foto d'uma Preguiça tirada na matina do domingo passado.

     A preguiça é um lépton na hiperatividade quântica do mundo. A preguiça é a magia do mundo e o mistério para aqueles que nunca tiveram a possibilidade de não ter ou de não desejar sequer morar numa outra cidade.
     Apesar da preguiça para todo o planeta, eu vou estudar música. O planeta poderia sofrer — uma moça da UPE veio me "visitar" agora. Na verdade, a minha residência fora selecionada para uma pesquisa acerca d'algo que até agora eu não sei — o planeta poderia sofrer uma inversão geomagnética e tudo poderia estar absolutamente confuso, mas pensaria apenas em minha música.

     Eu falei que estava compondo um quarteto de cordas. Minhas criações passam muito tempo em minha mente, depois eu as ponho no papel. Fico em dúvida acerca de publicar a gravação da minha composição aqui junto com o manuscrito — meu pensamento: "todos saberão meu  nome... e se sua composição for boa e plagiarem?... sempre não importará... eu acho bonito aquela parte do Lá e Si bemol... eu posso pôr num linque para download... é, eu tenho que parar de esconder minhas criações... todos da sala gostaram... o professor chorou com o tema dos 12 primeiros compassos... e eu adoro músicas em Sol Menor... tenho é que deixar de ser chato e publicar quando a gravação tiver pronta... —.

     Eu não acredito mesmo que irei tocar com a pessoa que eu tanto amo. Será um dueto com acompanhamento de um pianista numa peça de teatro. Eu fiquei de fazer os arranjos. A música é do alemão Franz Grüber. Será a apresentação mais linda do mundo.

     Preciso finalizar a minha quinta leitura de "Um Sopro de Vida", de "Introdução à Psicologia", minha segunda leitura de "Bilhões e Bilhões", minha leitura preguiçosa de "125 contos de Guy de Maupassant" e começar a ler "Buracos Negros, Universos-bebês e Outros Ensaios" de Stephen Hawking.
     Preciso fazer meu trabalho acadêmico de química, preciso concluir minhas responsabilidades com o trabalho acadêmico de inglês dos 52 educandos da minha turma, preciso não desafinar em escalas de três oitavas, preciso escrever acerca do arcadismo de modo bucólico, preciso parar de escrever "preciso", preciso parar de expressar minha ansiedade em meus dedos batendo as teclas do computador como um pianista a martelar no piano com as composições da russa Galina Ustvolskaya, preciso de meu violino agora...

     Acho que vou assistir "Trois couleurs: Bleu" de Kieslowski. Alguém já assistiu? Recomendam?
     Segua um trailer, logo abaixo, do filme citado no lugar de uma música, que geralmente é instrumental:


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

     Sério, essas minhas idas não dão muito certo. Agora estou de volta. Sigo no rumo, no ritmo da valsa seguinte:


     Andei pensando em vestir meu melhor traje de gala e me declarar na fila do teatro, ou no camarim. Mas concluí que é melhor exercitar minha paciência — eu falei que teria um enorme ramalhete de rosas brancas, joelhos no chão, muitas palavras, enlace de mãos e Chanson Triste (a nossa música) tocada de joelhos? —.

     Faz meses que esse blogue está ativo. Penso que agora está na hora de explicar a vós o real objetivo dele.
     Esse blogue será numa cápsula do tempo, que guardará retalhos da minha vida até os próximos dois anos. Nesse tempo, ela será fechada com todas as memórias que colecionei e com esse blogue. Por fim, ela será aberta quando eu completar meio século de vida.

     Desde a minha tenra idade que pretendia fazer isso. Penso que este deve ser o momento.

     O blogue continua...