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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Michael Nyman Novamente e Clarice Lispector

     Alguns dias atrás, estive a postar por cá algo do compositor norte-americano Michael Nyman. O poste é o seguinte, aos dememoriados como eu: http://reflectereadhominus.blogspot.com.br/2012/10/correios-eletronicos-michael-nyman-e.html .
     Nos comentários, a Margot mostrou-se ansiar por um outro disco dele. Como não consegui outro meio de contato com ela, decidi que postaria Ancient Memories para quem deseja apreciar mais dele. Cá vai o endereço para que possas descarregá-lo no computador: http://www.mediafire.com/?uxvuoz5vpbwbrd8

     Prometi-vos postar minhas seleções de crônicas e relatos de Clarice Lispector do Livro "Para Não Esquecer". Hoje teremos "O Segredo", "Mas Já Que Se Há de Escrever..." e "A Ceia Divina". Ei-los:

O Segredo

     Há uma palavra que pertence a um reino que me deixa muda de horror. Não espantes o nosso mundo, não empurres com a palavra incauta o nosso barco para sempre ao mar. Temo que depois da palavra tocada fiquemos puros demais. Que faríamos de nossa vida pura? Deixa o céu à esperança apenas, com os dedos trêmulos cerro os teus lábios, não a digas. Há tanto tempo eu de medo a escondo que esqueci que a desconheço, e dela fiz o meu segredo mortal.

Mas Já Que Se Há de Escrever

Mas já que se há de escrever, que ao menos não se esmaguem com palavras as estrelinhas.

A Ceia Divina

Laranja na Mesa. Bendita a árvore que te pariu.

     "O Segredo" trata de amor e medo, dois sentimentos muito presentes nos dias anteriores e bem expressados em meus outros postes. "Mas Que Se Há de Escrever" tem minha cara nele. Eu amo laranjas grandes e muito laranjas.  Gosto de me sentir comendo o sol quando as degusto, principalmente quando é uma matina de domingo primaveril e ensolarado. Entretanto, eu amo uvas. Uvas de todos os gêneros, eu as amo.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Correios Eletrônicos, Michael Nyman e Gerald Jay Markoe

     Quinta hora do quarto dia de Outubro. Vou fazer um lanche, depois de ler um correio eletrônico. Eu o li já várias vezes. Não canso-me de lê-lo.
     Passei a noite estudando, ou melhor, o dia. Extasiava-me enquanto tocava escalas de três oitavas ao som da chuva noturna. Som de água caindo mais o som de meu violino só pode resultar num intenso orgasmo em mim, rsrs.

     Estou sem sono.

     Estava muito desanimado. Durante a vespertina do dia anterior, chorei ao abrir minha agenda de compromissos. Tudo lembrava-me a pessoa que há sete dias que sequer escuto a voz.

     À noite, tudo muda. Como não gosto de celulares, acabo perdendo-os. Nesse período do dia, achei o meu celular que estava perdido. Na tela inicial dele, pude notar que havia vinte e três chamadas não atendidas. Liguei para o número e soube que era o G., desesperado por não ter contato comigo a alguns dias.

     Conversamos e conversamos. Comentamos sobre a Lua. Vimos e nos encantamos juntos com um meteoro a queimar na atmosfera terrestre. Sentimos o encantamento um do outro apenas pela agitação e euforia da voz; depois falamos acerca da pessoa que não fazia mostrar-se existir a alguns sete dias. O G. demonstrou sentir minha aflição. Antes do fim da conversa, marcamos de assistir a uma récita, A Flauta Mágica de Mozart, no domingo. Fomos embora,  então, numa despedida calorosa e que parecia nunca acabar.

     Tudo muda. Até sinto-me um tanto mais animado. Sinto-me mais animado, apesar dos pesares. Quando isso acontece, seleciono umas músicas e as aprecio profundamente.

     Voltando ao correio eletrônico do primeiro parágrafo. Postarei um pequeno trecho que sempre entra em meus recentes e aflitos pensamentos:


"...a palavra é bruxaria nas ásperas mãos das pessoas. A abstração da palavra revela cruamente vergonhas celestiais e também traz maná dos céus aos famintos."

     Faz um bom tempo que gostaria de postar trecho d'outro correio eletrônico. Ocorreu que a pessoa que deveria lê-no nunca, de fato, o fez. Eu dediquei muitos minutos escrevendo-o. E então, para que ele não ficasse ao nada, decidi postá-lo cá.
     O trecho do correio trata de dicas musicais. Tais dicas, agora, hão de ser dadas a vós. Antes, desculpem-me pela marcação branca do texto e pelos possíveis erros que encontrarão no texto transcrito — eu nunca o li depois de escrito. Vejam:


"...

Doze dias depois retomo a escrita deste E-mail que estava em meus rascunhos.


Nas últimas duas semanas, venho apreciando dois discos que eu, sinceramente, gostaria de partilhar com você.  O primeiro disco trata-se de três quartetos para cordas do compositor, pianista, libretista, e musicologista contemporâneo-minimalista britânico Michael Nyman. Como a senhora deve saber, ele compôs muitas trilhas para filmes. Entre elas, está a trilha do filme Gattaca, por direção do cineasta zelandês Andrew Niccol, que trata duma sociedade num futuro não tão longínquo onde os seres humanos são escolhidos geneticamente em laboratórios e onde pessoas concebidas biologicamente são consideradas inválidas. O filme claramente demonstra uma preocupação com a eugenia e com o desenvolvimento tecnológico no campo da genética. É um ótimo filme de ficção-científica. Segundo Matthew Shorter, pianista e crítico musical da BBC (cujo microblogue eu sigo, @lifestooshorter), "this music is supple, brilliant and flawless" — "esta música é flexível, radiosa e sem defeitos", em tradução livre —.  O disco que tenho em mãos é uma interpretação  do Balanescu Quartet. Ele é um grupo musical vanguardista que interpreta compositores contemporâneos como Philip Glass. Eles são altamente recomendáveis.

Num website de hospedagem em linha de ficheiros eu postei o arquivo .rar do disco cujos faixas estão em formato .mp3. Descarregue-o e boas apreciações: http://www.mediafire.com/?ozfrdda649plg7c

O segundo disco é New Age ou quaisquer outras gêneros de nomeações que preferes adotar. O compositor é Gerald Jay Markoe. As composições em primeiras impressões são exóticas para a maioria das pessoas. 

Eu gosto de ficção-científica e sou cientificista. Gosto de investigar e analisar o Universo de um modo mais realista e racional possível. Também escrevo ficção-científica. E como todo amante desde gênero e da ciência, especialmente física e astronomia, sinto falta de relações entre as retratações artísticas e as atuais artes. O cinema está bem relacionado assim como a fotografia, o teatro, e a dança de um certo modo. As artes visuais como pintura, arquitetura e escultura estão bem relacionadas com a ficção-científica e até possui íntimas relações. Mas a música..., e a música erudita? Na música, vê-se poucas representações. As composições que possuem relações com este gênero geralmente não minimalistas ou doutros estilos contemporâneos. A música contemporânea não é tão popular quanto os outros estilos eruditos do barroco, clássico e romântico. A neurologia prova que a nossa consciência, centelha da condição humana, vive milésimos de segundos no passado (http://www.jornalciencia.com/saude/mente/1774-por-que-voce-provavelmente-nao-ira-sentir-a-sua-propria-morte-traumatica). E eu vejo isto nas artes e na música também. Os estilos artísticos de nosso século, especialmente os estilos musicais, estão presos no passado. Eles estão mortos para o tempo corrente. Como? Não se vê composições sobre planetas inspirados na ciência. Vê-se famosas as composições de G. Holst acerca dos planetas do nosso sistema solar que na verdade são inspiradas em astrologia e mitologia greco-romana.

Lá estão poucos compositores que fazem escrever sobre ciência de um sóbrio modo. Não se vê composições sobre civilizações extraterrestres, exoplanetas, física quântica e teorias vanguardistas como a da Energia Escura, Matéria Escura e as teorias de universos paralelos.

Entre tudo isto, está o Gerald Jay Markoe (http://userserve-ak.last.fm/serve/_/26711349/Gerald+Jay+Markoe+markoe.jpg). Compositor New Age que nasceu no Brooklyn - NY, onde também nasceu outro magno homem da humanidade, Carl Sagan. Ele descobriu a "astro music", cujos fundamentos musicais são baseados nas posições dos planetas do nosso sistema solar. Correntemente, está trabalhando num livro sobre o assunto e já publicou vários artigos e dá muitas palestras e concertos acerca da "astro music". Ele também criou sua própria companhia musical, AstroMusic, para gravar sua composições e trabalhos. Ele, sem dúvida alguma de minha parte, é conhecedor da Teoria dos Antigos Astronautas. Ele é um compositor constantemente conectado com o Cosmos, eu falo sob uma perspectiva científica e esotérica. Eu possuo apenas dois de seus vários discos, eles são: Meditation Music of Ancient Egypt e Ancient Cerimonies. 

O primeiro não busca reproduzir fielmente a música do Antigo Egito, mas produzir e criar novas composições a partir do que se tem registrado da música do Antigo Egito. 

Eu ainda não ouvi o segundo disco, então não posso falar sobre ele agora. Mas há outro disco que quero muito apreciar e não consegui encontrar lugar algum na internet, ou melhor, não consegui encontrar em nenhum dos sítios de países externos na internet. Titula-se o disco de "Music from the Pleiades". 

O título sugere sua característica mais notável, suas composições são inspiradas em supostos estilos musicais de civilizações extraterrestres da família das sete estrelas localizadas na constelação de Touro , 400 anos-luz distante da Terra, também muito conhecida como "The Pleiades"(http://www.nasa.gov/multimedia/imagegallery/image_feature_801.html). Eu nunca vi nada semelhante a isto. Então, se a senhora já ouviu falar em música inspirada em estilos musicais de civilizações extraterrestres pode me dizer pois estará retirando de mim esta minha pasma expressão que estou cá já. Dei uma olhada no sítio da Livraria Cultura e o encontrei para venda, acho que finalizarei esta história fazendo uma encomenda ou pedirei para uma amiga de minha mãe que trabalha nos Estados Unidos comprar mais em conta lá e trazer a mim em um feriado qualquer.

Adiante, eu postarei o disco abaixo. Podes abaixá-lo em seu computador e apreciá-lo. Boas apreciações: http://www.mediafire.com/?nnaa07382387q9t "

..."

sábado, 29 de setembro de 2012

A Inacabada

     Ela marcou a minha vida. Quase tanto quanto ele. Ele, por sua vez, provou que eu podia amar. O segundo movimento dela, mostrou-me que as angústias do primeiro movimento são superáveis.
     Ela é a Sinfonia No. 8 em Si Menor do compositor germânico Franz Peter Schubert. Ele... Ele é só ele mesmo.

     A primeira vez que a apreciei em direto foi ao dia 18 de Setembro no Teatro Santa Isabel com a minha amada Orquestra Sinfônica Jovem do CPM. Meu professor particular, chefe de naipe, estava a interpretar também. André Muniz, regente convidado do concerto,  conduziu muito bem a orquestra na interpretação d'A Inacabada.

     Ela, a Sinfonia, fez-me emocionar e molhar a face de lágrimas no primeiro movimento. Memórias e memórias. Sentimentos e palavras. A agudez dos momentos mais noturnos da vida.
     Já no segundo, lembrei que podemos transformar as agudezas em canções de ninar. As lembranças também trouxeram para a consciência que existem raios solares para quebrar a escuridão da noite. E de novo chorei.
     Eu não resisto e vocifero "bravo" no final. É claro que ele existe para cousas extremamente excepcionais, mas até a menos notável beleza torna-se excepcional para mim.

     Vai, em sequência, a interpretação completa da Oitava Sinfonia de Schubert. Bom deleite!


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

     Quereria até escrever mais... — Quereria... Aliás, é o querer — Mas ainda estou com medo do que posso descobrir ao escrever aqui. Sequer vou contar as novidades, pois eu sei que hei de terminar escrevendo acerca do que não quero. Sobretudo, posso não escrever, mas ouvir. Ouço o pulsar e o hálito, ouço os corvos nas águas. É que ser-me dói a minha personalidade branca e transparente como o ar — o ar é branco? — e gélida como a água do mar.
     Tenho medo dos devires e esse já era um dos devires. Eu escrevo sobre o que tenho medo e o conheço no inconsciente — é que ser-me dói —. 
     Acabei de pensar no que não pretendia escrever por medo de descobrir como é sentir a dor aguda de ser-me, como falara. É que as dores agudas precedem a sobrevivência. Eu sou a sobrevivência de meus seres e por isso vivo.

     Terei uma master class  com o violinista norte-americano Kristopher Tong na sexta-feira dessa semana. Sorte para mim!

     Música do dia sugerida indiretamente pelo R. W.:

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

     Vamos a um pequeno resumo dos quatros primeiros dias da semana, já que costumo dormir quando escrevo cá no fim do dia.
     Ela esteve sendo de descobertas (encontrei peixes dourados na superfície do mar com pétalas de rosas brancas), conquistas, conflitos internos (eles não estiveram sendo comuns recentemente) e mudança repentina de alguns planos.

     Eu ainda continuo na superfície do mar existencial com pétalas de rosas brancas. Eu até arrisquei mergulhar, mas, apesar da confiança que sentia no ato de mergulhar e sair da superfície, eu engasguei de medo enquanto tentava ir mais fundo no mar. Então, eu volto para a superfície hesitando em fazê-lo novamente; depois eu decido que não mergulharei por mais uma vez nos próximos breves tempos, mas pude estar mais confiante para a próxima.
     Eu tentei descobrir os motivos do medo. Procurei e procuro... Acho, enfim. Por achá-lo, eu posso dizer que ninguém deve se decepcionar com as queimaduras após tocar as águas-vivas do mar existencial.
     
     Contar-vos-ei essa história realmente muito real:
     Ocorreu uma ininteligível  atração súbita quando vi as águas vivas passarem bem pertinho de mim. Estávamos em dimensões diferentes, mas eu podia percebê-las. Encantei-me e apaixonei-me por elas. E essa paixão misteriosa entre um mergulhador e água-vivas fez-me dedicar dia e noite para transcender à outra dimensão. A outra dimensão estava bem próximo de mim, bastava mergulhar. Entretanto, eu era o meu limite, eu era a minha pedra.
     Mas houve um dia, como quando nos primeiros momentos em que uma criança percebe que aprendeu a andar de bicicleta sem rodinhas auxiliadoras, que fechei os olhos e passei, de modo corajoso, para a outra dimensão.
     Eu só queria vê-las, apreciá-las e ouvir seus movimentos na água. Mas eu, sobretudo, desejava tocá-las e abraçá-las. Eu o faço, após vários dias de reflexão pessoal.
     Oh!, como doeu quando descobri a dor de tocar objetos de outra dimensão. Senti prescindíveis nevralgias até descobrir que as águas-vivas eram constituídas de apenas energia escura. E é claro que um ser constituído basicamente de carbono e proveniente d'outra dimensão(ou universo paralelo) só poderia sentir feéricas nevralgias. Ao menos essas feéricas nevralgias me levariam para conclusões incríveis acerca das águas-vivas: elas são surdas. Mas também concluí que nunca deverei tocar novamente em um ser de outra dimensão, e assim ficou o trauma. Esse é motivo do medo em ir fundo no mar existencial com pétalas de rosas brancas.
     Eu tenho sempre uma música para momentos em que lembro das águas-vivas e começo a pensar que não sou capaz. Aliás, acho que irei postá-la no fim do poste.

     Haverá replay da apresentação da semana passada. Amanhã terei um jantar com pessoas que tornaram-se especiais para mim.       Sim! O V. W, o Geraldo e o A. tornaram-se especial para mim.

     Agora, por fim, poderão apreciar a música para os momentos em que eu lembro das águas-vivas. Eu escolhi o videoclipe por ele ilustrar bem o que eu falei, mas eu prefiro a versão acústica. Em sequência, Shake It Out com a linda Florence Welch:

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

    Uma belíssima música para matina. Ela é uma das minhas favoritas de um dos meus mais estimados compositores de todos os séculos, Franz Peter Schubert.




Tenham um bom dia!

domingo, 26 de agosto de 2012

O Final de "Aventuras Quânticas no Transporte Público Brasileiro", BookTour da Evana Ribeiro e X Festival de Música Antiga de Recife/Olinda

     Antes de tudo, este poste é uma continuação do poste anterior. Isto ocorre pois eu limito meu horário de estar escrevendo cá. Se eu não cuidar, abandono o computador e passo o dia escrevendo com a mão. Também lamento a desorganização dos parágrafos. Eu realmente não escrevi daquela forma, mas houve algum tipo de erro no HTML, que é uma linguem desconhecida para mim.

     Ontem eu falara de sonhos, primeiro beijo e acabei indo falar da Evana Ribeiro. Eu continuarei os assuntos que foram citados no título desse poste. Entretanto, agora vamos falar de hoje.

     A apresentação fora portentosa. Ganhei dois "bravos" e alguns silvos. Ainda mais: não sei como descobriram, mas me deram um ramalhete de rosas brancas no final. Não postarei gravações, por ora. Eu tenho plano de postá-las na possível futura estreia de meu primeiro quarteto de cordas. 
     Foi tudo muito bom, como já dissera, mas estou aliviado por ter passado. O palco é sempre bom, principalmente quando se é um virtuoso. Como ainda não o sou, adoro acordar com o nascer do sol, passar o dia estudando e notar meu progresso antes de dormir.

     Já em casa, chá quente e ar indiferente. Torna-se uma grande surpresa ver um Alexandro na minha caixa de entrada. Sim, ele lê o meu blogue. Com sua permissão e com suas próprias palavras, posso dizer aqui que ele sentiu-se "honrado por ser descrito com tanta sensibilidade". Concluí junto com ele que aquilo fora apenas um "momento emotivo e platônico causado pela desfragmentação simultânea de duas almas civilizadas". Ele concordou plenamente em tornar-se um personagem de meus contos, e talvez até de uma futura novela numa cidade que até já escrevi sobre: Quimerolândia. E agora, chegamos em Fim.

     Alexandro, obrigado por ter-me deixado lhe encontrar.

     Eu terminei o poste de ontem falando do primeiro beijo e do blogue da Evana Ribeiro. Eu pensava em falar d'outro assunto quando terminei de transcrever "Promessa é Dívida".
     A Evana Ribeiro fora minha professora de inglês por alguns meses e a partir de seu modo de ensinar pude aprender um pouco sobre mim e as pessoas. Quando soube que ela escrevia, prometi que leria seus livros. O tempo passou-se e nada, mas eu nunca tirei seus livros da minha lista de leitura.
     Ao décimo segundo dia deste mês, pude ler em seu blogue acerca do booktour. Não hesitei em inscrever-me, mas eu ainda farei a inscrição.

...

     Posso continuar a escrever, pois fiz a inscrição no BookTour da Evana Ribeiro.

     Já que é o mês de aniversário da publicação de seu primeiro livro, o Saída de Emergência, e da estreia da série virtual O Fórum Joana Bezerra a Evana Ribeiro decidiu comemorar com muita leitura. Na verdade, presenteando seus leitores com muita leitura.
     No BookTour, poderemos ler Saída de Emergência e Helênicas ou apenas um desses livros. Para se inscrever é necessário preencher um formulário do link que eu postarei brevemente e cada leitor há de ter apenas 25 dias para ler o livro que receber em casa. 
     
     Pelo o que eu já li de Evana Ribeiro, é provável que eu leia tudo em duas tardes. Para vós eu a recomendo muitíssimo.
      Podeis fazer a inscrição no link do poste em seu blogue: http://www.roteirizando.com/2012/08/booktour-de-aniversario-saida-de.htmlLá, podereis encontrar mais informações acerca do BookTour, a sinopse de cada livro, o formulário de inscrição e outras informações importantes.

     Nos dez primeiros dias deste mês ocorreu o X Encontro de Música Antiga de Recife/Olinda e eu até falei brevemente acerca d'ele aqui.
     Antes de postar fotos, vídeos e narrar as histórias do dia 10 em Olinda irei transcrever dois parágrafos duma publicação avulsa acerca do encontro, distribuída nos dias dos concertos lá  no Convento, para aqueles que desejam saber do que trata o X Encontra de Música Antiga de Recife/Olinda. Podeis conferir:

" O ENCONTRO DE MÚSICA ANTIGA RECIFE/OLINDA começou em 1995, como uma iniciativa de  professores do Conservatório Pernambucano de Música para  criar um movimento de música antiga na região Nordeste. Recife e Olinda foram a escolha ideal para o encontro, pois historicamente foram centros maiores de música e arte no Brasil antes do Ciclo de Ouro.

Os quatro primeiros anos (1995 a 1998) foram de exploração e afirmação. Após um hiato de oito anos, o encontro foi retomado em 2007, no que é considerada sua fase de ampliação e relevância. Hoje podemos dizer que o ENCONTRO DE MÚSICA ANTIGA DE RECIFE/OLINDA é um  importante festival entre os eventos do gênero no Brasil."

     A música antiga no Brasil, ou em toda a América, ainda é estruturalmente rudimentar e eurocentrista — e não poderia ser diferente para um continente colonizado substancialmente por europeus. 
     Há, claro, as variações de desenvolvimento e fica como exemplo os americanos nortistas. Mas eles também são americanos, certo? Porém, uma sólida cultura só poderá atingir um alto nível de desenvolvimento em ambientes sociais, políticos e econômicos que o favoreça. País desenvolvido é quase uma garantia total de música desenvolvida. 
     No Brasil, não há tanto o apoio respeitavelmente estimado e muito menos exploração profunda da música antiga. Ainda há outro problema na música antiga no país: estamos presos  à música do  ocidente, apesar dos raríssimos registros da música indígena, que sequer podemos comparar com a música ocidental. 
     A cultura de uma civilização precisa possuir uma membrana, assim como a tal civilização precisa também dessa membrana, que a separe e a faça distinguir-se sem fazer-se romper o elo que liga uma cultura com a outra. A membrana faz permanecer a cultura dessa civilização viva, permitindo tornar a sociedade um colossal organismo vivo que luta em um ambiente hostil.
     Talvez, em dois mil anos, quando a civilização americana tiver solidificado sua história no tempo do planeta, teremos uma música antiga forte e ela será a nossa contemporânea. Mas isso é uma visão extremamente otimista para uma espécie suicida. 

     Apesar de todos esses gêneros de objeções para estabilizar a música antiga no Brasil, em especial Pernambuco, ela floresce lentamente — bom mesmo é quando todo esse jardim botânico se tornar petróleo em dois mil anos — e o X Encontro de Música Antiga de Recife/Olinda é um exemplo nordestino disso. Há duas décadas atrás não tínhamos grupos ativos de música antiga, vivemos em tempos musicais de certo modo primaveril. Isso é bom!
    
     Estamos em tempos rudimentares para a música antiga no Brasil e dizem que o ápice da época de reprodução dos dinossauros era na primavera. E a música, correntemente, vive em época primaveril. Então há reprodução. O público para a música antiga cresce. Fiquei feliz ao saber disso, ouvindo senhoras comentando que era o primeiro festival de música antiga que estavam presentes, enquanto eu esperava o Convento São Francisco abrir no último dia do concerto.

     Por fim, antes de contar como foi a minha apreciação, congratulo todos que fizeram e integraram o encontro.

     A semana em que ocorreu o encontro de música antiga fora assaz agitada. Eu absolutamente não tinha espaço na agenda naquela semana. Mas apertei tudo no metrô e consegui ir para o X Encontro de Música Antiga de Recife/Olinda.
     Inicialmente eu iria sozinho. Andaria pelo sítio histórico de Olinda e deixaria o vento bagunçar o meu cabelo, mas no fundo eu sabia que ficaria triste por não ter ninguém para ser guiado por mim no sítio histórico de Olinda. Sem dúvida, eu tomaria o ato decadente de apresentar tudo que eu já conheço de cor do sítio histórico para mim mesmo.
     Como eu já escrevera aqui, na mesma época houve muitos outros concertos quando igualmente eu estava conquistando uma nova vida social em razão da superação da timidez. No meio das conquistas sociais, conheci o Geraldo. Ele adora ir para concertos, então ele tornou-se meu companheiro de concerto.
      Eu o convidei quando soube que ele apreciava música antiga. Marcamos horário e local, enquanto eu planejava uma andança por Oh!Linda vespertinal.


     Um dia antes, na quinta-feira, faço averiguar se tudo o que eu planejei estava em ordem. Depois tomo uma atitude que deixar-me-ia decepcionado em Olinda: vou ler notícias astronômicas no http://www.apolo11.com/ e tive a ideia de querer ver o pôr-do-sol em Olinda, que, se não em engana a memória, seria às 17h16min. Para  que não ocorressem os tais inesperados eventos, eu liguei para o Geraldo contando o meu plano. Então marcamos um horário mais apropriado para fazermos todas as nossas atividades por lá.
     O dia estava belíssimo até eu chegar em Recife às 15h. Nesse momento, o céu encheu-se em trevas para molhar a terra e minha esperança hidrofóbica de ver o pôr-do-sol do Alto da Sé.
     Resignamos com a natureza, fomos para Olinda e  foi quase isso o que perdemos, ao menos naquele dia:



Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook

Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook

Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook

Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook


      É verdade, eu já vi esse pôr-do-sol várias vezes no mesmo local. Mas no dia dez, pela primeira vez, eu estaria acompanhado no momento do pôr-do-sol e eu simplesmente não resisto à beleza.
     Aquele não foi o dia. Haverá outro? Sim, quiçá.

     Continuamos a andança. Fomos em algumas lojas de artesanato, mostrei para o Geraldo muitas igrejas, subimos e descemos 18 ladeiras — sim, eu contei —, com algumas subidas e  descidas repetidas, dei aula de história da arte e arquitetura, e acabei interpretando algumas obras de artes quando fomos para alguns ateliês.
     A noite logo chega e estava na hora da aula de astronomia. Fomos para o Observatório Astronômico do Alto da Sé  e falamos sobre vida em Marte, o Curiosity, Nebulosas, o futuro do Sistema Solar, estrelas que ameaçam a vida na terra, vida alienígena   e sobre o futuro da humanidade — nesse ponto começamos a caminhar em territórios filosóficos —, então paramos por aqui.
    Apreciamos, ao sair do Observatório, o vento noturno de agosto. Depois fomos ao Encontro.

     No dia 10 de agosto era o concerto de encerramento de alunos e professores. Não era bem o que eu queria. Eu na verdade desejei todo o dia 02 e 07 de agosto ver o Sonoro Ofício e o Conjunto Músicos de Capella. Mais uma vez eu faço resignar com a situação, afinal foi só na sexta feira em que pude apertar a minha agenda no metrô. Ao menos eu vi o Xavier Julien-Laferrière, que já integrou La Petite Bande sob a direção do grande mestre e já falecido Gustav Leonhardt. De fato, só tive memória de que ele era um dos violinistas da foto do encarte de um dos CDs da minha discografia  de La Petite Bande no momento do baile renascentista, quando ficamos bastante próximos.
     Eu, que fiz balé aos sete anos de idade, danço novamente. A minha acompanhante foi bastante simpática dizendo que eu dançava muito bem. Na realidade, eu pisei algumas vezes nos pés dela. 
     Agora, só agora, fico atemorizado em pensar que talvez minha estrutura seja de concreto. Céus! Talvez eu esteja tão dentro dessa realidade que nem a percebera antes. Como se o cosmo fosse esférico e eu por ser pequenino demais não posso perceber a esfericidade do cosmos. Não, não sou de concreto. Não! Sou de átomos, portanto o sou e não sou.

     Parando por aqui, vamos ver alguns dados visuais do baile e do Encontro:

Baile Renascentista após o Encontro.   Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook .

Baile Renascentista após o Encontro.   Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook .

Foto após o Encontro e o baile com a maioria do pessoal que integrou o encontro. Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook.
Plateia durante o encontro.  Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook. 
Músicos interpretando El Fuego do compositor renascentista espanhol Mateo Flecha.  Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook .
Músicos interpretando o Stabat Mater do compositor barroco italiano Antonio Caldara.  Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook.

    Para mim, o ápice das apresentações do último dia do Encontro foi o Stabat Mater de Antonio Caldara interpretado pelo Coro e Orquestra do Encontro e a ensalada para quatro vozes El fuego de Mateo Flecha.

     Eu fiz uma compilação de vídeos postados no YouTube acerca do Encontro de Música Antiga. A maior parte desses vídeos foi postada pelo Cayo César em seu Canal do YouTube. Podereis ver dezessete vídeos do X Encontro de Música Antiga aqui: http://www.youtube.com/playlist?list=PL773F8DC8EDE4B698&feature=mh_lolz

     Margot, dessa vez eu estou em duas das fotos que eu postei. Apesar disso, meu rosto não fora revelado.

sábado, 25 de agosto de 2012

     Em casa, finalmente.
     
     Eu estou muito aliviado por essa semana estar a se findar hoje mesmo. Ela fora impregnada de tensão, ansiedade e interrogações.

     Para o fim de semana, eu realmente não pretendia sair de casa. O motivo está em meus estudos e aventuras literárias: desejo dar uma revisada geral no inglês em que estive aprendendo durante 1 ano e seis meses, estudar muito meu violino, ler livros e escrever. Mas, como eu escrevera, agora só posso dizer "pretendia".
     Há uma pianista nova na minha agenda pessoal de contatos. O outro fato para a mudança de "pretendo" até "pretendia" é que eu possuo muitos agradecimentos a expressar para ela. Nada melhor que um jantar, estou certo? Quase certo. Um jantar é a melhor atividade para esse gênero de situação. Eu vou ao tal jantar, ela merece muito e a minha mãe insiste.

     Ganhei dois novos professores de violino numa única semana. Antes eu possuía dois professores, mas agora o número de educadores duplicou. Isso é bom! O primeiro é do gênero feminino e está a graduar-se na UFPE — na verdade, formar-se-ia este ano se a Universidade não estivesse em greve. Quanto ao segundo, é do gênero masculino, o vi em algum concerto mas não pessoalmente e fui super indicado para ele pelo meu primeiro professor particular. Parece que essa indicação valerá por um desconto no preço das aulas: :]
     A única parte difícil de estudar com quatro professores distintos é a diferença marcante no modo de ensinar e os hábitos técnicos que cada um possui e tenta passar para o aluno. Por exemplo, segundo meu primeiro professor particular de violino, o meu mais novo professor toca com as pontas (quase com a unha) dos dedos de tanto estudar cordas duplas, mas eu fui instruído para tocar com os dedos levemente deitados sobre a corda. Atualmente, estou estudando cordas duplas, então estou a adaptar-me ao novo modo. Mas eu não tocarei quase sempre desse modo como o meu mais novo professor. O problema maior é quando o método pedagógico de algum professor é inflexível com outro método, por exemplo, alguns diriam que um hábito diferente que não prejudica o desenvolvimento técnico está absolutamente errado. É como afirmar que música atonal é horrível e imprestável ou dizer que a maior parte da arte contemporânea é desprovida de beleza estética. Nenhuma das afirmações estão certas ou erradas, portanto são cousas relativas cuja percepção delas depende do olhar do observador.

     Faltam 30 dias para o meu aniversário de 16 anos. Presentes? Eu aceito que são poucos, mas especiais. Pequenino, pode ser uma margarida. Mas é necessário ser uma margarida escolhida ou cultivada com carinho.
     Um abraço e carinhos durante todo o dia fazem bastar. Mas eu adoro livros, e recentemente estive presenteando-me. O que muito diferente de antes, quando eu achava que não merecia presentes. Hoje eu até pergunto se  alguém há de me dar presente de aniversário, mas antes eu não sentia importância de ser presenteado.
     O meu primeiro presente de aniversário fora comprado hoje por mim mesmo: "O Banquete" de Platão e "Os Sofrimentos do Jovem Werther" de Goethe. Eu possuía o segundo livro numa edição diferente da postada no link, mas ele está com outro pessoa e fora do país.
     Mas o melhor presente que me dei hoje foi estar apreciando crianças animadas, felizes e saltitantes conhecendo pontos turísticos do Recife. Esses presentes do acaso são sempre os melhores.

      Vou terminar de escrever o poste do dia 23 de agosto.

domingo, 19 de agosto de 2012

A Paixão Segundo G.H., "A Pedra Verde na Música de Luiz Gonzaga e o Mundo" e Peer Gynt

     À apreciação da música incidental Peer Gynt do compositor norueguês Edvard Grieg com a Estonian National Symphony Orchestra, cuja citada obra é uma musicalização duma peça teatral de cinco atos do dramaturgo moderno norueguês Henrik Ibsen. Só a aprecio e escrevo, vou deixar análises para depois. Digo, antes de dizeres que não conheceis a obra, que vós a conheceis mui bem. E eu hei de provar no final do poste.
     
     Eu não deveria estar cá, pois estava a terminar de ler A Paixão Segundo G.H. de Clarice Lispector. Mas eu desejei escrever   um pouco, então...
     Esse é um livro que deixou-me com um espanto infantil estrondoso de mudez e uma certa consternação, e talvez até senti-me exasperado no primeiro contato chocante com a nova realidade que a escritora abordava. Antes de lê-lo achava-me humano, primitivamente humano. Mundano, celeste e necessário. Mas Clarice, mais uma vez, transgrediu-me e fez-me transcender. Perdi-me pela encanação do prédio; desorganizei-me e morri. E por morrer é que estou vivo escrevendo para vós. Bom, outro dia eu o resenho para vós, já que eu sequer terminei de lê-lo.
     Por fim, assim como minha amiga, a Geovana Germano, que disse que eu deveria lê-lo o quanto antes possível, me convencendo com a sua narração do limiar irreal e ilógico da estória de Lispector, digo para vós que esta é uma leitura altamente recomendável. Aliás, ela é uma leitura altamente recomendável principalmente para aqueles que já possuem alma formada.

    É entre a Literatura e a Música onde eu vivo. Uma começa quando a outra termina, respectivamente. De modo natural, um bom compositor, assim acredito, deve dominar ambas. Eu trabalho e estudo para dominá-las, é um de meus objetivos finais enquanto organismo vivo neste planeta.
     Como já falara aqui, a 23 de agosto farei uma apresentação na câmara municipal. É a segunda vez que sou convidado, ou seja, um honra para mim. Como parte da preparação do repertório, eu estava a fazer um arranjo para piano e violino d'algumas músicas do conterrâneo Luiz Gonzaga, já que irei honrar a arte armorial por lá no centenário desse artista "perrnambucano". Eu irei falar algo, claro, antes de minha apresentação.

"Que tal fazer um discurso antes de apresentar os músicos que hão de me acompanhar?" — pensei.

     Após ter pensado no discurso, tive a magna ideia de transcrever uma redação da verificação bimestral de aprendizagem que fugiu das regras estruturais — meu professor diz que sou rebelde e anarquista escrevendo e compondo, então o céu para mim está na prática da obediência ao escrever e compor — que fugiu das regras estruturais para um discurso. Isso é algo como " eu sou bom em poesia, mas preciso melhorar no poema", segundo disseram-me.

     Agora, ao retirar o rascunho da redação, que foi o primeiro, de meu fichário tento analisar qual o título que dei eu para ela. Olho atentamente para a margem superior da lauda procurando o título, mas encontro apenas a anotação do número de linhas disponibilizados na verificação de aprendizagem: "27 linhas".
     Revirando o baú mental, posso quase ter certeza que o título era " A Pedra Verde na Música de Luiz Gonzaga e o Mundo", então fiquem com "A Pedra Verde na Música de Luiz Gonzaga e o Mundo — por divino obséquio, comente se pensares nalgum novo título — :

     " Luiz Gonzaga representa, ao mesmo tempo que é festivo e noturno em sua obras, o âmago e a cerne da alma nordestina não só para o Brasil, mas outrossim ao mundo.
     Nós sabemos o quão exímio foi ele em sua arte, e isso fê-lo mostrar além das vivacidades festivas das terras de cá. Ele foi um artista cujo apogeu musical vivenciou o estabelecimento da soleira do templo do Movimento Armorial de Ariano Suassuna, onde as artes eruditas e populares bailavam juntas e onde o divino e transcendental  faziam bailar com o humano e o visceral. Isso, sem dúvida, o influenciou e o fez  mostrar o quão verdes são as nossas pedras, que nas bandas de cá existem em  excesso.
     A prova da influência do eruditismo, algo que o eleva para outro patamar,  em suas obras está na mudança de tons, de Sol Menor para Lá Maior, como exemplo, que brotam inúmeras vezes nas músicas compostas por ele e Humberto Teixeira  a partir da década de 50, quando era germinado o Movimento Armorial. Apenas ótimos compositores fazem essa proeza de mudança de tom numa música em prol da harmonia. A crítica social em ABC do Sertão é outra prova da influência do modernismo erudito, que vê a arte com propósitos sócio-estéticos.
     Ele faz tornar mundial sua música em Pagode Russo em Sol Menor, onde o motivo do tema principal é inspirado, mesmo que inconscientemente, em populares músicas das noites  russas czaristas  em bordéis, que também inspirou o grande compositor russo Tchaikovsky, a obra do último citado, por sua vez, muito relacionou-se com as pinturas abstratas de Kandinsky.
     O erudito Rafael Garcia diz que ele é um dos maiores compositores entre os eruditos e populares da música nacional. Eu digo que ele quebrou nossas pedras verdes e espalhou pelo mundo, ele fez a Terra da Pedra Verde ganhar o mundo.  Amém!"

     É, ao escrevê-la novamente vejo que preciso fazer algumas modificações e também noto que viajei alguns séculos escrevendo-a. 
     Deu para notar o repertório? Ainda terá Chanson Triste de Tchaikovsky (a interpretação do link com o Bratza é minha favorita).

     Pararei por cá mesmo. Amanhã escreverei acerca do X Encontro de Música Antiga de Recife/Olinda e do BookTour da Evana Ribeiro.

     Acho que não é só hora da prova, é hora da evidência. Com vocês, Morning Mood da obra incidental para orquestra sinfônica composta por Edvard Grieg:

terça-feira, 14 de agosto de 2012

     Até poderia escrever um "grandioso" poste exatamente já, mas estou exaurido. Passei a noite escrevendo um arranjo para violino e piano que não fora concluído e que me deu muito trabalho. Só espero ser reconhecido na apresentação do dia 23 de agosto. Céus! Faltam 9 dias e eu só escrevi 9 compassos da parte do piano. Ao menos tenho toda a música em minha mente.
     Vejo nos músicos que se apresentarão nesse dia uma dificuldade de encontrar repertório que sintonize com o nível técnico deles, mas o meu problema é outro: são incomensuráveis as possibilidades  para o meu repertório (eu já estou pensando em acompanhamento de orquestra). Tenho definida uma música, farei o seu arranjo para piano e violino, preciso organizar minhas partituras e expressar o que eu desejo ou acabarei fazendo parte da apresentação de todo mundo. Repetindo: antes de quarta-feira eu preciso ter feito o arranjo para piano e violino (pois é a minha música principal que deverá ser tocada nos três turnos), ter contatado o pianista e ter deixado a música dos outros grupos pronta para concentrar-me na minha apresentação.

     Nesse momento de organização pessoal,  planejamento semanal, adiamentos de compromissos e preocupações eu tenho tempo para falar do que pretendo tratar no próximo poste. Ele será acerca de Luiz Gonzaga, X Encontro de Música Antiga de Recife/Olinda e tudo o que eu lembrar que considero importante. Só não falo dele agora pois em sete minutos será a quinta hora do dia 14 de agosto de 2012 e nesse momento eu preciso organizar todos os meus livros, que são muitos, e objetos pessoais para o longo dia que nasce.

Até mais,
Herr Limes.

domingo, 5 de agosto de 2012

     Ele é boliviano, fala espanhol e português, não toca Tchaikovsky bem, ele não destaca as notas que deveria no concerto para violino em Ré maior do citado compositor russo e ainda desafina. Eu preciso dele para um feedback, será que o tal boliviano entenderá meu português mundano, linguisticamente falando? Ao menos estudou em um dos melhores conservatórios da América Latina.
     
     Sou exigente e busco a perfeição em tudo o que eu faço, consequentemente, acho defeitos e imperfeições em mim por demais, sou sempre insuficiente e menor, o que leva-me para a introspecção algumas vezes. Atualmente, eu posso falar algumas vezes por minha recente socialização simpática com o mundo.
     Apesar de tudo isso de que falei, há duas coisas de que me orgulho: Poder sentir cada detalhe de uma música e extasiar-me com isso e por compreender que apesar de minha vida ser um erro sem ela, eu posso viver sem a música. Ela pode ser substituída por filosofia, literatura, pintura, arquitetura, astronomia, física quântica e cous'outras do cotidiano que fazem-me feliz. Eu confesso que sentirei muitas saudades dela, mas como a música  não é o meu melhor insubstituível, poderei adaptar-me ao mundo sem ela.
     A música não é nada sem as partículas e sem os sentidos de máquinas complexas — nós, os seres humanos — que não percebem a realidade de fato assim como o cosmos permaneceria inexistente sem o pensamento reflexivo das complexas máquinas e o cosmos também continuaria a existir inexistente sem o pensamento reflexivo das tais máquinas complexas.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Minha vida está como este concerto para violino de Theophilus Mozart. E como geralmente não é assim, fico ansioso e com medo. Só com medo.

domingo, 1 de julho de 2012

     Fim de noite por cá com pontas dos dedos quase deformadas após um longo dia de estudos. Há extenuação e paixão aqui.
    Como sou grato por poder escrever, sou grato por cada nota que posso ouvir. E como sou grato pelas flores de Redon.

    Abaixo há duas obras de artes que aprecio correntemente, elas são uma Sonata Trio para dois violinos e baixo contínuo do compositor barroco italiano Antonio Lucio Vivaldi e pinturas do simbolista francês Odilon Redon.
     O violino primo da obra de Vivaldi é o violinista barroco italiano Enrico Gatti, um dos poucos deste gênero no mundo. Suas interpretações são duma expressa sensatez e graciosidade. Eu recomendo muito seu disco de 1996 das sonatas de Francesco Maria Veracini, compositor e violinista barroco italiano contemporâneo de Antonio Lucio Vivaldi.

Capa do disco que recomendei com Enrico Gatti

     Apreciei a obra de Vivaldi enquanto deleitava-me com pinturas de Redon. Ouvi-a novamente, e dessa vez associei a música às pinturas de Odilon. Vamos à música:

        O Prelúdio (primeiro movimento) de 00min.05s. até 04min.56s. foi associado à estas pinturas de Redon:
Anemones, de Odilon Redon.
Portrait of Madame Arthur Fontaine, de Odilon Redon.
Portrait of Madame de Demecy, de Odilon Redon.
Portrait of Marie Botkine, de Odilon Redon.
     O segundo movimento (Corrente) de 04min.56s. até 07min.12s. foram associadas às três pinturas seguintes:
Veiled Woman, de Odilon Redon.
Woman and Child against a Stained Glass Background, de Odilon Redon.
Woman with Wildflowers, de Odilon Redon.
     Enquanto o Giga (penúltimo movimento) que vai de  07min.13s. até 08min.55s. foi associado à uma pintura pintada em 1910, seis anos antes da morte do pintor francês — foi a brilhante parte destacada do baixo contínuo deste movimento a findar a composição que levou-me até a "escolha" de uma obra visual, na qual está representado um Centauro com um violoncelo da mesma família com grave tom do baixo contínuo, criada no findar da vida de seu criador? —:
Centaur with cello, de Odilon Redon.
     O último movimento, Gavotta (8min. 54s. até 10min. 17 s.), foi associado à estas duas seguintes pinturas de Odilon apenas.
Breton Village, de Odilon Redon.
Brunhild, de Odilon Redon.
     Está bem. Eu sei que há íntimas relações entre artes visuais e artes sonoras, mas como posso explicar isso? Recentemente, venho percebendo a minha capacidade de associar notas musicais às cores. Eu o fazia antes, mas não com frequência pois minha percepção não permitia. Atualmente, toda nota Ré é verde em minha mente. E não são apenas com as notas musicais que eu associo às cores, os dias das semanas foram associados com elas desda a tenra idade. Domingo é sempre preto e sábado é sempre um verde escuro — Ré seria um sábado? —.
     Se alguém ler isso e achar ridículo e fantasioso, não precisa continuar. A proposta disto aqui ainda é apenas de escrever e escrever para sobrepujar a mediocridade da existência.
     Não entendo as várias associações que faço no cotidiano com muitíssimas bizarras cousas.
     As pinturas foram escolhidas aleatoriamente no decorrer da música. Primeiro foi Vivaldi que levou-me a Redon; e depois Redon trouxe-me para Vivaldi. Obra do inconsciente? Sim. Por quê? Não o sei!