Eu sei. Sou um ser que sumiu da "Blogsville" agora. Estou atrasado nos comentários e leituras dos blogues que costumo ler.
Após a mudança de residência do dia 15, fiquei desconectado da Rede. Não está sendo muito difícil. Ando a escrever cartas e a anotar em meu fichário para amainar a distância de cá.
Eu vos responderei nos comentários, sem dúvida.
Observo, só agora, que existem certas características em meu blogue que fazem parecer com a estrutura de uma música erudita comum anterior ao século XIX.
Eu começaria a explicar em grandes parágrafos todos os pormenores que fazem-me pensar assim e todos os pressupostos que levaram-me ao pensamento tal, além de descrever todas as características presentes no objeto principal do meu pensamento. Fá-lo-ia, pois agora controlo o que escrevo. É... mas a entrelinha ainda domina o que escrevo, e tenho prazer nisso.
Lembram do meu amor de "Te Mereço", de "Conversa Comigo Mesmo", da concha e de vários outros momentos de cá? Confessamos que nos amamos. Mas confessamos sem citar a palavra "amor", pois ainda temos medo dela como em "O Segredo" de Clarice Lispector.
Nessas confissões, a partir duma carta, nasceu a ideia de escrever um conto. Eu o chamei de "Ar e Água". Há jardineiros, um esposo morto, uma viúva depressiva, viagens para a Itália e talvez ele tenha monges e o reencontro da felicidade após uma grande perda. Ele será dedicado para a pessoa que eu amo e só os indivíduos que verdadeiramente me conhecem saberão que ele é a maior declaração de amor que já fiz para alguém.
Eu só fiz uma declaração de amor até hoje. Não, duas. A primeira ocorreu quando eu tinha dez anos. Envolveu rosas vermelhas, poema e a garota mais bela da sala que se parecia, segundo eu, com Kate Winslet. A segunda declaração só envolveu mãos e olhos negros e verdes. Parece pouco, mas foi uma relação intensa. Ela foi sensivelmente íntima. Ele era violinista e parecia um anjo. Eu segui em frente e ele ficou no curso de Engenharia com um grande armário e histórias para contar.
De quando em quando encontro o violinista que se parece com um anjo. As mãos até já pediram algo, mas só o olhar tímido diz "Olá" na livraria quando fazemos desviar nossos olhos do livro que pretendemos comprar. Foram bons tempos. Ainda bem que os vivi. Aí sobra a nostalgia, é gostoso sentir ela.
Doeu após retirar de mim, como se tira víceras de um leão vivo e pulsante, os sentimentos que por ele possuía. Apesar de tudo, não acreditei que, como o despertar de um sonho ameaçador pela luz matinal do sol, eu pudesse superar tudo tão rapidamente. Superei, bravamente.
...
O primeiro fluxo para. O primeiro fluxo pára. Parei de pensar — mentira! —. -------------------------------------------------------------- ...
Alguns dias atrás, estive a postar por cá algo do compositor norte-americano Michael Nyman. O poste é o seguinte, aos dememoriados como eu: http://reflectereadhominus.blogspot.com.br/2012/10/correios-eletronicos-michael-nyman-e.html .
Nos comentários, a Margot mostrou-se ansiar por um outro disco dele. Como não consegui outro meio de contato com ela, decidi que postaria Ancient Memories para quem deseja apreciar mais dele. Cá vai o endereço para que possas descarregá-lo no computador: http://www.mediafire.com/?uxvuoz5vpbwbrd8
Prometi-vos postar minhas seleções de crônicas e relatos de Clarice Lispector do Livro "Para Não Esquecer". Hoje teremos "O Segredo", "Mas Já Que Se Há de Escrever..." e "A Ceia Divina". Ei-los:
O Segredo
Há uma palavra que pertence a um reino que me deixa muda de horror. Não espantes o nosso mundo, não empurres com a palavra incauta o nosso barco para sempre ao mar. Temo que depois da palavra tocada fiquemos puros demais. Que faríamos de nossa vida pura? Deixa o céu à esperança apenas, com os dedos trêmulos cerro os teus lábios, não a digas. Há tanto tempo eu de medo a escondo que esqueci que a desconheço, e dela fiz o meu segredo mortal.
Mas Já Que Se Há de Escrever
Mas já que se há de escrever, que ao menos não se esmaguem com palavras as estrelinhas.
A Ceia Divina
Laranja na Mesa. Bendita a árvore que te pariu.
"O Segredo" trata de amor e medo, dois sentimentos muito presentes nos dias anteriores e bem expressados em meus outros postes. "Mas Que Se Há de Escrever" tem minha cara nele. Eu amo laranjas grandes e muito laranjas. Gosto de me sentir comendo o sol quando as degusto, principalmente quando é uma matina de domingo primaveril e ensolarado. Entretanto, eu amo uvas. Uvas de todos os gêneros, eu as amo.
Larguei, pois costuma-se largar cedo em semana de recuperação do que foi academicamente perdido pelos "perdidos academicamente", e estou aliviado por estar positivamente azul e atualizado em todas as disciplinas – acabarei tendo sangue azul.
Depois de escrever esse poste, estudarei um pouco de história e terminarei de compor algumas músicas.
Como prometi no poste do vigésimo quarto dia de setembro, estarei a postar as crônicas do penúltimo livro de Clarice Lispector lido este ano, "Para Não Esquecer". Esse livro de Clarice reúne crônicas, fragmentos e relatos escritos por ela.
Muitos escritos publicados ali são relatos e experiências do relacionamento com seus filhos ou podem ser a designação do mistério, do desconhecido e a exploração do cotidiano, que, nas mãos de Clarice, torna-se uma tragédia cósmica. Nesse livro, encontrei muita coisa já lida em "A Descoberta do Mundo", livro integrante da inspiração desse blogue e digerido três vezes por mim.
Selecionei 22 textos entre os mais de 110 contidos no livro. Ao decorrer dos postes, publicá-los-ei com pequenas resenhas ou sem pequenas resenhas.
No dia em que fui inserido na cultura de nossa civilização, postei Futuro de Uma Delicadeza. Hoje, eu postarei Por Não Estarem Distrídos, que mostra bem a situação (expressada aqui) que deixava-me com medo de ter "ciência dita" do meu amor por alguém; e postarei Os Espelhos.
Leiam os textos já citados e escritos por Clarice Lispector:
Os Espelhos
" O que é um espelho? Não existe a palavra espelho - só espelhos, pois um único é uma infinidade de espelhos. - Em algum lugar do mundo deve haver uma mina de espelhos? Não são precisos muitos para se ter a mina faiscante e sonambólica: bastam dois, e um reflete o reflexo do que o outro refletiu, num tremor que se transmite em mensagem intensa e insistente "ad infinitum", liquidez em que se pode mergulhar a mão fascinada e retirá-la escorrendo de reflexos, os reflexos dessa dura água. - O que é um espelho? Como a bola de cristal dos videntes, ele me arrasta para o vazio que no vidente é o seu campo de meditação, e em mim o campo de silêncios e silêncios. - Esse vazio cristalizado que tem dentro de si espaço para se ir para sempre em frente sem parar: pois espelho é o espaço mais fundo que existe. - E é coisa mágica: quem tem um pedaço quebrado já poderia ir com ele meditar no deserto. De onde também voltaria vazio, iluminado e translúcido, e com o mesmo silêncio vibrante de um espelho. - A sua forma não importa: nenhuma forma consegue circunscrevê-lo e alterá-lo, não existe espelho quadrangular ou circular: um pedaço mínimo é sempre o espelho todo: tira-se a sua moldura e ele cresce assim como água se derrama. - O que é um espelho? É o único material inventado que é natural. Quem olha um espelho conseguindo ao mesmo tempo isenção de si mesmo, quem consegue vê-lo sem se ver, quem entende que a sua profundidade é ele ser vazio, quem caminha para dentro de seu espaço transparente sem deixar nele o vestígio da própria imagem - então percebeu o seu mistério. Para isso há-de se surpreendê-lo sozinho, quando pendurado num quarto vazio, sem esquecer que a mais tênue agulha diante dele poderia transformá-lo em simples imagem de uma agulha.Devo ter precisado de minha própria delicadeza para não atravessá-lo com a própria imagem, pois espelho que eu me vejo sou eu, mas espelho vazio é que é espelho vivo. Só uma pessoa muito delicada pode entrar num quarto vazio onde há um espelho vazio, e com tal leveza, com tal ausência de si mesma, que a imagem não marca. Como prêmio, essa pessoa delicada terá então penetrado num dos segredos invioláveis das coisas: Vi o espelho propriamente dito.E descobri os enormes espaços gelados que ele tem em si, apenas interrompidos por um ou outro alto bloco de gelo. Em outro instante, este muito raro - e é preciso ficar de espreita dias e noites, em jejum de si mesmo, para poder captar esse instante - nesse instante consegui surpreender a sucessão de escuridões que há dentro dele. Depois, apenas com preto e branco, recapturei sua luminosidade arco-irisada e trêmula. Com o mesmo preto e branco recapturei também, num arrepio de frio, uma de suas verdades mais difíceis o seu gélido silêncio sem cor. É preciso entender a violenta ausência de cor de um espelho para poder recriá-lo, assim como se recriasse a violenta ausência de gosto da água."
Por Não Estarem Distraído
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto.
No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.
Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios.
Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."
Este último texto lembra-me tantos momentos belos. Lembra-me o dia no qual voltamos, eu e meu amado amigo, duma palestra acerca de Música e Religiosidade.
Foi um dos dias mais belos que já tive em sua companhia. Não pelos roteiros turísticos de Recife que recebem nossos pés diariamente, mas por vê-lo atencioso, ao meu lado, natural, por vê-lo almoçar comigo, por partilharmos vivências, por vê-lo sonolento a oscitar . Disse-me ele que "...passei a noite acordado. Eu fui ao cinema com minha irmã e voltamos tarde". Deu para perceber que eu também passei a noite acordado e como quis deixar claro o quão semelhantes somos, não deu? A diferença é que passei a noite acordado por não conseguir esquecer que passaria todo o dia com alguém que fazia-me deixar intrigado, com alguém que fez-me ganhar a perna inútil que G. H. perdeu num momento de apreciação da êxtase d'outrem.
Estava a ocorrer, no Marco Zero, um festival internacional de teatro de objetos. Fomos. Mas fomos com a esperança de ver Hermeto Pascoal de pertinho e num show com poucas pessoas após o encerramento das representações. Ele não poderia ficar, pois estaria tarde demais para ele voltar ao seu bairro. Eu ofereci táxi com minha companhia até a porta de sua casa. Mas ele disse "... minha mãe pediu para sair do centro às 21h e o show começa às 21h30min. É muito importante para mim, mas não sou como você que não tem horário para chegar." Como reposta, disse rindo e ironicamente que sou um ser emancipado.
Só para ficarmos juntos mais tempo, tivemos a ideia de duma ida à Livraria Cultura do Shopping Paço Alfândega.
Senti seu hálito doce. E desejei seu hálito no meu quarto, em qualquer lugar no mundo. Não desejei em mim, a esbarrar nos meus lábios. Desejei-o nos ares do meu quarto e desejei estar perto dele para sempre.
Lemos algumas revistas. Ele leu artigos científicos sobre física quântica e eu li sobre civilizações pré-colombianas em revistas de história e arqueologia.
Conversamos acerca da razão de existirmos; então vimos que já estava na hora de partir. Saímos à parada do autocarro, expressando em dizeres nossas elucubrações acerca da existência. Quando o vi sem mais a dizer, eu prometi que em cinco minutos escreveria algo sobre as razões da existência com duas das minhas três palavras preferidas, que são "cerne" e "sobrepujar". Já estávamos longe da Livraria quando eu pedi para que ele segurasse meu braço direito enquanto eu escrevia com a mão do braço esquerdo, pois haveria a possibilidade de beijos duros entre eu e o chão. Escrevi. Noutro dia, peguntei do destino daquele papel com minha caligrafia rabiscada. Ele disse que queimaria, mas decidiu primeiro pôr no computador e depois guardar a folha. Só agora, enquanto escrevo, é que observo que deveria perguntar o motivo do fogo com o papel.
As pessoas passavam entre nós dois, agitadas, para ver Hermeto Pascoal. Então, tocamos e nos tocamos esmagados. Falávamos acerca de cousas quaisquer; ríamos. Decidimos apreciar a água negra do Rio Capibaribe. Gosto da "música da água".
Acho que está na hora de parar. É demais para mim. Estava a suprimir muitos pormenores para mim mesmo, não por serem proibidos de publicações na Rede, mas por sentir demais enquanto escrevo. Suprimia detalhes pois ainda ( "ainda" é minha terceira palavra favorita, revelo) temo afogar-me em meus mergulhos no mar existencial onde eu encontrei meu Amado Amigo. Ele disse-me que um dia poderia me ensinar a nadar. Ele ama natação. Sou um tanto sedentário, mas sempre quis ter disposição para praticar esportes. Minha mãe diz que, na verdade, eu sempre quis alguém para praticar esportes comigo. De qualquer forma, nesses tempos de lições de natação, se eles existirem, já estarei nadando muito bem no meu mar existencial.
Agora só posso dizer que o abracei na despedida; depois fui ao show de Hermeto Pascoal.
Acho que, pelo o que eu escrevi por cá, vós pensais que o que escrevi nos parágrafos anteriores não possuem tanto a ver com "Por Não Estarem Distraídos" de Clarice Lispector. Só os detalhes suprimidos por mim, como no susto da súbita descoberta, de modo consciente, mostrariam as razões e justificativas das minhas lembranças associativas.
Seu eu continuar lembrando assim, ninguém vai aguentar ler nada do que escrevo.
Estou calmo, como recomendou o Cesinha. Se não estivesse assim, já teria gritado ao mundo o meu amor. Por estar calmo e por deixar ir-me navegando até a foz do Rio Capibaribe para que o nosso amor seja um rio fluindo e fluindo é que não estou a gritar o meu amor. Que correnteza!
Hei-de postar algumas fotos dos lugares citados cá:
Vista da Ponte Maurício de Nassau (primeiro plano) a partir da perspectiva do Velho Recife sobre a Livraria Cultura. Por Sério Menezes.
Interior do Shopping Paço Alfandêga, Recife - PE. Por Sério Menezes.
Descarreguei um leitor de Feeds em meu computador. Agora: como tenho blogues para ler! Já gostava da "Blogsville", e gosto ainda mais agora que estou menos "tímido" por cá.
"Acontecimentos mais ricos ocorrem em nós muito antes que a alma se aperceba dele. E, quando começamos a abrir os olhos para o visível, há muito já estamos aderentes ao invisível."
BACHELARD, Gaston A água e os sonhos: ensaio sobre a imaginação da matéria. Tradução: Antonio de Pádua Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 1998 (Tópicos) pp. 17-18
Dois mestres em duas páginas. Isso é demais para mim!
domingo, 2 de setembro de 2012
"Não a executes, é o que deves fazer.Não a escutes e a possuirás. Não ames e terás dentro de ti o amor. Não fumes o teu cigarro e terás um cigarro aceso dentro de ti. Não ouças a Quinta Sinfonia de Beethoven e ela nunca terminará para ti." Trecho da carta de Clarice Lispector para Hermengardo escrita em 30 de agosto de 1941.
Antes de tudo, este poste é uma continuação do poste anterior. Isto ocorre pois eu limito meu horário de estar escrevendo cá. Se eu não cuidar, abandono o computador e passo o dia escrevendo com a mão. Também lamento a desorganização dos parágrafos. Eu realmente não escrevi daquela forma, mas houve algum tipo de erro no HTML, que é uma linguem desconhecida para mim.
Ontem eu falara de sonhos, primeiro beijo e acabei indo falar da Evana Ribeiro. Eu continuarei os assuntos que foram citados no título desse poste. Entretanto, agora vamos falar de hoje.
A apresentação fora portentosa. Ganhei dois "bravos" e alguns silvos. Ainda mais: não sei como descobriram, mas me deram um ramalhete de rosas brancas no final. Não postarei gravações, por ora. Eu tenho plano de postá-las na possível futura estreia de meu primeiro quarteto de cordas.
Foi tudo muito bom, como já dissera, mas estou aliviado por ter passado. O palco é sempre bom, principalmente quando se é um virtuoso. Como ainda não o sou, adoro acordar com o nascer do sol, passar o dia estudando e notar meu progresso antes de dormir.
Já em casa, chá quente e ar indiferente. Torna-se uma grande surpresa ver um Alexandro na minha caixa de entrada. Sim, ele lê o meu blogue. Com sua permissão e com suas próprias palavras, posso dizer aqui que ele sentiu-se "honrado por ser descrito com tanta sensibilidade". Concluí junto com ele que aquilo fora apenas um "momento emotivo e platônico causado pela desfragmentação simultânea de duas almas civilizadas". Ele concordou plenamente em tornar-se um personagem de meus contos, e talvez até de uma futura novela numa cidade que até já escrevi sobre: Quimerolândia. E agora, chegamos em Fim. Alexandro, obrigado por ter-me deixado lhe encontrar.
Eu terminei o poste de ontem falando do primeiro beijo e do blogue da Evana Ribeiro. Eu pensava em falar d'outro assunto quando terminei de transcrever "Promessa é Dívida".
A Evana Ribeiro fora minha professora de inglês por alguns meses e a partir de seu modo de ensinar pude aprender um pouco sobre mim e as pessoas. Quando soube que ela escrevia, prometi que leria seus livros. O tempo passou-se e nada, mas eu nunca tirei seus livros da minha lista de leitura.
Ao décimo segundo dia deste mês, pude ler em seu blogue acerca do booktour. Não hesitei em inscrever-me, mas eu ainda farei a inscrição.
...
Posso continuar a escrever, pois fiz a inscrição no BookTour da Evana Ribeiro.
Já que é o mês de aniversário da publicação de seu primeiro livro, o Saída de Emergência, e da estreia da série virtual O Fórum Joana Bezerra a Evana Ribeiro decidiu comemorar com muita leitura. Na verdade, presenteando seus leitores com muita leitura.
No BookTour, poderemos ler Saída de Emergência e Helênicas ou apenas um desses livros. Para se inscrever é necessário preencher um formulário do link que eu postarei brevemente e cada leitor há de ter apenas 25 dias para ler o livro que receber em casa.
Pelo o que eu já li de Evana Ribeiro, é provável que eu leia tudo em duas tardes. Para vós eu a recomendo muitíssimo.
Nos dez primeiros dias deste mês ocorreu o X Encontro de Música Antiga de Recife/Olinda e eu até falei brevemente acerca d'ele aqui.
Antes de postar fotos, vídeos e narrar as histórias do dia 10 em Olinda irei transcrever dois parágrafos duma publicação avulsa acerca do encontro, distribuída nos dias dos concertos lá no Convento, para aqueles que desejam saber do que trata o X Encontra de Música Antiga de Recife/Olinda. Podeis conferir:
" O ENCONTRO DE MÚSICA ANTIGA RECIFE/OLINDA começou em 1995, como uma iniciativa de professores do Conservatório Pernambucano de Música para criar um movimento de música antiga na região Nordeste. Recife e Olinda foram a escolha ideal para o encontro, pois historicamente foram centros maiores de música e arte no Brasil antes do Ciclo de Ouro.
Os quatro primeiros anos (1995 a 1998) foram de exploração e afirmação. Após um hiato de oito anos, o encontro foi retomado em 2007, no que é considerada sua fase de ampliação e relevância. Hoje podemos dizer que o ENCONTRO DE MÚSICA ANTIGA DE RECIFE/OLINDA é um importante festival entre os eventos do gênero no Brasil."
A música antiga no Brasil, ou em toda a América, ainda é estruturalmente rudimentar e eurocentrista — e não poderia ser diferente para um continente colonizado substancialmente por europeus. Há, claro, as variações de desenvolvimento e fica como exemplo os americanos nortistas. Mas eles também são americanos, certo? Porém, uma sólida cultura só poderá atingir um alto nível de desenvolvimento em ambientes sociais, políticos e econômicos que o favoreça. País desenvolvido é quase uma garantia total de música desenvolvida. No Brasil, não há tanto o apoio respeitavelmente estimado e muito menos exploração profunda da música antiga. Ainda há outro problema na música antiga no país: estamos presos à música do ocidente, apesar dos raríssimos registros da música indígena, que sequer podemos comparar com a música ocidental. A cultura de uma civilização precisa possuir uma membrana, assim como a tal civilização precisa também dessa membrana, que a separe e a faça distinguir-se sem fazer-se romper o elo que liga uma cultura com a outra. A membrana faz permanecer a cultura dessa civilização viva, permitindo tornar a sociedade um colossal organismo vivo que luta em um ambiente hostil. Talvez, em dois mil anos, quando a civilização americana tiver solidificado sua história no tempo do planeta, teremos uma música antiga forte e ela será a nossa contemporânea. Mas isso é uma visão extremamente otimista para uma espécie suicida. Apesar de todos esses gêneros de objeções para estabilizar a música antiga no Brasil, em especial Pernambuco, ela floresce lentamente — bom mesmo é quando todo esse jardim botânico se tornar petróleo em dois mil anos — e o X Encontro de Música Antiga de Recife/Olinda é um exemplo nordestino disso. Há duas décadas atrás não tínhamos grupos ativos de música antiga, vivemos em tempos musicais de certo modo primaveril. Isso é bom! Estamos em tempos rudimentares para a música antiga no Brasil e dizem que o ápice da época de reprodução dos dinossauros era na primavera. E a música, correntemente, vive em época primaveril. Então há reprodução. O público para a música antiga cresce. Fiquei feliz ao saber disso, ouvindo senhoras comentando que era o primeiro festival de música antiga que estavam presentes, enquanto eu esperava o Convento São Francisco abrir no último dia do concerto. Por fim, antes de contar como foi a minha apreciação, congratulo todos que fizeram e integraram o encontro. A semana em que ocorreu o encontro de música antiga fora assaz agitada. Eu absolutamente não tinha espaço na agenda naquela semana. Mas apertei tudo no metrô e consegui ir para o X Encontro de Música Antiga de Recife/Olinda. Inicialmente eu iria sozinho. Andaria pelo sítio histórico de Olinda e deixaria o vento bagunçar o meu cabelo, mas no fundo eu sabia que ficaria triste por não ter ninguém para ser guiado por mim no sítio histórico de Olinda. Sem dúvida, eu tomaria o ato decadente de apresentar tudo que eu já conheço de cor do sítio histórico para mim mesmo. Como eu já escrevera aqui, na mesma época houve muitos outros concertos quando igualmente eu estava conquistando uma nova vida social em razão da superação da timidez. No meio das conquistas sociais, conheci o Geraldo. Ele adora ir para concertos, então ele tornou-se meu companheiro de concerto. Eu o convidei quando soube que ele apreciava música antiga. Marcamos horário e local, enquanto eu planejava uma andança por Oh!Linda vespertinal. Um dia antes, na quinta-feira, faço averiguar se tudo o que eu planejei estava em ordem. Depois tomo uma atitude que deixar-me-ia decepcionado em Olinda: vou ler notícias astronômicas no http://www.apolo11.com/e tive a ideia de querer ver o pôr-do-sol em Olinda, que, se não em engana a memória, seria às 17h16min. Para que não ocorressem os tais inesperados eventos, eu liguei para o Geraldo contando o meu plano. Então marcamos um horário mais apropriado para fazermos todas as nossas atividades por lá. O dia estava belíssimo até eu chegar em Recife às 15h. Nesse momento, o céu encheu-se em trevas para molhar a terra e minha esperança hidrofóbica de ver o pôr-do-sol do Alto da Sé. Resignamos com a natureza, fomos para Olinda e foi quase isso o que perdemos, ao menos naquele dia:
É verdade, eu já vi esse pôr-do-sol várias vezes no mesmo local. Mas no dia dez, pela primeira vez, eu estaria acompanhado no momento do pôr-do-sol e eu simplesmente não resisto à beleza. Aquele não foi o dia. Haverá outro? Sim, quiçá. Continuamos a andança. Fomos em algumas lojas de artesanato, mostrei para o Geraldo muitas igrejas, subimos e descemos 18 ladeiras — sim, eu contei —, com algumas subidas e descidas repetidas, dei aula de história da arte e arquitetura, e acabei interpretando algumas obras de artes quando fomos para alguns ateliês. A noite logo chega e estava na hora da aula de astronomia. Fomos para o Observatório Astronômico do Alto da Sé e falamos sobre vida em Marte, o Curiosity, Nebulosas, o futuro do Sistema Solar, estrelas que ameaçam a vida na terra, vida alienígena e sobre o futuro da humanidade — nesse ponto começamos a caminhar em territórios filosóficos —, então paramos por aqui. Apreciamos, ao sair do Observatório, o vento noturno de agosto. Depois fomos ao Encontro. No dia 10 de agosto era o concerto de encerramento de alunos e professores. Não era bem o que eu queria. Eu na verdade desejei todo o dia 02 e 07 de agosto ver o Sonoro Ofício e o Conjunto Músicos de Capella. Mais uma vez eu faço resignar com a situação, afinal foi só na sexta feira em que pude apertar a minha agenda no metrô. Ao menos eu vi o Xavier Julien-Laferrière, que já integrou La Petite Bande sob a direção do grande mestre e já falecido Gustav Leonhardt. De fato, só tive memória de que ele era um dos violinistas da foto do encarte de um dos CDs da minha discografia de La Petite Bande no momento do baile renascentista, quando ficamos bastante próximos. Eu, que fiz balé aos sete anos de idade, danço novamente. A minha acompanhante foi bastante simpática dizendo que eu dançava muito bem. Na realidade, eu pisei algumas vezes nos pés dela. Agora, só agora, fico atemorizado em pensar que talvez minha estrutura seja de concreto. Céus! Talvez eu esteja tão dentro dessa realidade que nem a percebera antes. Como se o cosmo fosse esférico e eu por ser pequenino demais não posso perceber a esfericidade do cosmos. Não, não sou de concreto. Não! Sou de átomos, portanto o sou e não sou. Parando por aqui, vamos ver alguns dados visuais do baile e do Encontro:
Baile Renascentista após o Encontro. Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook .
Baile Renascentista após o Encontro. Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook .
Foto após o Encontro e o baile com a maioria do pessoal que integrou o encontro. Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook.
Plateia durante o encontro. Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook.
Músicos interpretando El Fuego do compositor renascentista espanhol Mateo Flecha. Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook .
Músicos interpretando o Stabat Mater do compositor barroco italiano Antonio Caldara. Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook.
Eu estou muito aliviado por essa semana estar a se findar hoje mesmo. Ela fora impregnada de tensão, ansiedade e interrogações.
Para o fim de semana, eu realmente não pretendia sair de casa. O motivo está em meus estudos e aventuras literárias: desejo dar uma revisada geral no inglês em que estive aprendendo durante 1 ano e seis meses, estudar muito meu violino, ler livros e escrever. Mas, como eu escrevera, agora só posso dizer "pretendia".
Há uma pianista nova na minha agenda pessoal de contatos. O outro fato para a mudança de "pretendo" até "pretendia" é que eu possuo muitos agradecimentos a expressar para ela. Nada melhor que um jantar, estou certo? Quase certo. Um jantar é a melhor atividade para esse gênero de situação. Eu vou ao tal jantar, ela merece muito e a minha mãe insiste.
Ganhei dois novos professores de violino numa única semana. Antes eu possuía dois professores, mas agora o número de educadores duplicou. Isso é bom! O primeiro é do gênero feminino e está a graduar-se na UFPE — na verdade, formar-se-ia este ano se a Universidade não estivesse em greve. Quanto ao segundo, é do gênero masculino, o vi em algum concerto mas não pessoalmente e fui super indicado para ele pelo meu primeiro professor particular. Parece que essa indicação valerá por um desconto no preço das aulas: :]
A única parte difícil de estudar com quatro professores distintos é a diferença marcante no modo de ensinar e os hábitos técnicos que cada um possui e tenta passar para o aluno. Por exemplo, segundo meu primeiro professor particular de violino, o meu mais novo professor toca com as pontas (quase com a unha) dos dedos de tanto estudar cordas duplas, mas eu fui instruído para tocar com os dedos levemente deitados sobre a corda. Atualmente, estou estudando cordas duplas, então estou a adaptar-me ao novo modo. Mas eu não tocarei quase sempre desse modo como o meu mais novo professor. O problema maior é quando o método pedagógico de algum professor é inflexível com outro método, por exemplo, alguns diriam que um hábito diferente que não prejudica o desenvolvimento técnico está absolutamente errado. É como afirmar que música atonal é horrível e imprestável ou dizer que a maior parte da arte contemporânea é desprovida de beleza estética. Nenhuma das afirmações estão certas ou erradas, portanto são cousas relativas cuja percepção delas depende do olhar do observador.
Faltam 30 dias para o meu aniversário de 16 anos. Presentes? Eu aceito que são poucos, mas especiais. Pequenino, pode ser uma margarida. Mas é necessário ser uma margarida escolhida ou cultivada com carinho.
Um abraço e carinhos durante todo o dia fazem bastar. Mas eu adoro livros, e recentemente estive presenteando-me. O que muito diferente de antes, quando eu achava que não merecia presentes. Hoje eu até pergunto se alguém há de me dar presente de aniversário, mas antes eu não sentia importância de ser presenteado.
O meu primeiro presente de aniversário fora comprado hoje por mim mesmo: "O Banquete" de Platão e "Os Sofrimentos do Jovem Werther" de Goethe. Eu possuía o segundo livro numa edição diferente da postada no link, mas ele está com outro pessoa e fora do país.
Mas o melhor presente que me dei hoje foi estar apreciando crianças animadas, felizes e saltitantes conhecendo pontos turísticos do Recife. Esses presentes do acaso são sempre os melhores.
Vou terminar de escrever o poste do dia 23 de agosto.
Ao vigésimo dia deste mês eu escrevi um poste, mas a natureza não permitiu terminá-lo. Salvei-o como rascunho, então eis o início do que seria um poste:
"É pelo motivo de ainda preservar os ideais deste blogue que escrevo este poste.
Hoje, o professor ajudou-me a realmente fazer o discurso a partir de " A Pedra Verde na Música de Luiz Gonzaga e o Mundo". Ele fora muito importante para por ordem em minha criatividade anarquista. Está tudo indo muito bem, e não é naturalmente.
Como Clarice Lispector ao escrever para o Jornal Brasil ..."
Eu não faço memória mesmo para continuar a expressar aqui o que eu falaria de Clarice Lispector. Tudo indica que eu explicaria as origens do novo título do blogue e os motivos que levaram-me a criar o Reflectere. Logo, eu falaria d'uma petiz de Cabo Verde — disso eu lembro mesmo.
Após alguns descobrimentos que mudaram meu humano, faço outra descoberta. Ela é exatamente essa: De Passagem. Não é uma grande descoberta, mas é como descobrir uma pequena cratera na penumbra do pólo sul da lua. O blogue não foi de todo excepcional, o que realmente o foi esteve na descoberta de um vídeo postado pelo autor do blogue, o(a) Marte. Esse é o vídeo:
Molho a cútis de água salgada facilmente. Porém, eu não a molhei dessa vez. Foi bizarro — e "foi bizarro" é pouco para mim, mas por vezes é necessário tomar um ar na superfície do mar. E é o que eu faço agora. O problema é o medo de mergulhar fundo depois. Mas isso superamos. Juntos superaremos. —, foi muito bizarro! A minha mãe viu o vídeo comigo e molhou a cútis. Foi nesse momento que não senti-me humano, enquanto sentia silenciosamente as dores da garota.
"Qual é a paisagem sob o céu rosa escondido dentro daquele tímido e sorumbático olhar?" — indaguei-me absorto.
Eu ainda não descobri. Mas a minha mãe, que tem sempre magnas ideias, acabou por ter uma após um momento de distração com os papéis sobre a mesa do computador.
...
Desculpem-me... É que escrever apreciando música tornou-se um hábito úmido e gosmento, isto é, necessário para a vida de escrever. Fiquei com vontade de apreciar música antiga, especialmente a grega. Então eu decidi que esse disco da Ensemble Melpomen seria o ideal. Voltando à garota...
Minha mãe pensou em encomendar um magnífico bolo rosa e solicitar uma entrega para a tal garota sonhadora.
Continuei em silêncio e ele dizia: " Mãe, como eu tenho orgulho de ti!"
De fato, antes de dormir arrependi-me por não ter expressado em som o que meu silêncio queria dizer. Como pude?
Naquele mesmo dia, antes de sair de casa, disse-me ela que sentia muito orgulho de mim.
Eu não pensei em expressar o orgulho que sentia por ela, não mesmo, e não entendo o motivo. Não obstante disso, fiz expressar assentimento com a ideia e prometi pesquisar acerca d'ela e encontrar meios para a realização do sonho da "Garota Sonhadora". É meu dever.
Quando em criança, eu sempre quis ajudar a humanidade de algum modo. E tinha o sonho de falar mais línguas do que o João Paulo II. Hoje, sei eu que poderei chegar aos 30 anos falando no mínimo 8 línguas. Ainda guardo muitos sonhos de infância, um deles é ter uma enorme biblioteca e convidar pessoas que gostam de ler mas não possuem dinheiro para comprar tantos livros. Mas há um maior, um sonho tão grande que não cabe na cabeça de todos os animais pensantes do planeta: levar a música erudita sinfônica para as crianças dos pontos remotos desse grande pedaço de rocha. E, por fim, sonhei algo novo recentemente: passar os meu últimos dias de vida numa tribo indígena e morrer ser humano, após a minha longa jornada existencial num deserto que eu chamo de "Vida".
Sou um assíduo observador, sinto as pessoas e noto suas idiossincrasias que fazem-me, de algum modo, descobrir o mundo. Entretanto, sou tão tímido quanto o personagem de Clayton Froning no curta Park Bench que o Cesinha postou em seu blogue no começo do mês e isso faz retardar qualquer gênero de evidente reação minha para as atitudes das pessoas.Essa tal introspecção faz-me, em tempos de tomar ar na superfície do mar com pétalas de rosas brancas, ter medo de ir fundo onde a correnteza deseja levar-me.
E parece que tudo hoje está levando-me para um assunto perseguidor de mentes leves no ar sobre o mar com pétalas de rosas brancas: o primeiro beijo.
Eu nem queria falar acerca d'ele... Na matina, ao ler o blogue da Evana Ribeiro deparei-me com um poste sobre o primeiro beijo. Mais tarde, no intervalo da escola de meus estudos acadêmicos regulares a vice-representante de turma perguntou-me se o meu primeiro beijo já ocorreu. Eu disse que não, sem ruborizações. Ela fitou-me como para candidatar-se, então eu prontamente respondi que eu não poderia beijar a minha vice-representante de sala. Foi o fim para ela. Quando, enfim, durante a noite, o tema "primeiro beijo" persegue-me na aula de inglês. Então: "É verdade que eu nunca parei para pensar acerca de como ele será? "
É verdade, eu nunca beijei ninguém. Nunca senti os lábios de algum outro ser humano — se tartarugas possuem lábios, então eu já beijei a Nicole quando em criança —, apesar de já tê-los descrito de modo parcial em Bolhas de Papel. E Ainda descrevo um pouco o amor em Non Ti Scordar Di Me. O fato é que, ao ver o manuscrito em um dos meus fichários, posso dizer que eu os escrevi aos 13 anos de idade. Não pode ser, aos treze anos escrevi acerca d'algo que agora sinto-me embaraçado ao escrever novamente.
Após a aula de inglês, eu tomei uma atitude que mudaria o meu pensar acerca do meu primeiro beijo.
Eu cumprimentei a Evana Ribeiro; bebi uns seis copos de água e prometi para ela que faria um poste acerca de seu booktour. Ela ficou surpresa em saber que eu tinha um blogue.Na verdade, eu já tive um outro blogue. Ele era acerca de Astronomia. Em casa, eu volto ao blogue dela pra — aqui eu sou influenciado pelo modo suave de escrever que a Evana Ribeiro tem — pegar as informações ao meu poste; a página sobre e desce; não resisto e leio novamente o poste acerca do primeiro beijo.
Eu não sei quando ele será. Mas há de ser especial, e também há de ocorrer naturalmente. Além de tudo isso, o que eu mais desejo é que ele faça durar para sempre como o beijo que a Evana Ribeiro descreveu.
Em sequência, transcrevo o poste Promessa é dívida da Evana, que é uma escritora excelente e incomum em meio ao estilo dos escritores "perrnambucanos":
"Ainda mais quando você se promete a alguém. Hoje, mexendo em uns livros e vídeos antigos, parei para lembrar daquele dia que ficou registrado na fita número 3 da Nadia.
Havíamos completado 8 anos há pouco mais de uma semana e estávamos, minha irmã e eu, brincando com nossos presentes no playground do prédio onde vivíamos com mamãe e nosso padrasto. Nadia tinha ganhado uma câmera de vídeo. Eu, um par de patins. E a gente ficava lá a tarde inteira depois da escola inventando história para fazer filmes, novelinhas, essas coisas... Para assistir a tudo mais tarde.
Nosso filme daquele dia era inspirado na novela das 8: a mocinha havia sido prometida contra a vontade dela a um garoto filho de família amiga; mas o coração dela queria pertencer a outro rapaz etc. Aquela novela que todo mundo já viu. A mocinha era eu. O meu "noivo arranjado" era o primo Nikolai, que tinha vindo passar um mês com a gente. Nossas mães eram Nadia e Natalia, a irmã mais velha do Niko, que já era uma aborrecente mas ficava com a gente porque alguém tinha que ficar de olho.
E Daniel era o mocinho que vinha roubar meu coração que, no filminho, estava amarrado a uma promessa. Ele não estava na brincadeira, só para constar. Daniel era então namorado da nossa irmã postiça, Isabel; e eu suspirava por ele toda vez que ele ia lá no prédio para ver Isabel.
Eu mal tinha completado 8 anos; ele tinha completado 23 uns dias antes do meu aniversário.
Quando Dan saiu do elevador e cruzou o play, a gente estava fazendo uma cena em que a minha mocinha se lamentava pelo destino de casar sem amor. Nessa hora ele passou e quase estragou a brincadeira dizendo "oi, turminha". Mas eu, sabe-se lá como, qual foi o impulso, levantei do banquinho e fui até ele.
- Daniel, posso te dizer um negócio?
- Fala, Tininha.
- Quando eu crescer, a gente vai se casar.
Obviamente, ele riu. Eu era só uma menina de 8 anos que ele via patinar no playground dia sim, dia não; eu era só a irmãzinha bebê da namorada dele. Uma namorada com quem ele vivia brigando, e rompendo, e reatando... Ele riu, passou a mão nos meus cabelos e foi embora num fusca verde-garrafa. Para ele, tinha sido uma coisa de pirralha que seria esquecida assim que eu cruzasse o portão da escola no dia seguinte e visse o garoto mais bonito da sala. Para Nana, era uma cena muito bem filmada. Para mim, era a promessa mais séria já feita.
O tempo passou, aquela fita acabou e foi para a estante, outras vieram para nossa enorme coleção, crescemos e completamos 15 anos. Ele completava 30 uma semana antes e, no dia do baile de debutante, foi meu príncipe - pedido meu, e ele, que há uns seis anos já não é mais meu cunhado postiço, aceitou prontamente.
Meia-noite e meia, saímos do salão.
- Você tá muito linda. A fila de pretendentes deve estar bem grande, né?
- Bem, depende do referencial. - eu ri.
- Lembra que um dia você disse que a gente ia se casar? Eu ia acabar quebrando a cara com esse monte de moleque correndo atrás de você...
- Mas eu lembro! Tô espantada é de você lembrar.
Nisso eu olhei para o chão, meio envergonhada como toda adolescente fica quando a lembram das besteiradas da infância. Devo ter ficado vermelha também, mas isso a maquiagem abafou.
- Te vendo agora, lembrei.
Dan tocou meu queixo, me fez olhar pra ele e sorriu. Parecia dizer com o olhar que estava disposto a cobrar a promessa. Foi assim o meu primeiro beijo.
Uma história para contar para os filhos, não? Foi o que disse a ele na noite do casamento, seis anos depois do primeiro beijo. Para minha irmã, disse que aquele filme da fita número 3 tinha sido o melhor já feito, porque não tinha acabado junto com a fita."22/08/2012
À apreciação da música incidental Peer Gynt do compositor norueguês Edvard Griegcom a Estonian National Symphony Orchestra, cuja citada obra é uma musicalização duma peça teatral de cinco atos do dramaturgo moderno norueguês Henrik Ibsen. Só a aprecio e escrevo, vou deixar análises para depois. Digo, antes de dizeres que não conheceis a obra, que vós a conheceis mui bem. E eu hei de provar no final do poste.
Eu não deveria estar cá, pois estava a terminar de ler A Paixão Segundo G.H. de Clarice Lispector. Mas eu desejei escrever um pouco, então...
Esse é um livro que deixou-me com um espanto infantil estrondoso de mudez e uma certa consternação, e talvez até senti-me exasperado no primeiro contato chocante com a nova realidade que a escritora abordava. Antes de lê-lo achava-me humano, primitivamente humano. Mundano, celeste e necessário. Mas Clarice, mais uma vez, transgrediu-me e fez-me transcender. Perdi-me pela encanação do prédio; desorganizei-me e morri. E por morrer é que estou vivo escrevendo para vós. Bom, outro dia eu o resenho para vós, já que eu sequer terminei de lê-lo.
Por fim, assim como minha amiga, a Geovana Germano, que disse que eu deveria lê-lo o quanto antes possível, me convencendo com a sua narração do limiar irreal e ilógico da estória de Lispector, digo para vós que esta é uma leitura altamente recomendável. Aliás, ela é uma leitura altamente recomendável principalmente para aqueles que já possuem alma formada.
É entre a Literatura e a Música onde eu vivo. Uma começa quando a outra termina, respectivamente. De modo natural, um bom compositor, assim acredito, deve dominar ambas. Eu trabalho e estudo para dominá-las, é um de meus objetivos finais enquanto organismo vivo neste planeta.
Como já falara aqui, a 23 de agosto farei uma apresentação na câmara municipal. É a segunda vez que sou convidado, ou seja, um honra para mim. Como parte da preparação do repertório, eu estava a fazer um arranjo para piano e violino d'algumas músicas do conterrâneo Luiz Gonzaga, já que irei honrar a arte armorial por lá no centenário desse artista "perrnambucano". Eu irei falar algo, claro, antes de minha apresentação.
"Que tal fazer um discurso antes de apresentar os músicos que hão de me acompanhar?" — pensei.
Após ter pensado no discurso, tive a magna ideia de transcrever uma redação da verificação bimestral de aprendizagem que fugiu das regras estruturais — meu professor diz que sou rebelde e anarquista escrevendo e compondo, então o céu para mim está na prática da obediência ao escrever e compor — que fugiu das regras estruturais para um discurso. Isso é algo como " eu sou bom em poesia, mas preciso melhorar no poema", segundo disseram-me.
Agora, ao retirar o rascunho da redação, que foi o primeiro, de meu fichário tento analisar qual o título que dei eu para ela. Olho atentamente para a margem superior da lauda procurando o título, mas encontro apenas a anotação do número de linhas disponibilizados na verificação de aprendizagem: "27 linhas".
Revirando o baú mental, posso quase ter certeza que o título era " A Pedra Verde na Música de Luiz Gonzaga e o Mundo", então fiquem com "A Pedra Verde na Música de Luiz Gonzaga e o Mundo — por divino obséquio, comente se pensares nalgum novo título — :
" Luiz Gonzaga representa, ao mesmo tempo que é festivo e noturno em sua obras, o âmago e a cerne da alma nordestina não só para o Brasil, mas outrossim ao mundo.
Nós sabemos o quão exímio foi ele em sua arte, e isso fê-lo mostrar além das vivacidades festivas das terras de cá. Ele foi um artista cujo apogeu musical vivenciou o estabelecimento da soleira do templo do Movimento Armorial de Ariano Suassuna, onde as artes eruditas e populares bailavam juntas e onde o divino e transcendental faziam bailar com o humano e o visceral. Isso, sem dúvida, o influenciou e o fez mostrar o quão verdes são as nossas pedras, que nas bandas de cá existem em excesso.
A prova da influência do eruditismo, algo que o eleva para outro patamar, em suas obras está na mudança de tons, de Sol Menor para Lá Maior, como exemplo, que brotam inúmeras vezes nas músicas compostas por ele e Humberto Teixeira a partir da década de 50, quando era germinado o Movimento Armorial. Apenas ótimos compositores fazem essa proeza de mudança de tom numa música em prol da harmonia. A crítica social em ABC do Sertão é outra prova da influência do modernismo erudito, que vê a arte com propósitos sócio-estéticos.
Ele faz tornar mundial sua música em Pagode Russo em Sol Menor, onde o motivo do tema principal é inspirado, mesmo que inconscientemente, em populares músicas das noites russas czaristas em bordéis, que também inspirou o grande compositor russo Tchaikovsky, a obra do último citado, por sua vez, muito relacionou-se com as pinturas abstratas de Kandinsky.
O erudito Rafael Garcia diz que ele é um dos maiores compositores entre os eruditos e populares da música nacional. Eu digo que ele quebrou nossas pedras verdes e espalhou pelo mundo, ele fez a Terra da Pedra Verde ganhar o mundo. Amém!"
É, ao escrevê-la novamente vejo que preciso fazer algumas modificações e também noto que viajei alguns séculos escrevendo-a.
Deu para notar o repertório? Ainda terá Chanson Triste de Tchaikovsky (a interpretação do link com o Bratza é minha favorita).
Pararei por cá mesmo. Amanhã escreverei acerca do X Encontro de Música Antiga de Recife/Olinda e do BookTour da Evana Ribeiro.
Acho que não é só hora da prova, é hora da evidência. Com vocês, Morning Mood da obra incidental para orquestra sinfônica composta por Edvard Grieg: