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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Fluxo II e Memória V

"vou confessar, estou quase desistindo... como assim??, fiz planos por 1, 2, 3, 4, 5 6, 7, 8, 9, 10 dez meses e vou para agora? logo agora? parece que nem mesmo a carta da Clair levantou os ânimos. vou fechar o blogue... — O que tem a ver o blogue? —  milhas longe é onde a minha depressão está, mas é bem verdade que tem momentos que sinto vontade de fazer nada, nem música, nem história, nem literatura, e parar... parar... vou continuar..., mas não por haver um forte motivo interior que faz impulsioná-lo, por algo externo e que não posso compreender. é algo que não se pode ver. nem sentir não se pode. sentir?? ... eu vou por ir... e vou... não sei para onde irei mais... mas irei... irei por ir... é insistir para existir... acho que é o cansaço físico, mais minha nostalgia, e as dores por todo o corpo causado pelo meu violino... preciso de um médico... mas só depois da viagem... não posso não viajar... o que há de me ocorrer nos próximos seis meses? e nos próximos oito anos, o que há de me ocorrer? que horror é o escuro do destino... escuro seco, gosto de algo molhado de preto... molhado de mar... de mar agitado porém lento... molhado de mim sobre o mar... molhado de mim sobre o mar e sob nuvens pouco espessas... finas... agudas... agudas como lá... lá menor — É o tom de uma música. — ... vou ler... amar é o que me sobra... acho que a diferença ente mim e meu pai é que eu ainda tenho esperança na humanidade e ele, por suas experiências pessoais, a perdeu num processo lento de misantropação ... — É o que acontece quando se escreve pensamentos.   não tenho dúvidas que isso o tornou a figura que ele é, uma adição de sabedoria, ignorância, filosoficamente falando, sentimentalismo, melancolia, pessimismo e indiferença por tudo da vida. gostaria de ser como qualquer um... gostaria de não saber de nada... viver sem sentir a realidade... viver num mundo pequeno onde a ignorância e a escuridão seriam os saberes supremos...  hora de ir...

     Confesso que gostaria muito de ficar com meus pensamentos. Gosto de pensar e escrever o que penso, sem censura. Foram pouquíssimos minutos de pensamento o que eu escrevi. Hora de ir, tenho aula. E posso imaginar que bela aula será já que não conseguir progredir o que deveria hoje. :(

Memória V


O Lago das borboletas divinas criadas por Deus.

Que peso!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

     Meu corpo está cansado..., porque senti demais hoje. O pior de tudo é que fiz reprimir-me. Não, eu só guardei. Guardei por não achar o melhor momento. E vivo um intenso amor não partilhado. Sou paciente.
     Ele não é só minha pérola da Capibaribe, ele também é mon chevalier
     Pensar que estarei muito distante dele em dois meses dói-me os sentimentos. 
     
     Ainda estou com partículas próprias do corpo dele, o seu olor idiossincrático, aquele perfume agradável característico naturalmente de cada pessoa.
     Seu belo e frágil corpo. Todos os seus gestos, todos os seus hábitos, o seu sotaque recifense, tudo isso me faz não ter medo de morrer (estou a ser sincero, apesar de ainda não compreender esse sentimento). E se falei em sentimentos, todos os meus momentos íntimos ou não com ele despertam-me os mesmos sentimentos escritos em meu diário a 12 de novembro de 2012.

    Eu não pretendia escrever por cá hoje. Na verdade, disse para a G. V. que pretendia parar essa parte da minha cápsula do tempo (o reflectere) até fevereiro.
     Por mais dedicado à musica que sou, preciso de mais dedicação.
     Nas palavras do professor, estou "arrasando" com meu grande e atual autoestima e confiança. Estou sendo até mais delicado com meu violino.
     Tal é a dedicação que abstive-me da escrita, e até parei de escrever Ar e Água, romance que comecei a escrever e que será dedicado para aquele sobre o qual eu falei nos parágrafos acima. Se ele for um leitor muito assíduo e perspicaz (ele só é assíduo, por todas as leituras que já vivi com ele), poderá perceber que Ar e Água é uma das muitas declarações de amor que faço para ele.

     Recado dado? Eu escreverei pouco por cá até fevereiro. Está sendo difícil afastar-me da literatura, mas parece que eu não escolhi a música. Por vezes, só de quando em vez, penso que as musas me escolheram na realidade.

     Estudaria música agora. Mas não consigo agora. Preciso descansar meu corpo suado de tanta emoção guardada.

     Até a próxima.

P.S.: Bratz, perdoe-me por não responder seu comentário no poste (não quero ir lá, e não sei o motivo e... não sei). Fico feliz por sua impressões de cá. Agora deves saber que fazes parte da minha memória. Eu tenho seu blogue no meu gerenciador de favoritos, só nunca comento porque sou tímido em comentários nos blogues mesmo — meu pensamento enquanto escrevia: "que a verdade seja dita!" —. És bem achegado por cá.

Outro Pós-escrito: Aliás, perdoem-me todos os blogueiros que leem isso aqui. Um dia eu tomo coragem e publico os rascunhos de comentários que tenho no word.

sábado, 27 de outubro de 2012

Fluxo I

     Eu sei. Sou um ser que sumiu da "Blogsville" agora. Estou atrasado nos comentários e leituras  dos blogues que costumo ler.
      Após a mudança de residência do dia 15, fiquei desconectado da Rede. Não está sendo muito difícil. Ando a escrever cartas e a anotar em meu fichário para amainar a distância de cá.
      Eu vos responderei nos comentários, sem dúvida.

     Observo, só agora, que existem certas características em meu blogue que fazem parecer com a estrutura de uma música erudita comum  anterior ao século XIX.
     Eu começaria a explicar em grandes parágrafos todos os pormenores que fazem-me pensar assim e todos os pressupostos que levaram-me ao pensamento tal, além de descrever todas as características presentes no objeto principal do meu pensamento. Fá-lo-ia, pois agora controlo o que escrevo. É... mas a entrelinha ainda domina o que escrevo,  e tenho prazer nisso.

     Lembram do meu amor de "Te Mereço", de "Conversa Comigo Mesmo", da concha e de vários outros momentos de cá? Confessamos que nos amamos. Mas confessamos sem citar a palavra "amor", pois  ainda temos medo dela como em "O Segredo" de Clarice Lispector.
     Nessas confissões, a partir duma carta, nasceu a ideia de escrever um conto. Eu o chamei de "Ar e Água". Há jardineiros, um esposo morto, uma viúva depressiva, viagens para a Itália e talvez ele tenha monges e o reencontro da felicidade após uma grande perda. Ele será dedicado para a pessoa que eu amo e só os indivíduos que verdadeiramente me conhecem saberão que ele é a maior declaração de amor que já fiz para alguém.
     Eu só fiz uma declaração de amor até hoje. Não, duas. A primeira ocorreu quando eu tinha dez anos. Envolveu rosas vermelhas, poema e a garota mais bela da sala que se parecia, segundo eu, com Kate Winslet. A segunda declaração só envolveu mãos e olhos negros e verdes. Parece pouco, mas foi uma relação intensa. Ela foi sensivelmente íntima. Ele era violinista e parecia um anjo. Eu segui em frente e ele ficou no curso de Engenharia com um grande armário e histórias para contar.
     De quando em quando encontro o violinista que se parece com um anjo. As mãos até já pediram algo, mas só o olhar tímido diz "Olá" na livraria quando fazemos desviar nossos olhos do livro que pretendemos comprar. Foram bons tempos. Ainda bem que os vivi. Aí sobra a nostalgia, é gostoso sentir ela.
     Doeu após retirar de mim, como se tira víceras de um leão vivo e pulsante, os sentimentos que por ele possuía. Apesar de tudo, não acreditei que, como o despertar de um sonho ameaçador pela luz matinal do sol, eu pudesse superar tudo tão rapidamente. Superei, bravamente.
    
...

O primeiro fluxo para. O primeiro fluxo pára. Parei de pensar — mentira! —.

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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

     Quereria até escrever mais... — Quereria... Aliás, é o querer — Mas ainda estou com medo do que posso descobrir ao escrever aqui. Sequer vou contar as novidades, pois eu sei que hei de terminar escrevendo acerca do que não quero. Sobretudo, posso não escrever, mas ouvir. Ouço o pulsar e o hálito, ouço os corvos nas águas. É que ser-me dói a minha personalidade branca e transparente como o ar — o ar é branco? — e gélida como a água do mar.
     Tenho medo dos devires e esse já era um dos devires. Eu escrevo sobre o que tenho medo e o conheço no inconsciente — é que ser-me dói —. 
     Acabei de pensar no que não pretendia escrever por medo de descobrir como é sentir a dor aguda de ser-me, como falara. É que as dores agudas precedem a sobrevivência. Eu sou a sobrevivência de meus seres e por isso vivo.

     Terei uma master class  com o violinista norte-americano Kristopher Tong na sexta-feira dessa semana. Sorte para mim!

     Música do dia sugerida indiretamente pelo R. W.:

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

     Vamos a um pequeno resumo dos quatros primeiros dias da semana, já que costumo dormir quando escrevo cá no fim do dia.
     Ela esteve sendo de descobertas (encontrei peixes dourados na superfície do mar com pétalas de rosas brancas), conquistas, conflitos internos (eles não estiveram sendo comuns recentemente) e mudança repentina de alguns planos.

     Eu ainda continuo na superfície do mar existencial com pétalas de rosas brancas. Eu até arrisquei mergulhar, mas, apesar da confiança que sentia no ato de mergulhar e sair da superfície, eu engasguei de medo enquanto tentava ir mais fundo no mar. Então, eu volto para a superfície hesitando em fazê-lo novamente; depois eu decido que não mergulharei por mais uma vez nos próximos breves tempos, mas pude estar mais confiante para a próxima.
     Eu tentei descobrir os motivos do medo. Procurei e procuro... Acho, enfim. Por achá-lo, eu posso dizer que ninguém deve se decepcionar com as queimaduras após tocar as águas-vivas do mar existencial.
     
     Contar-vos-ei essa história realmente muito real:
     Ocorreu uma ininteligível  atração súbita quando vi as águas vivas passarem bem pertinho de mim. Estávamos em dimensões diferentes, mas eu podia percebê-las. Encantei-me e apaixonei-me por elas. E essa paixão misteriosa entre um mergulhador e água-vivas fez-me dedicar dia e noite para transcender à outra dimensão. A outra dimensão estava bem próximo de mim, bastava mergulhar. Entretanto, eu era o meu limite, eu era a minha pedra.
     Mas houve um dia, como quando nos primeiros momentos em que uma criança percebe que aprendeu a andar de bicicleta sem rodinhas auxiliadoras, que fechei os olhos e passei, de modo corajoso, para a outra dimensão.
     Eu só queria vê-las, apreciá-las e ouvir seus movimentos na água. Mas eu, sobretudo, desejava tocá-las e abraçá-las. Eu o faço, após vários dias de reflexão pessoal.
     Oh!, como doeu quando descobri a dor de tocar objetos de outra dimensão. Senti prescindíveis nevralgias até descobrir que as águas-vivas eram constituídas de apenas energia escura. E é claro que um ser constituído basicamente de carbono e proveniente d'outra dimensão(ou universo paralelo) só poderia sentir feéricas nevralgias. Ao menos essas feéricas nevralgias me levariam para conclusões incríveis acerca das águas-vivas: elas são surdas. Mas também concluí que nunca deverei tocar novamente em um ser de outra dimensão, e assim ficou o trauma. Esse é motivo do medo em ir fundo no mar existencial com pétalas de rosas brancas.
     Eu tenho sempre uma música para momentos em que lembro das águas-vivas e começo a pensar que não sou capaz. Aliás, acho que irei postá-la no fim do poste.

     Haverá replay da apresentação da semana passada. Amanhã terei um jantar com pessoas que tornaram-se especiais para mim.       Sim! O V. W, o Geraldo e o A. tornaram-se especial para mim.

     Agora, por fim, poderão apreciar a música para os momentos em que eu lembro das águas-vivas. Eu escolhi o videoclipe por ele ilustrar bem o que eu falei, mas eu prefiro a versão acústica. Em sequência, Shake It Out com a linda Florence Welch:

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A Garota Sonhadora e o Primeiro Beijo

    Ao vigésimo dia deste mês eu escrevi um poste, mas a natureza não permitiu terminá-lo. Salvei-o como rascunho, então eis o início do que seria um poste:

     "É pelo motivo de ainda preservar os ideais deste blogue que escrevo este poste.

     Hoje, o professor ajudou-me a realmente fazer o discurso a partir de " A Pedra Verde na Música de Luiz Gonzaga e o Mundo". Ele fora muito importante para por ordem em minha criatividade anarquista. Está tudo indo muito bem, e não é naturalmente.
     Como Clarice Lispector ao escrever para o Jornal Brasil ..."

     Eu não faço memória mesmo para continuar a expressar aqui o que eu falaria de Clarice Lispector. Tudo indica que eu explicaria as origens do novo título do blogue e os motivos que levaram-me a criar o Reflectere. Logo, eu falaria  d'uma petiz de Cabo Verde — disso eu lembro mesmo.

     Após alguns descobrimentos que mudaram meu humano, faço outra descoberta.  Ela é exatamente essa: De Passagem. Não é uma grande descoberta, mas é como descobrir uma pequena cratera na penumbra do pólo sul da lua. O blogue não foi de todo excepcional, o que realmente o foi esteve na descoberta de um vídeo postado pelo autor do blogue, o(a) Marte. Esse é o vídeo:

     
     Molho a cútis de água salgada facilmente. Porém, eu não a molhei dessa vez. Foi bizarro — e "foi bizarro" é pouco para mim, mas por vezes é necessário tomar um ar na superfície do mar. E é o que eu faço agora. O problema é o medo de mergulhar fundo depois. Mas isso superamos. Juntos superaremos. —, foi muito bizarro! A minha mãe viu o vídeo comigo e molhou a cútis. Foi nesse momento que não senti-me humano, enquanto sentia silenciosamente as dores da garota.
     "Qual é a paisagem sob o céu rosa escondido dentro daquele tímido e sorumbático olhar?" — indaguei-me absorto.
     Eu ainda não descobri. Mas a minha mãe, que tem sempre  magnas ideias, acabou por ter uma após um momento de distração com os papéis sobre a mesa do computador.
...
Desculpem-me... É que escrever apreciando música tornou-se um hábito úmido e gosmento, isto é, necessário para a vida de escrever. Fiquei com vontade de apreciar música antiga, especialmente a grega. Então eu decidi que esse disco da Ensemble Melpomen seria o ideal. Voltando à garota...
     Minha mãe pensou em encomendar um magnífico bolo rosa e solicitar uma entrega para a tal garota sonhadora.
     Continuei em silêncio e ele dizia: " Mãe, como eu tenho orgulho de ti!"
     De fato, antes de dormir arrependi-me por não ter expressado em som o que meu silêncio queria dizer. Como pude? 
     Naquele mesmo dia, antes de sair de casa, disse-me ela que sentia muito orgulho de mim.
     Eu não pensei em expressar o orgulho que sentia por ela, não mesmo, e não entendo o motivo. Não obstante disso, fiz expressar assentimento com a ideia e prometi pesquisar acerca d'ela e encontrar meios para a realização do sonho da "Garota Sonhadora". É meu dever.
     Quando em criança, eu sempre quis ajudar a humanidade de algum modo. E tinha o sonho de falar mais  línguas do que o João Paulo II. Hoje, sei eu que poderei chegar aos 30 anos falando no mínimo 8 línguas. Ainda guardo muitos sonhos de infância, um deles é ter uma enorme biblioteca e convidar pessoas que gostam de ler mas não possuem dinheiro para comprar tantos livros. Mas há um maior, um sonho tão grande que não cabe na cabeça de todos os animais pensantes do planeta: levar a música erudita sinfônica para as crianças dos pontos remotos desse grande pedaço de rocha. E, por fim, sonhei algo novo recentemente: passar os meu últimos dias de vida numa tribo indígena e morrer ser humano, após a minha longa jornada existencial num deserto que eu chamo de "Vida".
     Sou um assíduo observador, sinto as pessoas e noto suas idiossincrasias que fazem-me, de algum modo, descobrir o mundo. Entretanto, sou tão tímido quanto o personagem de Clayton Froning no curta Park Bench que o Cesinha postou em seu blogue no começo do mês e isso faz retardar qualquer gênero de evidente reação minha para as atitudes das pessoas. Essa tal introspecção faz-me, em tempos de tomar ar na superfície do mar com pétalas de rosas brancas, ter medo de ir fundo onde a correnteza deseja levar-me.
     E parece que tudo hoje está levando-me para um assunto perseguidor de mentes leves no ar sobre o mar com pétalas de rosas brancas: o primeiro beijo.
     Eu nem queria falar acerca d'ele... Na matina, ao ler o blogue da Evana Ribeiro deparei-me com um poste sobre o primeiro beijo. Mais tarde, no intervalo da escola de meus estudos acadêmicos regulares a vice-representante de turma perguntou-me se o meu primeiro beijo já ocorreu. Eu disse que não, sem ruborizações. Ela fitou-me como para candidatar-se, então eu prontamente respondi que eu não poderia beijar a minha vice-representante de sala. Foi o fim para ela. Quando, enfim, durante a noite, o tema "primeiro beijo" persegue-me na aula de inglês. Então: "É verdade que eu nunca parei para pensar acerca de como ele será? " 
     É verdade, eu nunca beijei ninguém. Nunca senti os lábios de algum outro ser humano — se tartarugas possuem lábios, então eu já beijei a Nicole quando em criança —, apesar de já tê-los descrito de modo parcial em Bolhas de Papel. E Ainda descrevo um pouco o amor em Non Ti Scordar Di Me. O fato é que, ao ver o manuscrito em um dos meus fichários, posso dizer que eu os escrevi aos 13 anos de idade. Não pode ser, aos treze anos escrevi acerca d'algo que agora sinto-me embaraçado ao escrever novamente.
     Após a aula de inglês, eu tomei uma atitude que mudaria o meu pensar acerca do meu primeiro beijo.
     Eu cumprimentei a Evana Ribeiro; bebi uns seis copos de água e prometi para ela que faria um poste acerca de seu booktour. Ela ficou surpresa em saber que eu tinha um blogue. Na verdade, eu  já tive um outro blogue. Ele era acerca de Astronomia.      Em casa, eu volto ao blogue dela pra — aqui eu sou influenciado pelo modo suave de escrever que a Evana Ribeiro tem — pegar as informações ao meu poste; a página sobre e desce; não resisto e leio novamente o poste acerca do primeiro beijo.
     Eu não sei quando ele será. Mas há de ser especial, e também há de ocorrer naturalmente. Além de tudo isso, o que eu mais desejo é que ele faça durar para sempre como o beijo que a Evana Ribeiro descreveu.
     Em sequência, transcrevo o poste Promessa é dívida da Evana, que é uma escritora excelente e incomum em meio ao estilo dos escritores "perrnambucanos":
     "Ainda mais quando você se promete a alguém. Hoje, mexendo em uns livros e vídeos antigos, parei para lembrar daquele dia que ficou registrado na fita número 3 da Nadia.
Havíamos completado 8 anos há pouco mais de uma semana e estávamos, minha irmã e eu, brincando com nossos presentes no playground do prédio onde vivíamos com mamãe e nosso padrasto. Nadia tinha ganhado uma câmera de vídeo. Eu, um par de patins. E a gente ficava lá a tarde inteira depois da escola inventando história para fazer filmes, novelinhas, essas coisas... Para assistir a tudo mais tarde.
Nosso filme daquele dia era inspirado na novela das 8: a mocinha havia sido prometida contra a vontade dela a um garoto filho de família amiga; mas o coração dela queria pertencer a outro rapaz etc. Aquela novela que todo mundo já viu. A mocinha era eu. O meu "noivo arranjado" era o primo Nikolai, que tinha vindo passar um mês com a gente. Nossas mães eram Nadia e Natalia, a irmã mais velha do Niko, que já era uma aborrecente mas ficava com a gente porque alguém tinha que ficar de olho.
E Daniel era o mocinho que vinha roubar meu coração que, no filminho, estava amarrado a uma promessa. Ele não estava na brincadeira, só para constar. Daniel era então namorado da nossa irmã postiça, Isabel; e eu suspirava por ele toda vez que ele ia lá no prédio para ver Isabel.
Eu mal tinha completado 8 anos; ele tinha completado 23 uns dias antes do meu aniversário.
Quando Dan saiu do elevador e cruzou o play, a gente estava fazendo uma cena em que a minha mocinha se lamentava pelo destino de casar sem amor. Nessa hora ele passou e quase estragou a brincadeira dizendo "oi, turminha". Mas eu, sabe-se lá como, qual foi o impulso, levantei do banquinho e fui até ele.
- Daniel, posso te dizer um negócio?
- Fala, Tininha.
- Quando eu crescer, a gente vai se casar.
Obviamente, ele riu. Eu era só uma menina de 8 anos que ele via patinar no playground dia sim, dia não; eu era só a irmãzinha bebê da namorada dele. Uma namorada com quem ele vivia brigando, e rompendo, e reatando... Ele riu, passou a mão nos meus cabelos e foi embora num fusca verde-garrafa. Para ele, tinha sido uma coisa de pirralha que seria esquecida assim que eu cruzasse o portão da escola no dia seguinte e visse o garoto mais bonito da sala. Para Nana, era uma cena muito bem filmada. Para mim, era a promessa mais séria já feita.
O tempo passou, aquela fita acabou e foi para a estante, outras vieram para nossa enorme coleção, crescemos e completamos 15 anos. Ele completava 30 uma semana antes e, no dia do baile de debutante, foi meu príncipe - pedido meu, e ele, que há uns seis anos já não é mais meu cunhado postiço, aceitou prontamente.
Meia-noite e meia, saímos do salão.
- Você tá muito linda. A fila de pretendentes deve estar bem grande, né?
- Bem, depende do referencial. - eu ri.
- Lembra que um dia você disse que a gente ia se casar? Eu ia acabar quebrando a cara com esse monte de moleque correndo atrás de você...
- Mas eu lembro! Tô espantada é de você lembrar.
Nisso eu olhei para o chão, meio envergonhada como toda adolescente fica quando a lembram das besteiradas da infância. Devo ter ficado vermelha também, mas isso a maquiagem abafou.
- Te vendo agora, lembrei.
Dan tocou meu queixo, me fez olhar pra ele e sorriu. Parecia dizer com o olhar que estava disposto a cobrar a promessa. Foi assim o meu primeiro beijo.
Uma história para contar para os filhos, não? Foi o que disse a ele na noite do casamento, seis anos depois do primeiro beijo. Para minha irmã, disse que aquele filme da fita número 3 tinha sido o melhor já feito, porque não tinha acabado junto com a fita."   22/08/2012

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O visual, Aventuras Quânticas no Transporte Público Brasileiro, Per Aspera ad Astra

     Fizeram notar o novo visual? Sim, claro. É devido a um livro que li antes de começar a escrever neste blogue. Ainda não fiz resenha dele pois foi Clarice Lispector quem o escreveu. E eu a como, sinto-a e a digestão demora dias, mas por vontade própria, pois só se ler ela assim. Quem leu o livro descobrirá por uma lembrança da capa que será trazida pelo novo plano de fundo do blogue, sem citar o novo título, que fala absolutamente tudo, descartando até o plano de fundo inexato. Também pretendo trocar o endereço do blogue em cinco dias para "adescoberdomundo.blogspot.com".
     Eu pensei em escrever este poste e falar acerca do Alexandro, do qual eu já tratei aqui. Ocorram-me muitas coisas incríveis e também assaz deprimentes na última semana, de 29 a 5 de agosto. Eu o vi pela primeira vez, como descrevi no link citado, a 17 de abril de 2012, após o crepúsculo numa noite chuvosa. Pensei, após enviar meu correio eletrônico para minha amiga e ler sua resposta, que o eu esqueceria. Mas após o crepúsculo de 31 de Julho de 2012, numa noite chuvosa, eu o vejo entrar no ônibus e sentar no lado direito do autocarro, onde eu também estava e onde era o lado oposto donde nos sentamos juntos pela primeira vez. Fitamo-nos, lembramos de nós dois, era a prova que sentimos algo naquele dia.
     Entretanto, eu não quero continuar, pois não estava em minhas pretensões ir tão profundamente no meu escrito acerca do "ocorrido de carência". Descrevi objetivamente — há bem mais subjetividade e psicologia do que possam imaginar —, houve muitas emoções, idiossincrasias e outros gestos peculiares que observei. Eu tremi, fiquei extasiado e parei de ler um artigo acerca de mangas. Nos excitamos, ele me sentiu a algumas cadeiras além de mim e eu o senti. Fechamos as janelas ao mesmo tempo e também olhamos concomitantemente para a criança que chorava. Houve muitas outros pequenos ocorridos nesse magno acontecimento. Mas eu desisti e pretendo fazer de Alexandro nada mais que um personagem em minhas estórias. Ele há de ser meu eu lírico no mundo real, eu o sentirei enquanto escrever, e ele será meu eu lírico no mundo em que criarei. Então, ele me abandonará nas "Aventuras Quânticas no Transporte Público Brasileiro" e continuará existir noutros contos meus. Talvez ele me pertença na vida real, se não, estou conformado desde já. Resigno-o com paciência mansa de árvore secular. Paro aqui, pois como já disse meu escritor francês favorito, Guy de Maupassant, "a memória é um mundo mais perfeito que o Universo".

     Hoje conversei com o maestro L. T.,  incrível como em algumas horas conversas nos tornamos íntimos, amigos e fraternais. O propósito de nossa conversação era apenas tratar de assuntos acadêmicos acerca de meus futuros estudos noutras instituições. Foi tudo marcado e houve toda aquela solenidade de início de conversa entre pessoas que não se conhecem. Ele namora o T. S., que me indicou para ele, o L. T. É um casal lindo! Se tiverem lendo-me saibam mais uma vez que os congratulo e desejo muita iluminação, paz, amor e sucesso ao relacionamento.
     Mas a cerne da conversa e o que cá anseio expor não está em nada do que falei, está nas lembranças que trouxe-me ela. Uma delas, fez-me retornar para quando eu tinha quase 14 anos, quando também escrevi um conto que até hoje leio em vertigem. Eu o escrevi numa biblioteca e publiquei ano passado no sítio virtual (Autores.com.br). Ele chama-se Per Aspera ad Astra, leiam-no:

   "Defronte ao grande Abismo Lacrimoso de obscuridades, estava desamparadamente sedento. Ele, sobretudo, no grande abismo flutuava com contrariedade à gravidade, realidade e razão. “Per Aspera Ad Astra”, — sussurravam os Seres Sussurrantes iluminados, híbridos e presos na obscuridade do Lacrimoso. Entretanto, suas luzes escuras eram de tanto offuscatio que as sombras imperavam Nele. No profundo isolamento, sentia vibrações. Pareciam-me altas notas. Cujas provinham Dele, feixes de luzes iluminavam todo o meio do diferente ser de túnica, que através desta, parecia-me esconder alguma desintegração, enigmático e taciturno. Observou-me, não aos olhos. Sempre imaginei que já sabia de minha presença. Algo portentoso havia dentre seus pulmões pulsantes de ar. Não podia vê-los, mas senti-los. De alguma forma, Ele fazia-me saber disto.
     As vibrações oscilavam. Eis que as Musas avisam-me, não a física palpável, a identidade das vibrações: “Ode an die Freude” — murmurava-me à mente. Bizarramente, apenas após disto dei-me a ver suas faces de expressivas alegrias. Já despido, Elysium diferentes de outrens, oscilava na Quasi una Fantasia.

      Observou-me, desta vez, com seus ofuscantes olhos sombrosos que me cativaram e aprisionaram-me. Então, senti liberdade infinita: os olhos d’aquele ser penetraram os meus.

     “Oh, amado Ludwig! As estrelas virão para ti, com o meu amor sem fim.” — Cantarolava para mim, que já estava beirando a inconsciência, em tom melódico. Havia em mim apenas a neutralidade.
      “E das sombras de teu coração emanarão nossa eterna comunhão” — retrucava-O.

     A Ode dos Seres Sussurrantes tornava-se mais alta ao ponto de que uma vasta sombra saia dentre os pulmões de Elysium. Os firmamentos em tom vermelho abalaram-se. Buracos Negros e Buracos Brancos colidiram-se criando tudo que há de perfeito, pérolas, rosas e morangos no céu. A Ode dos Seres Sussurrantes tornou-se apogética a uma crispação até às escuridões do abismo enquanto inconscientemente dançava de forma irreal com Claudius e a Donzela, adormeci.

      Agora havia gravidade, realidade, razão o bastante e o abismo de luzes sombrosas tornou-se o mais perfeito Abismo Lacrimoso de sombras iluminadas e obscuridades esclarecidas. Por fim, despido e “integrado”, Elysium trouxe-me às profundezas do perfeito abismo, onde agora Deus e Satã com mãos entrelaçadas, vieram, assim como os anjos e demônios, a cerimônia bailar.  Flutuando, com um único gesto, guiou-me da beira do abismo aos pés dEle. Tudo Nele era tão ofuscante que em poucos instantes encheu-me de sombras. Pasmaram-se todos ao verem a minha luz sobressaída a todos os deuses e demônios e Seres Sussurrantes. Deus sentiu-se humilhado e condenou todos os amistosos demônios e anjos ao fogo eterno.

     Pairo no vácuo impulsivamente sobre todos enquanto uma guerra jorrava fogo atrás de mim. Eis que torno-me o Deus sol e todo o sangue, desesperanças, desventuras, desilusões, fomes e pestes cessam-se quando do sedento ao apaziguador torno-me. Mas este não era meu objetivo após o desfecho das objeções. Da mesma forma que pairei à cima, desci ao meu amado enquanto os Seres Sussurrantes reprimidamente sussurravam ao som de tambores, flautas e harpas: “Per Aspera Ad Astra.”

      Olhei nas profundezas de seus olhos negros, e falou-me à mente: “Oh, amado Ludwig! As estrelas vieram a ti, com o meu amor sem fim.”

“E das sombras de teu coração emanaram nossa eterna comunhão!..., meu Elysium.” — Retruquei-lhe beijando-o. Após, abraçamo-nos, damo-nos as mãos e como as estrelas das sombras perfeitas mostramos ao cosmos e a todos os deuses, demônios e Seres nossa perfeição e do nosso amor enquanto saíamos do abismo ao bailar das cintilantes estrelas.
     Eternamente amei-o e ele amou-me. Compus estridentes e catárticas composições amorosamente sutis e do nosso leite que alimentava nossa pequenina Hypatia nasceu as voluptuosidades da elegante Via - Láctea, que desta, por sua vez, proveio as sombras iluminadas: a vida e os humanos.

Ofegantemente inspirou e expirou.
— Eis aí, humanos! — falou o mendigo em tom arrogante para o guarda que o acordou pedindo para sair defronte da Grande Biblioteca Nacional de Quimerolândia.
— Saia já daí moribundo! — Gritou em tom extremamente arrogante.
— Arruínem-se, arruínem-se todos vós, destruidores de sonhos! — Respondeu ao guarda assentindo a ordem de retirar-se do local: berço da Quimerolândia."
     
     Também começarei a por títulos nos postes e organizar marcadores, mas ainda manterei a inexistência pública da opção de seguir este blogue.


     Cesinha, leio seu blogue desde o segundo dia deste ano. Já comentei como Herr Limes meses depois de teres escritos muitos dos teus postes só por introspecção e timidez mesmo. Posso não comentar, mas acompanho o desenrolar do drama de sua vida. Sucesso, caro rapaz!
     Margot, acompanho seu blogue desde julho e ainda não o segui por motivos inconscientes. Gosto de ver o mundo e a sensibilidade dalgumas pessoas nele, eu vejo isso no que escreves e vejo nos comentários de seus postes também. E seu blogue também é remédio quase tão bom quanto escrever. Iluminação e paz, cara Margot!
     Eu não imaginava ter ninguém aqui comentando, e por isso o nome era Reflectere, pois servia apenas para mim. Mas agora estou começando a aceitar que se escrevo, escrevo para o mundo. É a dor de quem tem filhos. Agradeço a quem esteve acompanhando as lágrimas de nascimento dum bebê.


Grande abraço,
até a próxima!

domingo, 5 de agosto de 2012

     Ele é boliviano, fala espanhol e português, não toca Tchaikovsky bem, ele não destaca as notas que deveria no concerto para violino em Ré maior do citado compositor russo e ainda desafina. Eu preciso dele para um feedback, será que o tal boliviano entenderá meu português mundano, linguisticamente falando? Ao menos estudou em um dos melhores conservatórios da América Latina.
     
     Sou exigente e busco a perfeição em tudo o que eu faço, consequentemente, acho defeitos e imperfeições em mim por demais, sou sempre insuficiente e menor, o que leva-me para a introspecção algumas vezes. Atualmente, eu posso falar algumas vezes por minha recente socialização simpática com o mundo.
     Apesar de tudo isso de que falei, há duas coisas de que me orgulho: Poder sentir cada detalhe de uma música e extasiar-me com isso e por compreender que apesar de minha vida ser um erro sem ela, eu posso viver sem a música. Ela pode ser substituída por filosofia, literatura, pintura, arquitetura, astronomia, física quântica e cous'outras do cotidiano que fazem-me feliz. Eu confesso que sentirei muitas saudades dela, mas como a música  não é o meu melhor insubstituível, poderei adaptar-me ao mundo sem ela.
     A música não é nada sem as partículas e sem os sentidos de máquinas complexas — nós, os seres humanos — que não percebem a realidade de fato assim como o cosmos permaneceria inexistente sem o pensamento reflexivo das complexas máquinas e o cosmos também continuaria a existir inexistente sem o pensamento reflexivo das tais máquinas complexas.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

     Extenuação física e melancolia são as "consequências patológicas" de todo o lume e frenesi  sobre o qual falei recentemente.

     Eu prometi explicar o meu desaparecimento. Bom, eu estava precisando dalgumas aulas particulares de violino a mais do que fora planejado. Eu não estava com o capital necessário para pagá-las, então eu decidi atrasar apenas um pouco o pagamento da web. A música é minha prioridade, apesar de amar a escrita e de amá-los também.

     Mas voltando ao assunto do começo desse poste, estou nesse estado de tal modo que estou frequentemente entre os sonhos dum profundo sono e a realidade. Estou assim exatamente agora. E preciso fazer um relatório da minha turma para entregar próxima semana, preciso escrever receitas para o meu grupo do trabalho acadêmico de biologia, preciso fazer contato com os alunos do Conservatório de Tatuí, preciso finalizar a etapa de "arquivamento de dados" e começar atuar o planejamento para conseguir uma bolsa de estudos no maior conservatório da América Latina, preciso tirar a melhor nota do bimestre em língua inglesa na minha turma, preciso conseguir entrar no programa Ganhe o Mundo, preciso progredir muito com o meu violino, preciso aprender La Primavera de Vivaldi e, de fato, o que eu mais preciso não é nada do que citei. 
     A minha mãe comentou que está feliz por eu finalmente ser mais sociável. Eu quero entender isso... Agora entendo. Estou sendo egoísta, pois eu sei bem os benefícios de ser sociável para os meus objetivos pessoais. Agora vejo que, talvez, fui ao extremo com a história de "parar um pouco de sentir as dores do mundo e das pessoas". A condição humana é angustiante e isso leva-nos ao nada. No vazio, sempre estiquei-me como plástico e quebrei como vidro. A minha socialização é apenas uma fuga, uma arte elaborada feita para apaziguar o espírito. Que assim seja, pois. Hei de acreditar, por enquanto, que isto funcionará.
     Ele vê o que os outros não veem. Eu vejo o que os outros não veem. Ele percebe a mitomania do mundo como eu. Mas ele aprendeu recentemente com Clarice Lispector que é necessário estar "na dele" e "não na do mundo". Incrivelmente, eu também aprendi isso. Ele acha isso uma tarefa impossível já que ele é terráqueo. E eu, após algumas breves elucubrações, começo a pensar igual a ele. E quando chegamos aí, vemos as nossas mais profundas semelhanças. Elas são tanto assim que eu vejo que sou Ele. Ele aceita, então Ele também sou eu. Eu estou nEle, e agora somos. Eu e Ele somos eu. Eu somos. E aceito o mistério de ser somos.

...

     Estou com o livro de língua portuguesa aberto. Isso fez-me lembrar das recomendações de minha professora acerca de escrever na sala de aula. Ela pediu moderação, pois, além de mim, ele é a única que entendia meus textos após ler duas ou três vezes — eu não acho tão complexo assim — e achar que compreendeu tudo para então perguntar a mim alguma coisa sobre o que eu exatamente quis dizer cá e ali. Ainda pediu para eu ler menos dicionários de sinônimos, mas eu não leio dicionário de sinônimos.
     Mas não foi apenas as minhas lembranças que fizeram-me comentar cá acerca de meu livro de língua portuguesa. Há um lindo trecho dum livro sobre poesia que gostaria de compartilhar convosco:

     A poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono. Operação capaz de transformar o mundo, a atividade poética é revolucionária por natureza; exercício espiritual, é um método de libertação interior. A poesia revela este mundo; cria outro. Pão dos eleitos; alimento maldito. Isola; une. Convite à viagem; regresso à terra natal. Inspiração, respiração, exercício muscular. Súplica ao vazio, diálogo com a ausência, é alimentada pelo tédio, pela angústia e pelo desespero [...] Expressão histórica das raças, nações, classes. Nega a história: em seu seio resolvem-se todos os conflitos objetivos e o homem adquire, afinal, a consciência de ser algo mais que passagem. Experiência, sentimento, emoção, intuição, pensamento não dirigido. Filha do acaso; fruto do cálculo. Arte de falar em forma superior; linguagem primitiva. Obediência às regras; criação de outras. [...] Vos do povo, língua dos escolhidos, palavra do solitário. [...].

PAZ, Octavio. Poesia e Poema, In: O Arco e a Lira. Tradução de Olga Savary. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982. p. 15.

     Alguém conhece o tal ilustre Octavio Paz? Alguém leu o livro? Fiquei muito interessado em lê-lo.
   Enfim, é com esse trecho de O Arco e a Lira que despeço-me de vós e deste Universo Paralelo, ou melhor, dispo-me de e com vós.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Nunca esqueçam disto: a loucura é vizinha da mais cruel sensatez.

terça-feira, 26 de junho de 2012


Lembrando de obscuros tempos de minha vida.
— É a morte o caminho ao sublime? — indagava eu.

domingo, 24 de junho de 2012

O Objetivo da Sociologia no Ensino Médio

Este é o primeiro poste nomeado cá. Esta é uma redação de sociologia na qual minha nota foi 5,5. Penso que ao menos eu mereceria seis ou sete pontos. Mas eu já falei que não compreendo meu professor de filosofia/sociologia? Vamos à  pequena redação:

A sociologia estuda os indivíduos aglomerados mediante um senso comum que os une, e  as suas relações e ações no meio social, tais ações citadas, fazem expressar individuais desejos ou não no meio coletivo.

O Ensino Médio constituído por adolescentes, pois cá não trato do EJA, é um relevante espaço de construção de seres pensantes que atuarão na sociedade.

Estes adolescentes, na intensidade das idades, estão não só formando e construindo o corpo para o estágio de amadurecimento sexual — que é o objetivo final da vida: reproduzir-se e e tornar extensa a prole —, mas fazendo alicerçar a formação intelectual que há de realmente fazê-los indivíduos na sociedade em junção de tal amadurecimento.

Num país onde a conquista da democracia deu-se recentemente, e onde as pessoas costumam ser "pensadas", a Sociologia deve ter o objetivo de formar seres críticos prontos para relações complexas em grupo, viando a construção de uma sociedade mais justa e universalmente consciente do papel de nossa espécie.

sábado, 23 de junho de 2012

A seguir, um escrito postado no grupo virtual de filosofia da  minha escola acerca de religiosidade, existencialismo e ciência.


Este poste é uma compilação de correios eletrônicos trocados por mim e uma graduando de Psicologia religiosa sobre algumas questões humanas 
que contêm meus pensamentos sobre o assunto. Haverá aqui apenas alguns 
trechos do correio. Em sequência, o correio do segundo sujeito; logo 
após, a reposta do primeiro sujeito, eu. 

Correio eletrônico do primeiro sujeito: 
[...] 

Boa tarde, querido! 



O astrônomo Fred Hoyle teve seu ateísmo abalado pelo princípio 
antrópico e pela complexidade que observou na vida. 
Hoyle concluíu: "Uma interpretação de bom senso dos fatos sugere que 
um superintelecto intrometeu-se na física, na química e na biologia e que 
não há forças ocultas e dignas de menção na natureza" 

Embora Hoyle tenha sido vago sobre quem seja exatamente esse 
"superintelecto", ele reconheceu que o ajuste refinado do Universo 
exige inteligência. 

Beijo! 

[...] 

Resposta do segundo sujeito ao correio eletrônico anterior: 

Cabo de Santo Agostinho, a 6 de Abril de 2012. 
Oi Querida, 


[...]

 Além deste fato, há outro, a tua ansiedade. Quanto para as suas 
verdades, eu recomendo este leitura: 


Sou cético e irreligioso, por vezes, até encharcado de pirronismo. 
Claro, acredito que há uma Energia Suprema desconhecida e 
imperceptível para nós, humanos tão tolos e modestos perante a 
vastidão cósmica, que rege o Universo; mas não com o imperialismo e 
soberania egoísta dos deuses humanos, incluindo o cristão. É algo 
natural que simplesmente está além de nossas aptidões compreensivas. 
Ou terás como resolver o problema teológico da eternidade divina? Deus 
existia antes da criação da luz e do tempo? Ou seria ele o próprio 
tempo? Antes da nossa criação, digo todo o Cosmos, havia apenas Deus? 
Mas realmente pode ele simplesmente existir-se eternamente? Tudo e o 
Todo não deveriam ter o limiar e o findar? 



A Bíblia, tanto como outros livros considerados sagrados, não hão ser 
superiores mais que a classificação de livros que usam da criatividade 
humana gestora de mitologias para dar respostas concretas e convictas 
a estas questões tão perturbadoras, que nem a Teologia, e a Ciência e 
a Filosofia estiveram por responder satisfatoriamente. 



Como assim? Ciência e Filosofia tentando explicar problemáticas da 
teologia cristã? Podem mesmo sê-lo? Ocorre-se que, as explicações 
científicas sobre a origem, a criação e o destino de nosso Universo 
também falham na Ciência e na Filosofia assim como na Teologia. 
Possuir estas tuas verdades são mais confortáveis para ti e a outrem, 
pois não jogar-te-ia num mar de singularidades. Digo, a singularidade da 
Física, na teoria da explicação sobre nossa origem e destino, é uma 
relativa ao vazio teológico das respostas destas perguntas. 



Este é um dos motivos de que sou cético, por vezes, pirrônico. Há 
mais, a ter dependência da da progressão evolutiva, a má religião e 
seus dogmatismos, ouso socialmente considerar, deveram ser extintos 
lentamente ou, tal seja uma vez, de rápido modo. 



Eu poderia simplesmente apresentá-la dados estatísticos do ateísmo 
científico, mas não preferi fazê-lo por meu ceticismo. 


Sobretudo, meu cientificismo cético não deixa-me descrer, por exemplo, 
que há possibilidade de corpos ocuparem dois lugares simultaneamente 
ou na possibilidade da magna capacidade da cognição humana de ler 
outras mentes. Há muito da Espiritualidade, que nos é natural, e 
precisa ser melhor desenvolvido. Não somos a árvore, apenas um dos 
vários ramos de uma longa jornada de crescimento. 



Todo o Drama humano vive apenas em Meio a uma indiscutível 
superioridade cósmica indiferente a todos os nossos feitos. Este fato 
absurdo e desconfortante é apaziguado com as artes, com a Filosofia, 
com a Arte das Musas, com a Beleza e a Estética igualmente indiferente 
para a superioridade cósmica. 


Atenciosamente, 
Lee Ailson. 

P.S.: Não revisei o texto.

sábado, 16 de junho de 2012

Banhar-se e escrever são  dois modos de sobrepujar a efêmera mediocridade da vida, concluo.
Tanto ocorreu-me nos tempos de cá afastado.



Já, entendo a mediocridade do mundo. Entretanto, sei eu que o conhecimento e a razão liberta daquela prisão medíocre. Há pessoas com mentes tão disformes quanto seu corpo e isto deixa-me em cólera com o mundo. Após um harmônico dia, entro em meu apartamento com os mesmo sentimentos de antigos tempos em crise existencial e de imediato penso a revigorar-me: "Mais vale uma frustração que faça-me crescer do que uma satisfação que faça-me estagnar".

Com tantos nomes e endereços escritos na agenda para junho, o remédio será ir para todos os compromissos e continuar

apesar de tudo.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O concerto da Orquestra Sinfônica do Recife foi cancelado. Mas eu não vou à aula de inglês. Eu domino a lição que a professora lecionará hoje. Além disso, não haverá aula nos próximos dois dias, que unificando com o fim de semana, poderá resultar em ótimos quatro dias de estudos musicais, ingleses, muito documentário e estudos para a semana de avaliação na próxima semana. Sobre a aula de inglês perdida: eu posso repor com outro turma que está na minha mesma lição.

Agora quero assistir um documentário sobre qualquer assunto relacionado à cosmologia com pudim; depois, eu posso terminar de ler o livro de Lispector.

Não posso esperar pela hora de ler o Livro do Ano na Minha Estante.

Eu achava que meu dia seria péssimo. Todo este pensamento começou quando na ida à escola, percebo, já no autocarro, que esqueço o dinheiro da tarifa. Fiquei inexpressivo quando dei-me conta disto. Então, um bondoso senhor, que preferiu não revelar seu nome, decidiu salvar minha vida pagando minha tarifa. Além de agradecê-lo com muitos "Obrigado! Muitíssimo obrigado, senhor!", disse-lhe que só Deus poderia pagá-lo. É raríssimo que minha pessoa diga-o, já que sou absolutamente cético nestas "questões divinas". Penso que este comportamento pode ser explicado com meu sentimento de desconcerto com a sociedade que vivo. Sou humanista e altruísta, gosto de pensar no que outras pessoas pensarão ou como hão de reagir. Este meu sentimento de desconcerto, faz-me pensar que a visão das pessoas acerca de mim é de amoralidade. Como a maioria das pessoas na sociedade são crentes, isto é, possuem crenças em alguma divindade sobrenatural que rege o cosmos, tento ser componente do grande grupo adotando atitudes que fazem condizer com seus conceitos, suas características, seus fundamentos. Isto demonstra a insegurança que tenho em mim mesmo e como tenho autoestima  decadente.

É melhor voltar para o documentário e ao pudim.