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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

"Os Espelhos", "Por Não Estarem Distraídos" e Memórias Delicadas

     Estou na Biblioteca do Estado de Pernambuco ou Biblioteca do Castelo Branco. O Wi-Fi é ótimo!
    Larguei, pois costuma-se largar cedo em semana de recuperação do que foi academicamente perdido pelos "perdidos academicamente", e estou aliviado por estar positivamente azul e atualizado em todas as disciplinas acabarei tendo sangue azul.
     Depois de escrever esse poste, estudarei um pouco de história e terminarei de compor algumas músicas.

     Como prometi no poste do vigésimo quarto dia de setembro,   estarei a postar as crônicas do penúltimo livro de Clarice Lispector lido este ano, "Para Não Esquecer". Esse livro de Clarice reúne crônicas, fragmentos e relatos escritos por ela.   
     Muitos escritos publicados ali são relatos e experiências do relacionamento com seus filhos ou podem ser a designação do mistério, do desconhecido e a exploração do cotidiano, que, nas mãos de Clarice, torna-se uma tragédia cósmica. Nesse livro, encontrei muita coisa já lida em "A Descoberta  do Mundo", livro integrante da inspiração desse blogue e digerido três vezes por mim.
      Selecionei 22 textos entre os mais de 110 contidos no livro. Ao decorrer dos postes, publicá-los-ei com pequenas resenhas ou sem pequenas resenhas.
      No dia em que fui inserido na cultura de nossa civilização, postei Futuro de Uma Delicadeza. Hoje, eu postarei Por Não Estarem Distrídos, que mostra bem a situação (expressada aqui) que deixava-me com medo de ter "ciência dita" do meu amor por alguém; e postarei Os Espelhos.

     Leiam os textos já citados e escritos por Clarice Lispector:

Os Espelhos


" O que é um espelho? Não existe a palavra espelho - só espelhos, pois um único é uma infinidade de espelhos. - Em algum lugar do mundo deve haver uma mina de espelhos? Não são precisos muitos para se ter a mina faiscante e sonambólica: bastam dois, e um reflete o reflexo do que o outro refletiu, num tremor que se transmite em mensagem intensa e insistente "ad infinitum", liquidez em que se pode mergulhar a mão fascinada e retirá-la escorrendo de reflexos, os reflexos dessa dura água. - O que é um espelho? Como a bola de cristal dos videntes, ele me arrasta para o vazio que no vidente é o seu campo de meditação, e em mim o campo de silêncios e silêncios. - Esse vazio cristalizado que tem dentro de si espaço para se ir para sempre em frente sem parar: pois espelho é o espaço mais fundo que existe. - E é coisa mágica: quem tem um pedaço quebrado já poderia ir com ele meditar no deserto. De onde também voltaria vazio, iluminado e translúcido, e com o mesmo silêncio vibrante de um espelho. - A sua forma não importa: nenhuma forma consegue circunscrevê-lo e alterá-lo, não existe espelho quadrangular ou circular: um pedaço mínimo é sempre o espelho todo: tira-se a sua moldura e ele cresce assim como água se derrama. - O que é um espelho? É o único material inventado que é natural. Quem olha um espelho conseguindo ao mesmo tempo isenção de si mesmo, quem consegue vê-lo sem se ver, quem entende que a sua profundidade é ele ser vazio, quem caminha para dentro de seu espaço transparente sem deixar nele o vestígio da própria imagem - então percebeu o seu mistério. Para isso há-de se surpreendê-lo sozinho, quando pendurado num quarto vazio, sem esquecer que a mais tênue agulha diante dele poderia transformá-lo em simples imagem de uma agulha.Devo ter precisado de minha própria delicadeza para não atravessá-lo com a própria imagem, pois espelho que eu me vejo sou eu, mas espelho vazio é que é espelho vivo. Só uma pessoa muito delicada pode entrar num quarto vazio onde há um espelho vazio, e com tal leveza, com tal ausência de si mesma, que a imagem não marca. Como prêmio, essa pessoa delicada terá então penetrado num dos segredos invioláveis das coisas: Vi o espelho propriamente dito.E descobri os enormes espaços gelados que ele tem em si, apenas interrompidos por um ou outro alto bloco de gelo. Em outro instante, este muito raro - e é preciso ficar de espreita dias e noites, em jejum de si mesmo, para poder captar esse instante - nesse instante consegui surpreender a sucessão de escuridões que há dentro dele. Depois, apenas com preto e branco, recapturei sua luminosidade arco-irisada e trêmula. Com o mesmo preto e branco recapturei também, num arrepio de frio, uma de suas verdades mais difíceis  o seu gélido silêncio sem cor. É preciso entender a violenta ausência de cor de um espelho para poder recriá-lo, assim como se recriasse a violenta ausência de gosto da água."

Por Não Estarem Distraído



     Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.

     Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.

     Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto.

     No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.
Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios.
     Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."

     Este último texto lembra-me tantos momentos belos. Lembra-me o dia no qual voltamos, eu e meu amado amigo, duma palestra acerca de Música e Religiosidade.

     Foi um dos dias mais belos que já tive em sua companhia. Não pelos roteiros turísticos de Recife que recebem nossos pés diariamente, mas por vê-lo atencioso, ao meu lado, natural, por vê-lo almoçar comigo, por partilharmos vivências, por vê-lo sonolento a oscitar . Disse-me ele que "...passei a noite acordado. Eu fui ao cinema com minha irmã e voltamos tarde". Deu para perceber que eu também passei a noite acordado e como quis deixar claro o quão semelhantes somos, não deu?  A diferença é que passei a noite acordado por não conseguir esquecer que passaria todo o dia com alguém que fazia-me deixar intrigado, com alguém que fez-me ganhar a perna inútil que G. H. perdeu num momento de apreciação da êxtase d'outrem.

     Estava a ocorrer, no Marco Zero, um festival internacional de teatro de objetos. Fomos. Mas fomos com a esperança de ver Hermeto Pascoal de pertinho e num show com poucas pessoas após o encerramento das representações. Ele não poderia ficar, pois estaria tarde demais para ele voltar ao seu bairro. Eu ofereci táxi com minha companhia até a porta de sua casa. Mas ele disse "... minha mãe pediu para sair do centro às 21h e o show começa às 21h30min. É muito importante para mim, mas não sou como você que não tem horário para chegar." Como reposta, disse rindo e ironicamente que sou um ser emancipado.
     Só para ficarmos juntos mais tempo, tivemos a ideia de duma ida à Livraria Cultura do Shopping Paço Alfândega.

     Senti seu hálito doce. E desejei seu hálito no meu quarto, em qualquer lugar no mundo. Não desejei em mim, a esbarrar nos meus lábios. Desejei-o nos ares do meu quarto e desejei estar perto dele para sempre.
     Lemos algumas revistas. Ele leu artigos científicos sobre física quântica e eu li sobre civilizações pré-colombianas em revistas de história e arqueologia.
     Conversamos acerca da razão de existirmos; então vimos que já estava na hora de partir. Saímos à parada do autocarro, expressando em dizeres nossas elucubrações acerca da existência. Quando o vi sem mais a dizer, eu prometi que em cinco minutos escreveria algo sobre as razões da existência com duas das minhas três palavras preferidas, que são "cerne" e "sobrepujar". Já estávamos longe da Livraria quando eu pedi para que ele segurasse meu braço direito enquanto eu escrevia com a mão do braço esquerdo, pois haveria a possibilidade de beijos duros entre eu e o chão. Escrevi. Noutro dia, peguntei do destino daquele papel com minha caligrafia rabiscada. Ele disse que queimaria, mas decidiu primeiro pôr no computador e depois guardar a folha. Só agora, enquanto escrevo, é que observo que deveria perguntar o motivo do fogo com o papel.
     
     As pessoas passavam entre nós dois, agitadas, para ver Hermeto Pascoal. Então, tocamos e nos tocamos esmagados. Falávamos acerca de cousas quaisquer; ríamos. Decidimos apreciar a água negra do Rio Capibaribe. Gosto da "música da água".

     Acho que está na hora de parar. É demais para mim. Estava a suprimir muitos pormenores para mim mesmo, não por serem proibidos de publicações na Rede, mas por sentir demais enquanto escrevo. Suprimia detalhes pois ainda ( "ainda" é minha terceira palavra favorita, revelo) temo afogar-me em meus mergulhos no mar existencial onde eu encontrei meu Amado Amigo. Ele disse-me que um dia poderia me ensinar a nadar. Ele ama natação. Sou um tanto sedentário, mas sempre quis ter disposição para praticar esportes. Minha mãe diz que, na verdade, eu sempre quis alguém para praticar esportes comigo. De qualquer forma, nesses tempos de lições de natação, se eles existirem, já estarei nadando muito bem no meu mar existencial.
     Agora só posso dizer que o abracei na despedida; depois fui ao show de Hermeto Pascoal.

     Acho que, pelo o que eu escrevi por cá, vós pensais que o que escrevi nos parágrafos anteriores não possuem tanto a ver com "Por Não Estarem Distraídos" de Clarice Lispector. Só os detalhes suprimidos por mim, como no susto da súbita descoberta, de modo consciente, mostrariam as razões e justificativas das minhas lembranças associativas.

    Seu eu continuar lembrando assim, ninguém vai aguentar ler nada do que escrevo.

     Estou calmo, como recomendou o Cesinha. Se não estivesse assim, já teria gritado ao mundo o meu amor. Por estar calmo e por deixar ir-me navegando até a foz do Rio Capibaribe para que o nosso amor seja um rio fluindo e fluindo é que não estou a gritar o meu amor. Que correnteza!

     Hei-de postar algumas fotos dos lugares citados cá:

Ponte Maurício de Nassau, Recife  - PE. Por Francisco Edson.

Vista da Ponte Maurício de Nassau (primeiro plano) a partir da perspectiva do Velho Recife sobre a Livraria Cultura. Por Sério Menezes.
Interior do Shopping Paço Alfandêga, Recife - PE. Por Sério Menezes.

     Descarreguei um leitor de Feeds em meu computador. Agora: como tenho blogues para ler! Já gostava da "Blogsville", e gosto ainda mais agora que estou menos "tímido" por cá.

sábado, 29 de setembro de 2012

A Inacabada

     Ela marcou a minha vida. Quase tanto quanto ele. Ele, por sua vez, provou que eu podia amar. O segundo movimento dela, mostrou-me que as angústias do primeiro movimento são superáveis.
     Ela é a Sinfonia No. 8 em Si Menor do compositor germânico Franz Peter Schubert. Ele... Ele é só ele mesmo.

     A primeira vez que a apreciei em direto foi ao dia 18 de Setembro no Teatro Santa Isabel com a minha amada Orquestra Sinfônica Jovem do CPM. Meu professor particular, chefe de naipe, estava a interpretar também. André Muniz, regente convidado do concerto,  conduziu muito bem a orquestra na interpretação d'A Inacabada.

     Ela, a Sinfonia, fez-me emocionar e molhar a face de lágrimas no primeiro movimento. Memórias e memórias. Sentimentos e palavras. A agudez dos momentos mais noturnos da vida.
     Já no segundo, lembrei que podemos transformar as agudezas em canções de ninar. As lembranças também trouxeram para a consciência que existem raios solares para quebrar a escuridão da noite. E de novo chorei.
     Eu não resisto e vocifero "bravo" no final. É claro que ele existe para cousas extremamente excepcionais, mas até a menos notável beleza torna-se excepcional para mim.

     Vai, em sequência, a interpretação completa da Oitava Sinfonia de Schubert. Bom deleite!


domingo, 26 de agosto de 2012

O Final de "Aventuras Quânticas no Transporte Público Brasileiro", BookTour da Evana Ribeiro e X Festival de Música Antiga de Recife/Olinda

     Antes de tudo, este poste é uma continuação do poste anterior. Isto ocorre pois eu limito meu horário de estar escrevendo cá. Se eu não cuidar, abandono o computador e passo o dia escrevendo com a mão. Também lamento a desorganização dos parágrafos. Eu realmente não escrevi daquela forma, mas houve algum tipo de erro no HTML, que é uma linguem desconhecida para mim.

     Ontem eu falara de sonhos, primeiro beijo e acabei indo falar da Evana Ribeiro. Eu continuarei os assuntos que foram citados no título desse poste. Entretanto, agora vamos falar de hoje.

     A apresentação fora portentosa. Ganhei dois "bravos" e alguns silvos. Ainda mais: não sei como descobriram, mas me deram um ramalhete de rosas brancas no final. Não postarei gravações, por ora. Eu tenho plano de postá-las na possível futura estreia de meu primeiro quarteto de cordas. 
     Foi tudo muito bom, como já dissera, mas estou aliviado por ter passado. O palco é sempre bom, principalmente quando se é um virtuoso. Como ainda não o sou, adoro acordar com o nascer do sol, passar o dia estudando e notar meu progresso antes de dormir.

     Já em casa, chá quente e ar indiferente. Torna-se uma grande surpresa ver um Alexandro na minha caixa de entrada. Sim, ele lê o meu blogue. Com sua permissão e com suas próprias palavras, posso dizer aqui que ele sentiu-se "honrado por ser descrito com tanta sensibilidade". Concluí junto com ele que aquilo fora apenas um "momento emotivo e platônico causado pela desfragmentação simultânea de duas almas civilizadas". Ele concordou plenamente em tornar-se um personagem de meus contos, e talvez até de uma futura novela numa cidade que até já escrevi sobre: Quimerolândia. E agora, chegamos em Fim.

     Alexandro, obrigado por ter-me deixado lhe encontrar.

     Eu terminei o poste de ontem falando do primeiro beijo e do blogue da Evana Ribeiro. Eu pensava em falar d'outro assunto quando terminei de transcrever "Promessa é Dívida".
     A Evana Ribeiro fora minha professora de inglês por alguns meses e a partir de seu modo de ensinar pude aprender um pouco sobre mim e as pessoas. Quando soube que ela escrevia, prometi que leria seus livros. O tempo passou-se e nada, mas eu nunca tirei seus livros da minha lista de leitura.
     Ao décimo segundo dia deste mês, pude ler em seu blogue acerca do booktour. Não hesitei em inscrever-me, mas eu ainda farei a inscrição.

...

     Posso continuar a escrever, pois fiz a inscrição no BookTour da Evana Ribeiro.

     Já que é o mês de aniversário da publicação de seu primeiro livro, o Saída de Emergência, e da estreia da série virtual O Fórum Joana Bezerra a Evana Ribeiro decidiu comemorar com muita leitura. Na verdade, presenteando seus leitores com muita leitura.
     No BookTour, poderemos ler Saída de Emergência e Helênicas ou apenas um desses livros. Para se inscrever é necessário preencher um formulário do link que eu postarei brevemente e cada leitor há de ter apenas 25 dias para ler o livro que receber em casa. 
     
     Pelo o que eu já li de Evana Ribeiro, é provável que eu leia tudo em duas tardes. Para vós eu a recomendo muitíssimo.
      Podeis fazer a inscrição no link do poste em seu blogue: http://www.roteirizando.com/2012/08/booktour-de-aniversario-saida-de.htmlLá, podereis encontrar mais informações acerca do BookTour, a sinopse de cada livro, o formulário de inscrição e outras informações importantes.

     Nos dez primeiros dias deste mês ocorreu o X Encontro de Música Antiga de Recife/Olinda e eu até falei brevemente acerca d'ele aqui.
     Antes de postar fotos, vídeos e narrar as histórias do dia 10 em Olinda irei transcrever dois parágrafos duma publicação avulsa acerca do encontro, distribuída nos dias dos concertos lá  no Convento, para aqueles que desejam saber do que trata o X Encontra de Música Antiga de Recife/Olinda. Podeis conferir:

" O ENCONTRO DE MÚSICA ANTIGA RECIFE/OLINDA começou em 1995, como uma iniciativa de  professores do Conservatório Pernambucano de Música para  criar um movimento de música antiga na região Nordeste. Recife e Olinda foram a escolha ideal para o encontro, pois historicamente foram centros maiores de música e arte no Brasil antes do Ciclo de Ouro.

Os quatro primeiros anos (1995 a 1998) foram de exploração e afirmação. Após um hiato de oito anos, o encontro foi retomado em 2007, no que é considerada sua fase de ampliação e relevância. Hoje podemos dizer que o ENCONTRO DE MÚSICA ANTIGA DE RECIFE/OLINDA é um  importante festival entre os eventos do gênero no Brasil."

     A música antiga no Brasil, ou em toda a América, ainda é estruturalmente rudimentar e eurocentrista — e não poderia ser diferente para um continente colonizado substancialmente por europeus. 
     Há, claro, as variações de desenvolvimento e fica como exemplo os americanos nortistas. Mas eles também são americanos, certo? Porém, uma sólida cultura só poderá atingir um alto nível de desenvolvimento em ambientes sociais, políticos e econômicos que o favoreça. País desenvolvido é quase uma garantia total de música desenvolvida. 
     No Brasil, não há tanto o apoio respeitavelmente estimado e muito menos exploração profunda da música antiga. Ainda há outro problema na música antiga no país: estamos presos  à música do  ocidente, apesar dos raríssimos registros da música indígena, que sequer podemos comparar com a música ocidental. 
     A cultura de uma civilização precisa possuir uma membrana, assim como a tal civilização precisa também dessa membrana, que a separe e a faça distinguir-se sem fazer-se romper o elo que liga uma cultura com a outra. A membrana faz permanecer a cultura dessa civilização viva, permitindo tornar a sociedade um colossal organismo vivo que luta em um ambiente hostil.
     Talvez, em dois mil anos, quando a civilização americana tiver solidificado sua história no tempo do planeta, teremos uma música antiga forte e ela será a nossa contemporânea. Mas isso é uma visão extremamente otimista para uma espécie suicida. 

     Apesar de todos esses gêneros de objeções para estabilizar a música antiga no Brasil, em especial Pernambuco, ela floresce lentamente — bom mesmo é quando todo esse jardim botânico se tornar petróleo em dois mil anos — e o X Encontro de Música Antiga de Recife/Olinda é um exemplo nordestino disso. Há duas décadas atrás não tínhamos grupos ativos de música antiga, vivemos em tempos musicais de certo modo primaveril. Isso é bom!
    
     Estamos em tempos rudimentares para a música antiga no Brasil e dizem que o ápice da época de reprodução dos dinossauros era na primavera. E a música, correntemente, vive em época primaveril. Então há reprodução. O público para a música antiga cresce. Fiquei feliz ao saber disso, ouvindo senhoras comentando que era o primeiro festival de música antiga que estavam presentes, enquanto eu esperava o Convento São Francisco abrir no último dia do concerto.

     Por fim, antes de contar como foi a minha apreciação, congratulo todos que fizeram e integraram o encontro.

     A semana em que ocorreu o encontro de música antiga fora assaz agitada. Eu absolutamente não tinha espaço na agenda naquela semana. Mas apertei tudo no metrô e consegui ir para o X Encontro de Música Antiga de Recife/Olinda.
     Inicialmente eu iria sozinho. Andaria pelo sítio histórico de Olinda e deixaria o vento bagunçar o meu cabelo, mas no fundo eu sabia que ficaria triste por não ter ninguém para ser guiado por mim no sítio histórico de Olinda. Sem dúvida, eu tomaria o ato decadente de apresentar tudo que eu já conheço de cor do sítio histórico para mim mesmo.
     Como eu já escrevera aqui, na mesma época houve muitos outros concertos quando igualmente eu estava conquistando uma nova vida social em razão da superação da timidez. No meio das conquistas sociais, conheci o Geraldo. Ele adora ir para concertos, então ele tornou-se meu companheiro de concerto.
      Eu o convidei quando soube que ele apreciava música antiga. Marcamos horário e local, enquanto eu planejava uma andança por Oh!Linda vespertinal.


     Um dia antes, na quinta-feira, faço averiguar se tudo o que eu planejei estava em ordem. Depois tomo uma atitude que deixar-me-ia decepcionado em Olinda: vou ler notícias astronômicas no http://www.apolo11.com/ e tive a ideia de querer ver o pôr-do-sol em Olinda, que, se não em engana a memória, seria às 17h16min. Para  que não ocorressem os tais inesperados eventos, eu liguei para o Geraldo contando o meu plano. Então marcamos um horário mais apropriado para fazermos todas as nossas atividades por lá.
     O dia estava belíssimo até eu chegar em Recife às 15h. Nesse momento, o céu encheu-se em trevas para molhar a terra e minha esperança hidrofóbica de ver o pôr-do-sol do Alto da Sé.
     Resignamos com a natureza, fomos para Olinda e  foi quase isso o que perdemos, ao menos naquele dia:



Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook

Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook

Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook

Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook


      É verdade, eu já vi esse pôr-do-sol várias vezes no mesmo local. Mas no dia dez, pela primeira vez, eu estaria acompanhado no momento do pôr-do-sol e eu simplesmente não resisto à beleza.
     Aquele não foi o dia. Haverá outro? Sim, quiçá.

     Continuamos a andança. Fomos em algumas lojas de artesanato, mostrei para o Geraldo muitas igrejas, subimos e descemos 18 ladeiras — sim, eu contei —, com algumas subidas e  descidas repetidas, dei aula de história da arte e arquitetura, e acabei interpretando algumas obras de artes quando fomos para alguns ateliês.
     A noite logo chega e estava na hora da aula de astronomia. Fomos para o Observatório Astronômico do Alto da Sé  e falamos sobre vida em Marte, o Curiosity, Nebulosas, o futuro do Sistema Solar, estrelas que ameaçam a vida na terra, vida alienígena   e sobre o futuro da humanidade — nesse ponto começamos a caminhar em territórios filosóficos —, então paramos por aqui.
    Apreciamos, ao sair do Observatório, o vento noturno de agosto. Depois fomos ao Encontro.

     No dia 10 de agosto era o concerto de encerramento de alunos e professores. Não era bem o que eu queria. Eu na verdade desejei todo o dia 02 e 07 de agosto ver o Sonoro Ofício e o Conjunto Músicos de Capella. Mais uma vez eu faço resignar com a situação, afinal foi só na sexta feira em que pude apertar a minha agenda no metrô. Ao menos eu vi o Xavier Julien-Laferrière, que já integrou La Petite Bande sob a direção do grande mestre e já falecido Gustav Leonhardt. De fato, só tive memória de que ele era um dos violinistas da foto do encarte de um dos CDs da minha discografia  de La Petite Bande no momento do baile renascentista, quando ficamos bastante próximos.
     Eu, que fiz balé aos sete anos de idade, danço novamente. A minha acompanhante foi bastante simpática dizendo que eu dançava muito bem. Na realidade, eu pisei algumas vezes nos pés dela. 
     Agora, só agora, fico atemorizado em pensar que talvez minha estrutura seja de concreto. Céus! Talvez eu esteja tão dentro dessa realidade que nem a percebera antes. Como se o cosmo fosse esférico e eu por ser pequenino demais não posso perceber a esfericidade do cosmos. Não, não sou de concreto. Não! Sou de átomos, portanto o sou e não sou.

     Parando por aqui, vamos ver alguns dados visuais do baile e do Encontro:

Baile Renascentista após o Encontro.   Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook .

Baile Renascentista após o Encontro.   Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook .

Foto após o Encontro e o baile com a maioria do pessoal que integrou o encontro. Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook.
Plateia durante o encontro.  Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook. 
Músicos interpretando El Fuego do compositor renascentista espanhol Mateo Flecha.  Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook .
Músicos interpretando o Stabat Mater do compositor barroco italiano Antonio Caldara.  Foto oriunda do perfil da Cecilia Cabral no Facebook.

    Para mim, o ápice das apresentações do último dia do Encontro foi o Stabat Mater de Antonio Caldara interpretado pelo Coro e Orquestra do Encontro e a ensalada para quatro vozes El fuego de Mateo Flecha.

     Eu fiz uma compilação de vídeos postados no YouTube acerca do Encontro de Música Antiga. A maior parte desses vídeos foi postada pelo Cayo César em seu Canal do YouTube. Podereis ver dezessete vídeos do X Encontro de Música Antiga aqui: http://www.youtube.com/playlist?list=PL773F8DC8EDE4B698&feature=mh_lolz

     Margot, dessa vez eu estou em duas das fotos que eu postei. Apesar disso, meu rosto não fora revelado.

domingo, 19 de agosto de 2012

Eu desejo duas cousas nesse exato momento: não passar da trigésima página em minha carta ao meu professor e viajar para as cidades de Florentia, Venezia, Roma, Verona e San Gimignano.

domingo, 12 de agosto de 2012

     Eis uma prévia da descrição de como foi o X Encontro de Música Antiga de Recife/Olinda em Dó Maior feita por Cayo, que ficou pertinho de mim numa das apresentações no concerto de encerramento dos alunos e professores, o único que infelizmente pude presenciar:




     Um fantasma da "Blogsville" impediu-me de mudar o endereço deste blogue, então continuará como esse. Ao menos, penso assim, há de preservar a origem e os ideais do blogue.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Fotografias do concerto da Orquestra Sinfônica Jovem no Teatro Santa Isabel, X Encontro de Música Antiga de Recife/Olinda, Novo Endereço

     Eu só comentei que foi de arrepiar. Ainda não descrevi e nem contei as histórias da noite, quando ocorreu o concerto com a Orquestra Sinfônica Jovem do CPM, e as minhas estórias do que vejo no mundo. Não falei das emoções que senti junto com a plateia e também não falei do meu companheiro de concerto no segundo piso do Teatro.
     Apesar de tudo, eu consegui as fotos. Alguns amigos meus aprecem nelas, enquanto eu estou na escuridão do segundo piso. Vejam-na:






     Mas não acaba, pois os quatro primeiros meses do segundo semestre do ano são culturalmente agitadíssimos em Recife/Olinda. Então, que venha o X Encontro de Música Antiga Recife/Olinda:


     Bom, o endereço do blogue será atualizado, como combinado, ao dia 11 de agosto de 2012.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

     Está tudo a ocorrer bem. Não vi o Alexandro no autocarro ontem, mas pude pensar em qual será a minha atitude na próxima vez. Pensei que a minha tez expressará o "esquecimento do inolvidável".
     Hoje haverá concerto da Orquestra Sinfônica Jovem do Conservatório Pernambucano de Música no Teatro Santa Isabel. Eu não iria, então eu li o programa na publicação avulsa acerca de seu circuito sinfônico e percebi que teria P I. Tchaikovsky. Pensei... Decidi que vou. Valerá a pena em parar algumas horas de estudos musicais para ir a um concerto. Segue-se o programa e a primeira música dele, que fez-me pensar em ir ao concerto, pois faço arrepiar-me toda vez que a aprecio:

Piotr Ilich Tchaikovsky
Marcha eslava

Joseph Haydn
Concerto para Trompete em Mib Maior
Allegro
Adagio
Allegro
Solista: Josias Adolfo Jr.

Sivuca
Concerto Sinfônico para Asa Branca
Solista: Júlio César

José Ursicino da Silva
(Maestro Duda)
Tributo a Luiz Gonzaga "O Rei do Baião"

Maestro Convidado: Alfredo Barros


     E claro, em breve, muito breve, hei de falar para vós acerca dessa música acerca.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

     Dizer que ele foi lindo não é o suficiente. A Orquestra fora aplaudida cada vez que um movimento terminava e o florista, de tão emocionado, entrou no palco a entregar o ramalhete para a spalla no fim do terceiro movimento da Sexta Sinfonia de Tchaikovsky com quatro movimentos.



quinta-feira, 21 de junho de 2012

Ontem, o concerto da Orquestra Sinfônica do Recife foi muito bom.  Houve muitas cousas das quais eu não gostei como a falta de educação dos espectadores, a rispidez e o atendimento preconceituoso dos receptivos, a breve e sutil desafinação das cordas e metais (falo de comas) e a falta de vigor e segurança da solista. Sei que a atual temporada da Orquestra Sinfônica Recife demonstram ao público o amadurecimento da Orquestra com o regente Osman Gioia, mas penso que poderia melhorar.

A interpretação da Quarta Sinfonia em Fá menor de Tchaikovsky, muito conhecida por ser último movimento  em que as cordas tocam quase por todo em pizzicato, foi precisa e segura.

Foi uma bela noite em que eu pude apaziguar meus sentimentos.

Sonhei com cachorros nessa hora da noite. Disputava com eles algo não muito claro no sonho. Repentinamente, eu corro e faço um voo rasante no chão. Após minutos de voo, pouso e retomo, mas com os cachorros a seguir-me e morder-me. Após algumas lutas vencidas com os cachorros, eu fico a apreciar o quão caucasianas são as minhas nádegas, mas na realidade física, elas não são caucasianas. Não entendi o sonho e este é o motivo de escrevê-lo cá.

Música do dia:

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Hoje haverá o concerto da Orquestra Sinfônica do Recife com Mozart e Tchaikovsky. Nãi irei para o inglês e pagarei a reposição.

Ocorreu muitas coisas legais comigo ontem. O senhor do sebo em que eu compro livros conversou comigo, o professor de música confidenciou seus sentimentos para quatro alunos seus e encontrei uma coleção legal de revistas Seleção Readers Digest das décadas de sessenta e setenta. Estou lendo a edição de dezembro de 1971. Pretendo ler todas elas, pois novas informações não faltarão a cada página lida. 

Parece que nunca terminarei de ler A Descoberta do Mundo de Clarice Lispector. Eu como vagarosamente este livro. Como-o como uma laranja que como. O ácido da descobrir-se e descobri-la aliado à doçura e sutileza de encontrar beleza no mundo mediante as palavras. Antes de meu tão esperado recesso escolar terminarei de lê-lo. Ao menos espero.

Eu deveria escrever mais cá.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Ainda irei para o Parque Arqueológico de Alarcos Calatrava